Menos de 24 horas após a confirmação do terceiro caso de coronavírus (COVID-19) no Brasil, o Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (5) o quarto caso no país.

O caso mais recente trata-se de uma adolescente de 13 anos que não apresenta sintomas – por esse motivo, ela não havia sido classificada como portadora da doença, mesmo com a contraprova do Instituto Adolfo Lutz atestando positivo. No entanto, o Ministério acabou voltando atrás e considerou este o quarto caso confirmado após uma reunião de especialistas em Brasília.

A paciente havia viajado para Portugal e Itália quando teve uma lesão no ligamento durante a viagem. Após ser medicada em um hospital italiano, ela retornou ao Brasil no último domingo (1º) e foi atendida no dia 3 de março no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Apesar de não apresentar sintomas, os médicos coletaram amostras para realizar um teste para coronavírus, sendo posteriormente encaminhado ao Laboratório Fleury, onde o exame deu positivo.

A decisão do Ministério da Saúde em classificar o caso como confirmado foi tomada com base em quatro elementos: resultado do exame, local provável de infecção (no caso, Itália), possibilidade de uma medicação ter mascarado os sintomas e possibilidade de os sintomas ainda se manifestarem nos próximos dias.

Diante do quadro assintomático da adolescente, o Ministério da Saúde informou que estão sendo realizados outros exames para identificar a carga viral da paciente e potencial de transmissão, além da possibilidade de os sintomas terem sido mascarados pelo uso de medicamentos após a lesão sofrida durante a viagem.

Os dados divulgados pelo Ministério da Saúde na manhã desta quinta-feira (5) permanecem os mesmos de ontem à tarde: 531 casos suspeitos e 315 descartados. No entanto, os números podem mudar com atualização durante a tarde.

Em nota ao G1, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que todos os testes positivos para o COVID-19, mesmo que assintomáticos, devem ser classificados como confirmados.

A China, no entanto, tem adotado uma metodologia diferente. Em declaração à revista Nature, o epidemiologista chefe do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças de Pequim, Wu Zunyou, disse que os casos positivos são isolados por 14 dias e monitorados pelas autoridades de saúde. Somente no caso de esses pacientes desenvolverem sintomas nesse período é que eles são classificados como casos confirmados.

[G1]