A Apple não perde a chance de se colocar como uma empresa de tecnologia que prioriza a privacidade em relação aos seus lucros – e nesta WWDC não foi diferente. A companhia anunciou uma série de tecnologias voltadas para a proteção de privacidade que serão implementadas em seus novos sistemas operacionais.

Sem localizações exatas no iOS

A primeira novidade é a introdução do que a Apple chama de “Localização Aproximada”. Ela está programada para ser lançada com o iOS 14 e o iPadOS 14, no próximo trimestre.

O chefe de software da Apple, Craig Federighi, explicou à Fast Company que essa atualização do software permitirá aos usuários decidirem que um aplicativo veja somente sua “localização aproximada” – com precisão de poucos quilômetros de onde quer que eles estejam em vez de sua latitude e longitude precisas.

Para chegar a essas aproximações, a Apple dividiu o mundo inteiro em um certo número de regiões de aproximadamente 16 quilômetros de diâmetro (o equivalente a 10 milhas) e deu a cada uma delas um certo identificador. Se um usuário quer dizer a um determinado aplicativo qual é a sua localização “aproximada” em vez de “precisa”, este é o identificador que o app vai usar.

Como as regiões são mais amplas, é efetivamente impossível para o aplicativo obter as coordenadas precisas de um determinado usuário, a menos que ele queira dar acesso à localização precisa, que continua sendo útil para aplicativos de GPS, por exemplo.

Indicadores de gravação

Além de mudanças no rastreamento de localização, o iOS 14 também virá com um indicador de gravação de uso da câmera e do microfone. É algo parecido com a luz verde que aparece quando a webcam do MacBook está ligada, por exemplo. O indicador vai aparecer no topo da barra de status do dispositivos iOS e vai permitir que o usuário confira se a câmera frontal, traseira ou o microfone estão ligados.

Informação nutricional de apps

Janela de permissão de localização no iOSImagem: Apple

A nova atualização do iOS também vai reformular a maneira que anunciantes podem rastrear usuários dentro dos aplicativos ou através da web bem como usar esses dados para direcionar propaganda. Os desenvolvedores precisão fazer uma declaração das permissões que seus apps vão solicitar – com isso, não será possível visualizar a localização de um usuário ou seus detalhes de identificação sem que a Apple e o usuário saibam disso.

Isso é parte do que Federighi chamou de “informação nutricional”, algo que todos os aplicativos terão a partir do iOS 14. Como ele explicou durante a apresentação ao vivo, essas informações permitirão aos usuários ler a política de privacidade de um determinado app antes de baixá-lo em seu dispositivo.

Embora saibamos que a maioria das políticas de privacidade não são lidas ou são deliberadamente escritas para serem mal compreendidas, a possibilidade de visualizar esse tipo de detalhe antes de baixar um app é o tipo de coisa que deveria estar disponível há muito tempo.

O tempo dirá se esses pequenos ajustes vão realmente resultar em mudanças substanciais na privacidade das práticas dos desenvolvedores ou na forma como as pessoas usam seus dispositivos iOS.