O americano médio supostamente tem mais confiança na Amazon do que em seu próprio governo, o que torna os relatos recentes sobre milhares de produtos potencialmente perigosos que chegam ao mercado online da empresa particularmente preocupantes.

Mais de 4.100 produtos disponíveis no site – desde capacetes de moto a brinquedos infantis – foram “declarados como perigosos pelas agências federais, rotulados de forma enganosa ou proibidos pelos órgãos reguladores federais”, de acordo com uma investigação do Wall Street Journal na semana passada. Na sexta-feira (30), a Wired também informou que várias das listagens de mais vendidos de amplificadores de sinal na Amazon não possuíam certificação federal, o que é algo importante para um dispositivo com potencial de afetar seriamente as torres de celular próximas. O Gizmodo entrou em contato com a Amazon e atualizará este artigo com a resposta da empresa.

Apenas para dar uma visão geral de quão sério é esse problema da Amazon, em um período de aproximadamente quatro meses, o Wall Street Journal descobriu:

  • 157 listagens de produtos que a Amazon disse anteriormente que foram banidos da plataforma
  • Mais de 100 listagens que afirmam falsamente ser “aprovados pela FDA [órgão norte-americano equivalente à Anvisa]”, sendo que alguns dos produtos em si (como brinquedos) não são aprovados pela agência para começar.
  • 80 colchões infantis com descrições assustadoramente semelhantes às que a Amazon proibiu após a FDA alertar que poderia causar asfixia
  • Mais de 2.000 brinquedos sem etiquetas de aviso apropriadas
  • 44 listagens de capacetes para motos que o Wall Street Journal descobriu posteriormente que não passaram nos testes de segurança federais em 2018

A Wired também encontrou vários amplificadores de sinal de celular sendo vendidos por US$ 100 a menos do que seus equivalentes certificados pela FCC (Federal Communications Commission). Alguns até exibiram um distintivo “Amazon’s Choice”, uma recomendação da empresa para “produtos com alta classificação e bom preço”, de acordo com o site da Amazon. A FCC implementou regulamentos em 2014 para minimizar a maneira como os amplificadores de sinal certificados interferem nas redes sem fio, mas os ilegais, como os vendidos na Amazon e em outros mercados online, ignoram todas as regras. Sem essas salvaguardas, esses modelos podem causar muitas quedas de ligações, interferência na rede móvel e algumas dores de cabeça graves para os provedores de rede.

A maioria das listagens da Amazon detalhadas nesses relatórios veio de muitos milhares de fornecedores terceirizados. Apesar de serem responsáveis ​​pela maior parte das vendas no site, esses tipos de vendedores têm sido um problema constante para a Amazon quando se trata de manter os produtos ilegais de baixa qualidade fora do mercado.

Os produtos falsificados estão espalhados pela plataforma há anos, desde cobertores com mangas descartáveis até cabos sem marca que podem fritar seus aparelhos eletrônicos. A Amazon deu um dos primeiros passos importantes para combater essa prática em 2016, quando anunciou planos de criar um registro internacional de marca para que apenas fornecedores com as permissões corretas pudessem vender seus produtos registrados no site.

Mas a Amazon ainda manteve o direito exclusivo de remover listagens supostamente falsificadas. Então, em 2019, a empresa lançou o “Project Zero”, um projeto destinado a permitir que marcas registradas identificassem e removessem esses itens falsificados com a ajuda de machine learning. No entanto, a Amazon ainda não explicou como planeja impedir essas empresas de abusar dessa autoridade ou empurrar a concorrência legítima para fora da disputa.

A gigante do comércio eletrônico parece ter tantos problemas com a regulamentação de listagens potencialmente prejudiciais quanto com essas falsificações. Depois que o Journal revelou os produtos problemáticos encontrados em sua investigação, a Amazon supostamente removeu ou reformulou 57% dessas listagens.

“Investimos recursos significativos para proteger nossos clientes e criamos programas robustos projetados para garantir que os produtos oferecidos para venda em nossa loja sejam seguros e compatíveis com os regulamentos”, escreveu a empresa em uma publicação em seu blog abordando a investigação na sexta-feira.

No entanto, dentro de duas semanas, os investigadores do Journal observaram que “pelo menos 130 itens com as mesmas violações de política reapareceram, alguns vendidos pelos mesmos fornecedores identificados anteriormente pelo Journal em diferentes listagens”, além de mais de 2.000 novas listagens de balões que não possuíam os avisos adequados de perigo de asfixia.

Portanto, embora a Amazon definitivamente pareça estar mais alerta para esses produtos potencialmente perigosos devido à recente cobertura da imprensa, ela parece estar no mesmo jogo de “whack-a-mole” que a empresa brinca ao tentar bloquear os produtos falsificados.