A BlackBerry está “aberta a alternativas estratégicas”, o que significa que o BB10 não atingiu ainda as expectativas da empresa e uma venda não está descartada. O empreendedor Robin Chanstein nunca gostou muito da ideia do BB10 e tentou no ano passado um “golpe de estado” para controlar antiga RIM e concentrar os esforços em uma versão modificada do Android com foco no mundo corporativo.

Ao saber da intenção da BlackBerry de procurar um possível comprador, Chan publicou pelo Facebook os planos que ele desenvolveu durante o meio do ano passado para transformar completamente a empresa (que na época ainda se chamava RIM). Esses planos, chamados Project BBX,  foram desenvolvidos entre junho e agosto de 2012. Na época, Thorsten Heins insistia que a empresa não enfrentava problemas e o BB10, que havia sido adiado para 2013, ainda era uma incógnita. Chan queria abandonar completamente o desenvolvimento do sistema operacional e focar a RIM no que ela fez de melhor na sua história: oferecer dispositivos excelentes para o mercado corporativo com a marca BlackBerry e um Android “mais seguro”.

O empresário detalhou seus planos ao The Verge, e conseguimos ter uma boa ideia do que seria a RIM idealizada por Chan. Ele pensava em uma “equipe dos sonhos” de designers e engenheiros – cujos nomes não foram revelados – focados em poucos produtos. Esse grupo chegou a incentivar os diretores da empresa a considerarem uma venda. E Chan entraria com uma proposta de US$ 6 bilhões para controlar a RIM – “estávamos planejando um golpe de estado”, como ele mesmo reconhece. Mas não deu certo: o grupo só conseguiu levantar US$ 1 bilhão e acabou abandonando o projeto.

Mas Chan não compraria a empresa sem ter nenhum projeto concreto. Ele tinha uma ideia bem definida do que gostaria que fosse o futuro da RIM: se apoiar na força da marca BlackBerry no mundo corporativo para voltar a ser onipresente nos corredores das grandes empresas. Ele deixaria o BB10 de lado e modificaria o Android: a RIM ficaria fora da guerra dos sistemas operacionais e desenvolveria um Android mais seguro e voltado para empresas, e as redes seguras da empresa seriam abertas para o iOS e Android.

A RIM dos sonhos de Chan ainda desenvolveria hardware: ele planejava um smartphone com uma touchscreen enorme e outro com um teclado físico (não muito diferente do que a BlackBerry de Heins fez com o Z10 e o Q10), além de um projeto de tablet de 7 polegadas.

blackberrychan

O Project BBX de Chan não foi para frente, e a RIM se tornou a BlackBerry de hoje: uma empresa que segue com dificuldade para se reerguer em um mercado cada vez mais dominado por Android e iOS, sendo ultrapassada pelo Windows Phone e agora enfim considerando a venda para outra empresa. O BB10 é um ótimo sistema: ele tem ideias bem interessantes que poderiam ser muito bem implementadas em outras plataformas. Mas chegou tarde demais, e não consegue convencer muita gente de que é uma alternativa melhor aos outros OSs do mercado. [Facebook, The Verge]