A partir de outubro a Amazônia irá ganhar um novo vigia do desmatamento: o radar orbital Amazônia SAR. Anunciado na segunda-feira (20) pelo Ministério da Defesa, o radar irá monitorar cerca de 950.00 km² da região amazônica, auxiliando no combate ao desmatamento e a outros atos ilegais, como o tráfico e o garimpo não autorizado. O projeto é fruto de um investimento de R$ 80,5 milhões e é o primeiro do tipo a monitorar a Amazônia.

Atualmente, o governo conta com aviões para fazer este tipo de monitoramento, mas o alcance é limitado ao tamanho da área monitorada, existem impedimentos causados por condições climáticas e o custo da operação dos aviões é alto: de R$ 5 a R$ 8 milhões.

Desta forma, de outubro a abril de 2016, o Amazônia SAR (do inglês, Synthetic Aperture Radar, ou radar de abertura sintética) capturará mensalmente imagens com resolução de 18 a 22 metros (!), o que possibilitará a identificação de infratores. E nem mesmo nuvens irão impedir o funcionamento dele, já que o radar pode ver através delas: as imagens são criadas por sucessivos pulsos de ondas de rádio do local a ser fotografado. O radar recebe o eco de cada pulso e os transforma em imagens.

As imagens do radar orbital serão inicialmente analisadas pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e então repassadas ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que se responsabilizará pelas fiscalizações. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) também receberá as imagens para compor dados sobre desmatamento da região.

Cerca de 17% da Amazônia será monitorada — uma área maior que os estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina juntos — diariamente. Com o sistema atual, apenas 280.000 km² são monitorados a cada 15 dias, segundo informações da EBC. A nova tecnologia é a mais apropriada para as vigilâncias pois permite a observação da terra mesmo sob condições climáticas adversas, uma vez que o SAR consegue ver através das nuvens. “A área que será monitorada mensalmente compreende o Arco do Desmatamento e corresponde a sete vezes o tamanho do estado do Amapá”, explica Rogério Guedes, diretor-geral do Censipam ao Ministério da Defesa.

O investimento total do projeto chega a R$ 80,5 milhões, vindos do Fundo Amazônia (R$ 63,9 milhões) e do Orçamento da União (R$ 16,6 milhões). O valor irá contratar o uso de um radar orbital de fornecedores internacionais e a Censipam irá comprar as imagens do radar. O Censipam planeja construir uma antena em território militar de Brasília para receber essas imagens, o que possibilitará puxar o sinal do satélite e baixar as imagens em tempo real. A previsão é que em 4 anos o Censipam assuma o custo do sinal e manutenção do satélite.

Os benefícios do radar orbital são mais do que bem vindos, uma vez que, segundo informações do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), em novembro de 2014, 195 km² da Amazônia Legal (a área que engloba 9 estados pertencentes a área de vegetações amazônica) foram desmatados.

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[Ministério da Defesa, EBC]

Foto de capa: Ana_Cotta/Flickr