A Qualcomm revelou na última quarta-feira (1º) que levará para casa um pagamento à vista de US$ 4,5 bilhões a US$ 4,7 bilhões pelo acordo firmado com a Apple. O dinheiro deve entrar no caixa da empresa durante o próximo trimestre fiscal.

No mês passado, Qualcomm e Apple encerraram uma enorme e longa disputa de patentes e processo antitruste.

Tudo começou quando a Apple processou a Qualcomm por suposta prática injusta de licenciamento de patentes e exigiu US$ 1 bilhão em reparação. A fabricante de semicondutores e equipamentos de telecomunicações abriu uma contra-ação exigindo US$ 7 bilhões.

A Qualcomm parece ser a vencedora desse imbróglio. Eles obtiveram um licenciamento de tecnologias por seis anos, um acordo de fornecimento e o pagamento único entre US$ 4,5 bilhões a US$ 4,7 bilhões. Durante a batalha, a companhia teve um revés e precisou parar de fornecer chips para uma linha de iPhone.

O pagamento multibilionário é bem importante para a Qualcomm: a empresa estimou em seu último balancete que espera obter um total de US$ 4,7 bilhões a US$ 5,5 bilhões em receita regular, antes deste pagamento ser computado, durante o próximo trimestre.

No entanto, a empresa disse que a batalha legal não representa uma mudança de paradigma imediata, mesmo que o acordo a posicione como a única fornecedora de modem 5G da Apple, jogando a Intel para escanteio nesse mercado.

O New York Times observou que as previsões para terceiro trimestre fiscal de 2019 da Qualcomm, que ficaram ligeiramente inferiores às expectativas dos analistas, “sugeriram que as taxas de licenciamento que a Apple pagará não aumentarão substancialmente a receita, à medida que a fabricante dos iPhones irá colocar em dia os royalties que não pagou enquanto as duas empresas estavam em disputa”.

De acordo com o Wall Street Journal, a Qualcomm está projetando uma trégua até que a implantação da 5G atinja um ritmo constante:

A Qualcomm estimou que venderia entre 150 milhões e 170 milhões [de SoCs para celulares] no terceiro trimestre fiscal, uma redução de até 25% em relação ao mesmo período do ano passado. Os analistas esperavam quase 180 milhões de remessas de chips para o período, de acordo com uma pesquisa da FactSet.

Durante a conferência com analistas, executivos da Qualcomm culparam a perspectiva pessimista com a economia na China e o lançamento mais lento do que o esperado da tecnologia 5G. Eles disseram, no entanto, que a introdução de redes 5G passou a avançar rapidamente após uma pausa, o que impulsionaria os negócios gerais da Qualcomm no futuro.

O WSJ acrescentou que a resolução da batalha Apple-Qualcomm significa que a companhia correrá menos riscos com seu modelo de negócios “combinando um braço que produz e vende chips avançados para telefones celulares com um que ganha dinheiro vendendo acesso à sua propriedade intelectual”.

No entanto, ainda há uma ação judicial em andamento na Comissão Federal de Comércio dos EUA por acusações de monopólio – a empresa se recusa a fornecer chips a clientes que não possuem licenças de patentes.

[New York Times/Wall Street Journal]