Uma equipe cirúrgica do Hospital Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos, realizou um transplante completo de pênis e escroto, a primeira operação do tipo no mundo.

O procedimento, que durou 14 horas e é chamado de alotransplante composto vascularizado, foi conduzido por dois cirurgiões urológicos e nove cirurgiões plásticos em 26 de março deste ano. De forma incrível, o transplante envolveu uma única peça de tecido, que pesava aproximadamente 2,27 kg e media 25,4 cm ao todo.

Cirurgiões fazem primeiro transplante bem sucedido de pênis nos Estados Unidos
Se você transplanta uma cabeça humana, de onde vem o corpo?

Um doador morto forneceu todo o pênis, o escroto (sem os testículos) e parte da parede abdominal. Os cirurgiões trabalharam para transplantar pele, músculos, tendões, nervos, osso e vasos sanguíneos. A cirurgia parece ter sido um sucesso, mas, como em qualquer transplante, os médicos agora estão observando cuidadosamente o paciente para se certificarem de que seu corpo não rejeite o novo tecido.

O paciente, que deseja manter o anonimato, teve seus genitais destruídos por uma bomba enquanto servia no Afeganistão. O soldado também perdeu a parte do joelho para baixo de ambas as pernas, mas ficou particularmente perturbado com a perda de seus genitais.

“Essa lesão pareceu que me baniu de ter um relacionamento”, ele disse ao New York Times. “Tipo, é isso, você está acabado, você está sozinho para o resto da sua vida. Tive dificuldades mesmo em me ver como um homem por um bom tempo.” Desde a cirurgia, ele conta, “me sinto inteiro novamente”. O paciente está se recuperando rapidamente e deve ir para casa nesta semana.

Diagrama do procedimento. Crédito: Johns Hopkins

Este transplante de pênis é o terceiro a ser realizado, mas, diferentemente dos outros dois — o primeiro, na África do Sul em 2014, e o segundo, no Hospital Geral de Massachusetts, nos EUA, em 2016 —, envolveu o escroto e o tecido em volta, além do pênis. Este é também o primeiro transplante de pênis realizado em um veterano de guerra machucado por um dispositivo explosivo.

Em um comunicado, W.P. Andrew Lee, diretor de cirurgia plástica e reconstrutiva da Escola de Medicina do Hospital Johns Hopkins, disse que está “esperançoso de que o transplante vá restaurar funções urinárias e sexuais quase completas para este jovem”. Além de ser capaz de urinar com seu novo pênis, o paciente deve, um dia, ser capaz de produzir uma ereção espontânea e chegar ao orgasmo. Ele está atualmente tomando testosterona e vai usar o medicamento Cialis para promover função erétil depois da cicatrização e regeneração dos nervos.

Os testículos do doador não foram doados por questões éticas; os médicos acharam que seria possível que o paciente gerasse filhos geneticamente relacionados ao doador, algo que não é permitido por diretrizes médicas.

Durante as guerras no Iraque e no Afeganistão, cerca de 1.300 soldados norte-americanos tiveram lesões “genitourinárias”, dos quais 31% envolveram lesões no pênis, de acordo com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Ainda estamos no início, mas esse último avanço médico enfim oferece alguma esperança.

[Johns Hopkins Medicine, New York Times]

Imagem do topo: a equipe de cirurgia do Johns Hopkins. Crédito: Johns Hopkins