Um foguete chinês fora de controle está programado para reentrar na atmosfera da Terra neste fim de semana, mas ninguém sabe exatamente quando ou onde os destroços irão pousar. Aqui estão os motivos de ainda não sabermos e, mais importante, quando poderemos descobrir.

Durante a era Apollo, o tempo de reentrada atmosférica dos módulos de comando que chegavam podia ser previsto em segundos. Mas ainda é uma questão em aberto quando o estágio central do foguete 5b da Longa Marcha da China — atualmente viajando na órbita terrestre baixa — realizará sua reentrada. Sem saber o tempo de reentrada, é impossível prever uma possível zona de impacto.

Até o momento desta publicação, a Aerospace Corporation estima que o corpo do foguete CZ-5B cairá em direção à Terra às 00h30 (horário de Brasília) de domingo, 9 de maio, com uma margem de erro de quatro horas, enquanto o SpaceTrack.org calcula que deve acontecer cerca de 30 minutos antes, com uma margem de erro de três horas.

O foguete de carga pesada foi lançado em 29 de abril, mas seu estágio central de 30 metros de altura, em vez de cair para um local predeterminado na Terra, entrou em órbita, preparando o cenário para uma reentrada atmosférica descontrolada.

Quanto a onde os destroços irão parar, isso é ainda mais incerto. A área geográfica potencial é enorme, incluindo a maior parte da América do Norte e do Sul, África, Austrália, Oriente Médio e todo o sul da Eurásia, além dos oceanos Atlântico e Pacífico. Um tuíte ligeiramente desatualizado da Aerospace Corporation, visto abaixo, mostra a possível extensão geográfica (a área horizontal contendo todas as linhas irregulares) para a queda dos destroços.

Então, por que fomos capazes de prever a chegada das cápsulas Apollo com tanta precisão, mas não este estágio central?

“O que aconteceu com a espaçonave Apollo é que eles vieram verticalmente da Lua, então sabíamos a órbita exata”, Jonathan McDowell, astrofísico do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, me explicou por telefone. “Mas este foguete está se movendo tangentemente à atmosfera — seu corpo está surfando horizontalmente na atmosfera externa e constantemente passando por ela conforme o foguete desce em sua direção.”

Como resultado, é difícil prever quando o foguete vai aquecer a ponto de a estrutura começar a derreter e cair na Terra, disse ele. Isso vai depender dos vários materiais que compõem o foguete, de sua forma particular de tombar e da mudança de densidade da alta atmosfera, que varia a cada dia devido ao clima espacial e à atividade solar, de acordo com McDowell.

Tradução: Nós fizemos os cálculos hoje em relação ao Long March. As chances desse foguete cair perto de você são realmente pequenas. Nós descobrimos que há uma chance de 1 em 196,9 milhões (ou 0.000000005%) de ele cair dentro de 800 metros de qualquer local na Terra. Por favor, mantenham a calma.

Os especialistas aqui na Terra estão fazendo o possível para rastrear o objeto, observando sua altitude, velocidade e outros fatores, enquanto atualizam continuamente os modelos. Quanto mais perto chegarmos da data de reentrada real, mais precisas as previsões se tornarão. É como “tentar prever o clima da próxima semana em vez de amanhã”, disse McDowell, pois há “menos extrapolação envolvida”. Ele espera que a margem de erro diminua continuamente nas próximas horas. Eventualmente, chegaremos ao ponto em que saberemos exatamente quando ele cairá do céu.

Infelizmente, prever um local de pouso potencial é quase impossível antes disso, porque “um erro de uma hora no tempo de reentrada é um erro de 29 mil km no local”, como McDowell explicou anteriormente.

Ele prevê dois resultados possíveis para quando descobrirmos onde essa coisa vai cair.

“Uma possibilidade é que ele caia no meio do Oceano Pacífico, porque essa é a maior parte da Terra”, disse ele. A Força Espacial dos Estados Unidos saberá imediatamente quando ele voltar a entrar na atmosfera graças aos telescópios infravermelhos, que verão a explosão do foguete se desfazendo. A Força Espacial saberá o “minuto exato” e a “localização exata” do ponto em que ele entrou na atmosfera, disse McDowell, mas os militares não vão contar ao resto de nós imediatamente porque esses dados são “meio que sigilosos”.

A Força Espacial irá “passar por vários níveis de burocracia até que apareça em um site rastreador espacial, e teremos que fingir que não sabemos que esses dados vieram de satélites de alerta antecipadamente”, disse McDowell. Em sua experiência, as assinaturas, aprovação e permissão necessárias para disponibilizar essas informações na web levam cerca de três horas.

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Um conjunto semelhante de eventos poderia ocorrer se o foguete se espatifasse sobre um pedaço de terra desabitada, com o local do impacto sendo revelado cerca de três horas após o evento. Mas ele prevê um final muito diferente se a colisão ocorrer em uma área povoada.

“Então saberemos em cerca de 10 minutos, já que o Twitter das pessoas irá bombar”, disse ele.