Um laptop para jogos que é um tablet. É uma experiência que levanta muitas questões: é possível? Isso pode ser bom? Alguém gostaria de ter um desses se existisse? E finalmente: quando custaria? As respostas do Razer Edge são basicamente: “Sim!”, “Um pouco.”, “Talvez?”, e “Bem, é melhor você se ouvir isso sentado.”

Aviso: Use o Gizmodoscope para girar o aparelho na imagem de destaque e ver todos seus detalhes!

O que é

Um tablet com Windows 8 com entranhas de um PC para jogos. Isso significa que tem uma placa gráfica e um Core i7, SSD de 256 SSD e 8GB de RAM. Ele também tem um console opcional que transforma o Edge em um “portátil” de 10.1 polegadas.

Design

O Edge em si é um grosso tablet de 10,1 polegadas preto construído com alumínio e plástico. É mais confortável segurá-lo do que parece, considerando o quão diferente ele é de tablets tradicionais, graças ao seu acabamento fosco e a curva em torno da borda traseira. Mas ele ainda é pesado. O gamepad sozinho pesa em torno de 900 gramas (com o tablet, você chega a quase 1,8kg) e é feito de alumínio preto anodizado. Duas grandes barras com controle parecido com o do Xbox deixam o tablet em modo paisagem.

Usando

A primeira coisa que você vai perceber ao abrir o Edge é que ele não vem com teclado, mouse ou qualquer dispositivo para controle. Na verdade, o acessório para transformá-lo em um laptop só chegará no segundo semestre. Isso significa uma coisa: o modo com teclado é importante, e existirá, mas não é como a Razer imagina que você usará o Edge. O gamepad é a estrela aqui.

É uma pena, já que o melhor uso do Edge deveria ser como um computador com capacidades de um canivete suíço. Esta máquina focada em jogos na verdade é um dos melhores híbridos para um monte de usuários profissionais. Ele é um Surface Pro Pro.

Mas o Edge não é o Surface. Sim, é uma tablet que também pode rodar como um PC com Windows 8. E a comparação entre eles fica aí. O Surface tenta ser de tudo, um tablet e um laptop. O Edge é simplesmente um dispositivo especializado em jogos com alguns outros modos de uso.

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Gamepad

A sua primeira impressão: Rapaz, ele é pesado e grande. E depois: Mas… cara isso é tão legal. E então ele fica pesado de novo e você procura alguma coisa para apoiá-lo.

O gamepad funciona com a tecnologia XInput, o que significa que qualquer jogo otimizado para funcionar com o controle do Xbox rodará da mesma forma com o gamepad do Edge. E funciona mesmo! Mas, como um controle de Xbox, ele não é o melhor. O stick parece um pouco solto, especialmente considerando o quão duramente você provavelmente vai segurar o tablet pesado, e as teclas star e select ficam sob as palmas das mãos, então você tem que mudar de posição para pressioná-las. E também, um tablet com quase 2 kg funciona diferentemente de um controle de Xbox, um videogame portátil ou até mesmo o controle do Wii U. Principalmente por ser pesado. Quando você segura-o próximo ao seu rosto, a gravidade do dispositivo puxando-o para uma posição confortável nas suas mãos geralmente faz a tela ficar difícil de se enxergar. Isso dá uma sensação de que a forma mais confortável de segurá-lo é na altura da sua testa, a 15 centímetros do rosto. Você não vai querer usá-lo sem o joelho, a barriga ou alguma coisa para apoiá-lo ou apoiar seu cotovelo. O que de várias formas acaba com a proposta de um tablet.

A bateria não é das melhores, mas você já esperava por isso. Conseguimos entre duas e três horas com brilho no máximo rodando jogos atuais como BioShock Infinite, Skyrim e Dishonored. Não é tão terrível considerando tudo – e há uma extensão de bateria de US$ 70 que não tivemos a chance de testar – mas é decepcionante para um dispositivo que se considera móvel.

Mas olhe o que você está segurando nas suas mãos. Uma forma real, coerente e portátil de jogar jogos da forma como eles devem ser jogados (não, usar o trackpad para jogar Diablo em um laptop no avião não conta). Dez anos atrás isso era apenas um sonho de cientista maluco para a Sony. Existem portáteis mais práticos, como o PSP e o PSP Vita, mas nenhum deles com jogos tão atuais como no Edge. Ele roda BioShock Infinite no máximo na sua tela, Skyrim roda sem falhas, Witcher 2 gaguejou um pouco, mas rodou até que vem com algumas lentidões na configuração alta, e era bem aceitável no médio.

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Dito isso, as suas entranhas não conseguem acompanhar o aumento da resolução quando você roda os jogos fora da tela do Edge. BioShock Infinite, por exemplo, rodou bem na configuração máxima na sua tela nativa (abaixo de 60fps, mas se segurando bem em 30), mas teve uma queda para 10 ao rodar em uma TV 1080p. Diminuir as configurações para “alta” trouxeram de volta a velocidade, o que é mais ou menos bom. Essa limitação mostra o motivo da resolução da tela ser relativamente baixa.

Sobre isso: a tela não é ótima. Nem perto disso. É um painel com resolução 1366×768 que é boa, mais ou menos, mas tem muito amarelo na configuração padrão. Ao mesmo tempo, é grande para um portátil com controles de Xbox. É como uma versão extrema de como a tela maior do 3DS XL parece perto da experiência do 3DS original. Segurando como você faria em um portátil tradicional, a tela de 10,1 polegadas pega o tanto da sua visão que uma TV de 46 polegadas pegaria a 3 metros de distância.

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Conectado à TV

Bem, é um dos mais elegantes consoles que você terá. E provavelmente o mais caro de todos. A funcionalidade “Steam box” significa o que você espera. Você poderá jogar todos os mesmos jogos que pode usando o gamepad. Isso significa, mais ou menos, que você tem uma versão gigante e carissima do pareamento PS3/PS Vita. O que é bem legal.

Para usar o Edge como um console, você precisará do Console Dock de US$ 100, que carrega o tablet, tem porta HDMI e adiciona três portas USB para controles. O pareamento é basicamente uma segunda tela no Windows 8, e você pode escolher entre espelhar a tela do tablet na TV ou apenas usar a TV. O design do dock, no entanto, é um pouco fora do seu propósito. Seu trabalho é transformar o Edge em um Xbox intelectual, basicamente. Mas as suas portas USB estão na parte traseira, o que torna difícil a tarefa de plugar os controles. E um tablet de pé em um dock torna-o difícil para encaixá-lo em uma central de mídia – mais difícil até do que o Wii ofirinal. Eu coloquei-o no chão em frente à TV. Mas não é uma solução permanente.

Ele funciona muito bem, mas como o resto dos modos sem o gamepad, é algo que você pode fazer com outros produtos mais baratos. Não há nada que impeça-o de ligar qualquer computador que rode bem alguns jogos na sua TV, ou usar seu laptop atual para isso. O benefício aqui – e é um grande benefício – é que é um aparelho tudo-em-um. Isso é bom, mas com a sincronização na nuvem do Steam e a sincronização na nuvem em geral, você não sente tanto os benefícios como sentia antigamente com dispositivos dedicados a jogos.

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Modo tablet

O Edge não brilha como um tablet. Quando está isolado, suas deficiências tornam-se claras. Sua tela é ok, mas embaraçosa perto do Surface Pro, iPad ou Nexus. Sim, os gráficos são muito, muito melhores, mas o fato é que a maioria dos jogos para PC não foram feitos pensando em touch então tentar usar é um erro.

Mesmo jogos otimizados como Civilization V não são sucessos categóricos. Diferentemente do Surface Pro, o Razer Edge não tem uma capa para proteger sua mão do calor do dispositivo. E a traseira de plástico esquenta. Claro que esquenta. É uma máquina para jogos. Mas é a primeira que, você sabe, segura em suas mãos.

Mesmo outros jogos que possuem versão com touch em outros dispositivos, como The Walking Dead no iOS, não estão com a funcionalidade disponível no Steam. Isso pode deixá-lo com o sentimento de que tem uma versão piorada do jogo no tablet que pode devorar uma família inteira de iPads.

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Computador/Laptop tradicional

Bem, o case de laptop ainda não foi lançado, então esqueça isso por enquanto. Pela experiência de usar um laptop tradicional de 11,6 polegadas diariamente, e também depois de passar umas semanas usando o Surface Pro como um computador, a tela de 10,1 polegadas não parece boa para uma experiência confortável.

Mas com uma segunda tela, um mouse/trackpad e um teclado completo? Maravilhoso! Usando o console dock, que também pode ser um dock para monitor externo, você tem uma segunda tela para o Metro, e uma boa configuração para trabalhos profissionais. O Razer não rodou bem o nosso tradicional teste de renderização do Premiere Pro (quase o equivalente à placa gráfica integrada do Macbook Pro 13 Retina, e quase duas vezes mais lendo do que o Quad Core Retina 15 MBP), mas no geral, foi ótimo usá-lo diariamente. Você sabe, considerando que você tem um mouse e teclado pronto para isso.

Gostamos

O Edge é o melhor que existe em um híbrido de PC e console. Eu joguei BioShock Infinite no trem para o trabalho. Eu chequei meu e-mail, pluguei na TV, em seguida peguei o tablet, coloquei ele e seu case na minha mala, e joguei de pé, em um passeio para o centro. Essa é uma nova maneira de usar um dispositivo.

Não gostamos

A lista é considerável: a bateria era ruim como podíamos imaginar (menos de três horas de jogos no brilho máximo), e a tela deixa muito a desejar. O tablet em si parece sólido, mas não chega perto do Surface Pro, e fica bem para trás do iPad e do Nexus 0, em conforto e qualidade de tela. O peso com o gamepad não é exatamente ruim, mas, de certa forma, muito mais pesado do que você está acostumado a carregar nas mãos, e frequentemente desconfortável dependendo da posição que está tentando segurá-lo.

Mas assim como o Blade, isso realmente não importa tanto perto de preço e praticidade. Começando em US$ 1000 e subindo até US$ 1500, mais acessórios, o Edge é um grande investimento. Como um ótimo Ultrabook-e-um-PS4 combinados. O Edge Pro mais potente (US$ 1450) mais o gamepad (US$ 250), o dock de console (US$ 100) custa US$ 1800, e isso sem o teclado opcional e a extensão da bateria. O modelo básico com os acessórios custa US$ 1350. Maluquice.

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Notas

  • Os speakers são ALTOS. De incomodar meu colega de apartamento a algumas portas de distância com as portas fechadas. O gamepad ainda torna-os mais altos, ao refletir o som, mas você nunca precisará colocá-lo acima de 75%.
  • A sensibilidade da tela mostrou algumas falhas. Ações geralmente funcionaram bem, mas acessar os charms, e outros gestos ativados dos lados ou topo da tela eram muito menos confiáveis do que em outros laptops high-end com Windows 8.
  • Os dois botões no topo do tablet para travar a rotação da tela e a mostrar o teclado virtual foram surpreendentemente úteis, considerando a forma como você usa o Edge.

Trocar da TV para a tela nativa no meio de um jogo requer que você mude a resolução antes de remover o tablet do dock, a não ser que você queira ficar preso em uma imagem 1080p mostrada em uma tela 1366×768, frequentemente sem um jeito de acessar os controles para mudar novamente.

Vale a pena comprá-lo?

É claro que não! O preço já assusta antes de muita gente olhar o que mais ele oferece. Sim, juntar todos os dispositivos é o futuro, e o Edge faz isso de forma elegante. Mas está longe de ser perfeito, e é premium demais para pagar por menos do que a perfeição.

Dito isto, se você tem dinheiro para torrar, temos um bom argumento para o Edge como um all-in-one bem capaz. Você pode usá-lo basicamente como qualquer tipo de dispositivo que quiser, de forma como nenhum outro consegue. E o modo portátil é realmente uma forma única de jogar. É apenas questão de quanto a flexibilidade custa para você.

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Razer Edge Pro testado:

Tela: 10.1 polegadas 1366×768 IPS
Processador: Core i7 1.9GHz Dual Core
Gráficos: NVIDIA GT 640M LE (2GB DDR3, Optimus Technology)
Memória: 8GM RAM
Armazenamento: 256GB SSD
Dimensões: 278.5 mm x 178.85 mm x 19.5 mm
Peso: 950g
Peso com o gamepad: mais de 1,8kg
Preço: US$ 1450