Escolher uma TV é uma tarefa simples por alguns pontos de vista: preço, design, ano de lançamento, entre outras características. No entanto, existem vários tipos de tela, rótulos e acrônimos que é quase impossível não ficar perdido com tantas nomeações e possibilidades, ainda mais agora em 2021 que novas tecnologias estão a caminho.

Pensando nisso, preparamos um guia simples que explica as tecnologias e principais especificações nos displays de TV que devem bombar este ano.

O básico

Imagem: Panasonic

As principais especificações de uma TV permanecem as mesmas de sempre: há o tamanho da tela, que define quanto o televisor vai medir, e há a resolução, que é quantos pixels são colocados no painel. No Brasil, o Full HD tem ficado em segundo plano graças à expansão do 4K, mas já existem modelos ainda melhores, com tecnologia 8K – embora sejam vendidos a preços que não são acessíveis para a maioria da população.

Quanto ao tipo de tecnologia no display, as duas mais comuns de serem encontradas são o OLED (Organic Light-Emitting Diode), mais caro e em que cada pixel de luz é iluminado de forma independente, e o LCD (Liquid Crystal Display), mais barato e ainda uma boa alternativa, que usa uma camada de luz de fundo.

O LCD tem melhorado nos últimos anos com o uso de LEDs (Light-Emitting Diodes) em várias configurações, permitindo que eles se aproximem do contraste nítido e das cores profundas do OLED. As TVs LCD agora são frequentemente chamadas de TVs LCD LED, ou simplesmente TVs LED, o que pode confundir um pouco os consumidores.

Não podemos esquecer de outros pormenores, como o HDR (High Dynamic Range), que é a capacidade das telas de equilibrar as cores para que os pontos mais escuros e mais claros ainda estejam cheios de detalhes. Existem algumas subcategorias – HDR10, HDR10+, Dolby Vision e outros -, mas isso não é algo mandatório de se escolher. Tudo depende do seu nível de exigência, já que, para maior qualidade de imagem, o ideal é optar por TVs com a versão mais recente.

Mini-LED e MIcro-LED

Imagem: Samsung

Como mencionado acima, as tecnologias para TVs estão se dividindo cada vez mais em subcategorias e variações. Muitas fabricantes têm adotado padrões específicos, o que dificulta comparar marcas diferentes entre si. Com isso em mente, surgiram os Mini-LED e Micro-LED, variações do LED e, no geral, uma evolução do LCD.

O problema com LCDs que usam retroiluminação de LED é que eles não oferecem muito controle de iluminação pixel a pixel. Isso significa que é mais provável que você veja espaços de luz ao redor de pontos brilhantes em fundos escuros. Para resolver isso, as fabricantes começaram a dividir as luzes de fundo em zonas menores e controladas individualmente, de forma que algumas partes da tela pudessem ser de um preto mais profundo (ou um branco mais brilhante) sem afetar o resto do painel.

O Mini-LED e o Micro-LED são atualizações dessa ideia, tornando o tamanho dos LEDs individuais cada vez menores e, assim, permitindo mais controle sobre a imagem. Já existe uma gama considerável de televisores que serão lançados em 2021 equipados com essas tecnologias, mas não serão nada baratos. A TV de 110 polegadas da Samsung com Micro-LED, por exemplo, sairá por US$ 150 mil, ou R$ 804 mil na conversão atual.

Em teoria, o Micro-LED oferece os benefícios do LCD e do OLED em um novo pacote. As empresas devem ser capazes de tornar a tecnologia mais acessível com o tempo, mas por enquanto ficamos nisso: não é uma tecnologia voltada para as massas. Também é preciso levar em consideração que algumas companhias têm adotado nomes diferentes para a novidade – no caso das TVs da Sony, o Micro-LED é chamado de Crystal LED.

Pontos quânticos

Imagem: LG

Durante a CES 2021, que aconteceu totalmente digital este ano por conta da pandemia de COVID-19, as fabricantes já apresentaram melhorias no Mini-LED: a LG com o seu QNED e a Samsung com o QLED – o “Q” é uma referência a “ponto quântico”. No final das contas, essas são variações do mesmo modelo de LED LCD que vimos antes, mas há uma camada extra desses pontos quânticos que podem refinar e processar ainda mais as cores mostradas na tela e o contraste geral da imagem.

É o mesmo padrão que vimos nas tecnologias de TV ao longo dos anos, servindo como um ajuste inteligente para lidar com algumas de suas limitações. Uma das grandes vantagens dos conjuntos QLED e QNED é o brilho aprimorado que, em alguns casos, é capaz de superar até o OLED. Brilho e longevidade são desvantagens potenciais do OLED, apesar de as fabricantes estarem fazendo melhorias nesse campo.

A Samsung vem desenvolvendo o QLED há algum tempo, e a última novidade da companhia é o chamado Neo QLED. Tal como acontece com muitas reformulações, Neo significa apenas “novo” e melhorado: refere-se a LEDs (pontos quânticos) que são menores, mais precisos, com menos vazamentos em termos de luz e mais responsivos. A tecnologia também pode ser melhor gerenciada pelo software integrado da TV. No final, tudo se resume a uma imagem cada vez melhor.

O QNED, por sua vez, é relativamente novo, mas incorpora uma tecnologia da LG que já é conhecida: a NanoCell. Na verdade, o “N” se refere a nano: o QNED define até 30.000 LEDs para atuar como uma luz de fundo. Portanto, se você estiver comparando aparelhos de TV com esses tipos de tecnologia Mini-LED aprimorada, procure o número de LEDs mencionados, bem como o número de zonas de dimerização locais, se esses detalhes estiverem listados no anúncio do produto.

Também vale saber

Imagem: TCL

Se você se sentir confuso com qualquer especificação de TV que encontrar, uma busca rápida pela página oficial da fabricante deve fornecer informações mais precisas do que se trata cada uma das tecnologias. Como mencionamos no início, observar as especificações por uma tela de celular ou computador, ou ler uma análise do dispositivo, não é a mesma coisa do que visualizar o televisor ao vivo. No entanto, é possível ter uma ideia do que cada fabricante oferece em seus respectivos aparelhos.

Assim como um PC ou smartphone, as televisões também possuem processadores. Chipsets mais rápidos, avançados e caros ajudam as TVs a gerenciar melhor todos aqueles milhões de pixels, mudando as cores mais rapidamente, interpretando o brilho e o contraste de forma mais realista e aumentando todo o conteúdo antigo para 4K e 8K de uma forma que não comprometa a experiência. Tudo com uma ajudinha de softwares de inteligência artificial.

A Sony, por exemplo, revelou que suas novas TVs da linha Bravia para 2021 são equipadas com o que a empresa chama de “processamento cognitivo”, que faz uso de algoritmos especiais para descobrir para onde seus olhos provavelmente estão olhando. Depois disso, o televisor aprimora partes da imagem, destacando a área em que seus olhos estão direcionados. São ajustes como esse que as fabricantes gostam de adicionar ano após ano, e servem como diferencial para quem procura por novidades realmente interessantes.

E sempre é bom lembrar: nem tudo precisa ser levado ao pé da letra, e você, como consumidor, tem total liberdade para escolher o produto que quiser e for mais conveniente.