Novamente um grupo “hacker” ganha destaque e diversas manchetes por uma série de “ataques”: dessa vez, a filial brasileira do Anonymous, que supostamente está fazendo uma série de ataques às instituições financeiras para “alertar o povo brasileiro”. Mas quem são esses cidadãos por trás das máscaras de Guy Fawkes? Duas coisas nós sabemos: eles gostam bastante dos holofotes e são bem diferentes da equipe americana do Anonymous.

Em três dias, Itaú, Banco do Brasil e Bradesco foram alvos de um ataque maciço — provavelmente DDoS e LOIC — o que os deixou fora do ar por algumas horas — ou alguns minutos, segundo os bancos. Por causa do ocorrido, batizado de #OpWeeksPayment, telejornais, jornais impressos e portais destacam a todo instante histórias sobre os ataques. A Época Negócios, por exemplo, publicou um vídeo com respostas do grupo — com sotaque do interior paulista, o áudio sobreposto em um vídeo genérico de homem-com-máscara-de-Guy-Fawkes conta que o plano está sendo arquitetado desde o ano passado, que sete pessoas estão envolvidas, entre 20 e 35 anos, a maioria trabalhando no setor de TI…

A exposição excessiva na mídia segue caminho oposto da versão internacional do Anonymous. No Twitter da equipe brasileira, o clima é de pura descontração. TANGO DOWN para um lado, barco afundado do outro, eles gostam de tirar um sarro da área de TI de seus alvos. Publicam toda notícia redigida sobre eles, avisam sobre entrevistas que darão ao SBT, à Band e demais veículos. Na mesma rede, a versão internacional parece mais sóbria — digamos assim, mais adulta — com posts curtos e espaçados, passando mensagens rápidas.

Enquanto isso, uma suposta equipe original do Anonymous brasileiro diz que o ataque aos bancos está sendo feito por grupos contrários ao Anonymous, que querem sujar o nome da instituição ao remover do ar sites importantes para as pessoas comuns — e que pouco incomodam os “que causam a corrupção” (e, realmente, os Anonymous derrubadores de bancos estão usando um e-mail do AntiSec, outro grupo “hackerativista”, para contato). Enquanto buscamos e encontramos informações em todos os cantos sobre a nova empreitada dos hacker-ativistas, de uma coisa sabemos: se pedíamos para os hackers serem “um pouco mais jornalistas“, pelo menos um media training eles fizeram.