Orçado em 3 milhões de Reais, Brasil Animado estreia hoje em três dimensões, querendo faturar com crianças que estão de férias e com pais dispostos a pagar ingressos de cinema mais caros. Ficamos interessados. Aí lemos algumas críticas pouco animadoras, como esta, da Folha (para assinantes), que começa dizendo “É um grande trunfo de marketing e certamente vai colaborar para atrair público. Pobre público.” Ai.

O crítico Marco Aurélio Canônico estava, digamos, empolgado ao escrever a resenha:

A parte 3D parece ter sido feita por calouros de cinema -as tentativas de explorar a sensação tridimensional, como em um jogo de capoeira em que os capoeiristas ficam dando golpes na direção da câmera, são risíveis.

“Brasil Animado” é o tipo de obra que depõe contra o cinema nacional. Melhor esquecer que essa bomba existe e celebrar como “primeiro filme brasileiro em 3D” uma próxima produção tridimensional que seja minimamente competente.

A história do filme é simples: há uma árvore sagrada, que os heróis “Stress” e “Relax” (sério) têm de achar. Eles vão para lugares que qualquer propaganda da Embratur recomendaria, e eles fazem questão de mostrar sotaques forçados e cartões postais (mistura de cenas reais e animação). O problema é que a coisa é meio boba, mesmo para um filme infantil, como nota Carina Toledo, do Omelete (2 de 5 ovos):

Os dois personagens principais, os cachorros falantes Stress e Relax, são bastante carismáticos e têm muito potencial cômico – mérito da dublagem de Eduardo Jardim -, mas acabam mal aproveitados em uma história que tem preocupação muito mais educacional do que de entretenimento. Na tela são apresentadas informações bastante primárias sobre cada região do Brasil, que parecem vindas diretamente da cartilha de Estudos Sociais. A narrativa é linear ao extremo e, a cada parada dos personagens em uma nova cidade, repete-se a mesma estrutura, o que acaba tornando-se enfadonho.

Ao menos o filme foi feito em 3D desde a filmagem. E a diretora Mariana Caltabiano explicou o processo ao site Adoro Cinema:

É mais difícil. São duas câmeras comuns que ficam acopladas, com um tubo de espelhos que converte as imagens em uma só. Como cada uma representa um olho do espectador, as imagens têm que estar muito idênticas. Então é preciso ter o estereógrafo no set, que calcula a distância do que está mais próximo e mais longe. Com base neste cálculo é ajustada a distância entre as câmeras. E tem que ser um cálculo perfeito, o responsável é tipo um geniozinho. Ele calculava a distância e aí levava um tempo para arrumar as câmeras. Foi tudo muito novo. O que me deixou feliz e entusiasmada foi já no set poder ver o resultado, através do monitor e com óculos. Tinha medo de ter todo este trabalho, rodar o Brasil inteiro e lá na pós-produção ver que a ideia não funcionou. O fato de poder ver no set foi muito interessante. Além de ser gostoso, por ver que estava funcionando.

Então, amiguinhos, podia ser pior, ok? Imagine os pelos do Tony Ramos saindo da tela em Se eu Fosse Você 3 em 3D. Talvez seja melhor esperar o pessoal da Brasileirinhas.