Alergias e outras doenças autoimunes são causadas por problemas em nosso sistema de defesa, que não nos protegem como deveriam. Embora algumas condições causem apenas um certo desconforto, outras são extremamente graves, colocando a própria vida da pessoa em risco. Para solucionar isso, um grupo de pesquisadores da Universidade Nacional da Austrália realizou experimentos com camundongos e células de amígdalas humanas.

Os resultados, publicados na revista científica Cell, indicam que uma proteína chamada “neuritina”, produzida pelas células do sistema imunológico, é capaz de atuar como uma espécie de antialérgico. Para chegar a essa conclusão, os cientistas dedicaram cinco anos de estudo para entender como as células T reguladoras do nosso sistema imune suprimem os anticorpos que liberam as histaminas em resposta a alergias.

A equipe descobriu que um tipo específico de células, chamado Tfr, produz a neuritina. Essa proteína, por sua vez, é capaz de reduzir a produção de imunoglobulinas E (IgE) e suprimir outros processos que inibiriam a ação do nosso sistema imunológico.

Essa análise foi feita a partir do que os pesquisadores conseguiram observar nos experimentos com camundongos. Os roedores foram geneticamente modificados para apresentarem uma deficiência de Tfr. Assim, eles não eram capazes de produzir a neuritina e tinham uma maior chance de morrer por anafilaxia (uma reação alérgica aguda). Porém, quando os cientistas injetaram neuritina nessa população, eles se mostraram saudáveis.

Para entender como a proteína agiria no corpo humano, a equipe analisou leucócitos do sangue e de amígdalas humanas na presença da neuritina. Assim, eles conseguiram obter algumas informações sobre como ela pode atuar internamente em nosso sistema e, futuramente, ajudar no tratamento de alergias e doenças autoimunes.

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Apesar dos resultados promissores, os cientistas ressaltam que ainda é preciso entender melhor esses mecanismos imunológicos assim como os efeitos da neuritina em outros processos celulares. A proteína já vem sendo estudada no sistema nervoso humano, mas ainda não há evidências científicas suficientes sobre como ela age nas células.

Ainda assim, a equipe se mantém otimista e afirma que estudos futuros podem ajudar no desenvolvimento de tratamentos que utilizam uma proteína natural, produzida pelo nosso próprio corpo. Isso seria especialmente útil para tratar doenças como alergias a alimentos, asma e lúpus.

[Science Alert]