Gamers têm evitado mice (o plural de ‘mouse’ é ‘mice’, não ‘mouses’) wireless como garotas evitam piolho, temendo a impiedosa face da morte e de teabagging induzidos por milissegundos de lag. O Mamba da Razer e o Microsoft SideWinder X8 prometem total liberdade wireless, mas sem teabagging.

Razer Mamba

O Mamba é claramente o produto mais cuidadosamente projetado da Razer até hoje. Até mesmo pra embalagem quebraram a cabeça: o mouse é suspenso no ar sobre um pedestal dentro de um cubo de acrílico, que possui um sistema de estante embutido para comportar partes como a bateria, cabo de energia e base de carregamento.

Mas o design é apenas parte do porquê de você pagar 130 dólares por ele – é pra você se sentir bem gastando esta quantidade de grana. Você está pagando tanto assim porque a Razer diz que é o primeiro mouse wireless que é de fato voltado pra jogo, com uma latência de apenas 1ms – o dobro da velocidade de outros mice wireless, e a mesma polling rate de 1000Hz que os mice com fio deles mesmo. Em outras palavras, eles estão prometendo zero lag enquanto elevam a guerra de DPI de mouse de jogo ao desnecessário e ridículo nível novo de 5600 DPI.

Ele utiliza 2,4GHz para o wireless, assim como o SideWinder X8 da Microsoft e o agora velho G7 da Logitech (e todo outro dispositivo wireless), mas supostamente o Mamba detecta e evita canais com ruído para não ter interferência. Quanto a isto, ele funciona mesmo: pelo menos quando você tem uma máquina suficientemente potente. Depois de usar em dois fins de semana de Team Fortress 2 e Left 4 Dead, eu realmente não notei qualquer diferença de resposta entre ele e meu mouse com fio. Ele é perfeitamente sem lag e incrivelmente responsivo. O despertar também é surpreendentemente rápido, ou pelo menos era com o firmware 1.02 – parece um pouco mais lento com a atualização 1.03, que é voltada para melhorar o tempo de duração da bateria. Eu também não notei nenhuma interferência, apesar de usá-lo bem perto do meu roteador dual-band e do X8.

Onde tem ainda algumas arestas pra aparar é no front da bateria e do software. A Razer diz que ele dura 72 horas de “uso normal de jogo” e 14 horas de jogo consecutivo. Eu não tive exatamente os colhões de jogar 14 horas direto, mas com o firmware 1.02 da Razer, eu não consegui jogar mais de 48 horas do que eu chamaria de uso normal da duração da bateria, daí ele despenca para a última barra de energia e não funciona nada bem. Desde então eles liberaram o firmware 1.03, que supostamente melhora o tempo de duração da bateria. A instalação da atualização no Vista 64 bits é mais ou menos uma ciência arcana (Atualização: a Razer quis que eu deixasse claro que o processo é apenas um instalador simples no XP e no Vista 32 e que os novos mice já viriam com 1.03 nele). Você precisa fazer boot dentro de um modo no qual ele aceite drivers que não sejam assinados digitalmente e daí o processo de atualização em si requer um segundo mouse. O software configurador, apesar de oferecer um conjunto completo de opções, não é tão responsivo quanto eu gostaria – leva um tempinho para ler as configurações do mouse (que ficam armazenadas onboard) e ainda mais tempo para alterá-las.

Quando a sua bateria de fato fica fraca, você pode plugar o cabo USB no mouse e jogar enquanto ele carregar, transformando o aparelho essencialmente em um mouse com fio com a mesma latência de 1ms. É fácil remover o cabo do cubo carregador/receiver wireless, mas por algum motivo ele tende a emperrar na hora de plugar no mouse, que foi o meu maior problema com o design modular bastante inteligente (fora isso).

Ergonomicamente, é um dos melhores mice por aí. Ele é essencialmente uma versão mais leve do DeathAdder da Razer. No entanto, com a adição de um entalhe para o seu mindinho, o que levou um tempo para eu me acostumar. Meu único problema com a colocação do botão é que os botões de seleção de DPI não são suficientemente distintos, então se você está tentando rapidamente diminuir a DPI para arrancar a cabeça de alguém com uma sniper, é capaz de você aumentá-la e dar um pipoco no pé do cara. A textura é um uso legal de borracha – não é nem muito pegajosa nem muito borrachuda, assim sua mão não fica com aquela sensação estranha e nojenta quando fica suada, mas dá um bom agarre nele.

Formato e textura dão uma sensação fantástica
Design inteligente dos botões ao longo do aparelho
Tempo de resposta é perfeito
Tempo de duração da bateria não é tão bom
Processo de atualização de firmware é um martírio no Vista 64, pelo menos por ora
130 dólares é meio caro!

SideWinder X8

O design aparentemente ainda arremetendo à divisão de teclado e mouse da Empire, o terceiro mouse SideWinder da Microsoft corta o cabo e melhora em diversos pequenos aspectos de forma que, combinados, fazem deste o melhor SideWinder já lançado.

Como suspeitei assim que o vi, ergonomicamente ele é finalmente projetado para humanos. A espinha aguçada foi amaciada para uma protuberância bem mais agradável, apesar de ele reter a mesma vergonha geral dos últimos dois (ele é enorme!). Assim, ele não é tão esbelto quanto o Mamba, mas eles finalmente acertaram na maneira como ele deve fazer sentir na sua mão. Os botões verticais nada ortodoxos de dedão foram remodelados para declives ergonômicos que formam um entalhe para o seu dedão. Desta maneira, após o período inicial de ajuste, este toque finalmente funciona. A scroll wheel metálica não é super fantástica de se usar muito, mas os botões avulsos de DPI têm um bom posicionamento no centro, mas precisariam ser maiores – é muito fácil apertar o errado. O plástico texturizado também parece meio vagabundo.

Ele usa wireless 2,4GHz como polling rate de 500Hz (metade do Mamba) e pode aumentar a DPI até 4000. Jogando os mesmos jogos que eu fiz com o Mamba – TF2 e L4D – novamente não me permitiram notar nenhuma diferença real de resposta em relação ao meu mouse com fio padrão. Em outras palavras, me pareceu inteiramente sem lag. Quanto à DPI, você só pode selecionar entre três níveis por vez – não cinco, como no Mamba. Um lance superior em relação ao Mamba é o LCD embutido que exibe sua configuração de DPI – no Mamba você precisa decodificar o que a combinação de barras verdes e vermelhas na lateral significa. Por outro lado, tente achar onde ele exibe a energia da bateria (eu não consegui). Falando nisso, o tempo de duração da bateria é muito superior ao do Mamba – eu consegui cinco dias inteiros com quatro intensas horas de jogo de três horas cada com uma única carga. Ou seja, pra lá de 60 horas de uso.

Se você precisasse pegar uma característica técnica principal (já que o Mamba rouba sua coroa de 4000DPI), seria provavelmente que ele usa a tecnologia BlueTrack da Microsoft que é capaz de rastrear qualquer coisa. De fato, ele funcionou perfeitamente sobre múltiplas superfícies, inclusive um mousepad de plástico brilhoso da SteelSeries, no qual o Mamba não conseguiu nem tocar (minha superfície padrão é o SteelSeries QcK+ de pano, caso você esteja se perguntando). Ou seja, se você gosta de jogar em superfícies malucas, o BlueTrack está garantido no X8.

A base de carregamento/receiver é mais funcional e menos “uau” que a da Razer – é um disco de hóquei com um sulco para enrolar o cabo. Mas o que é legal é que o cabo play-and-charge se acopla ao mouse magneticamente, então nada de tentar enfiar em um buraco teimoso como no Mamba.

Ergonomia melhorada em relação à última geração
Longa duração da bateria
Bom tempo de resposta
Formato e botões verticais dependem do gosto
Posicionamento da protuberância para a mão faz com ele pareça ser enorme

Mamba Sidewinder X8 Mamba Sidewinder X8 Mamba Sidewinder X8 Mamba Sidewinder X8 Mamba Sidewinder X8 Mamba Sidewinder X8 Mamba Sidewinder X8 Mamba Sidewinder X8 Mamba Sidewinder X8 Mamba Sidewinder X8 Mamba Sidewinder X8 Mamba Sidewinder X8 Mamba Sidewinder X8 Mamba Sidewinder X8

Só Pode Haver Um?
Você conseguiria cortar o fio e conseguir a deliciosa liberdade wireless enquanto continua seguro de que seus poderes de dar frag não serão diminuídos? Sim. O tempo de resposta foi o mesmo para cada mouse que eu usei: X8, Mamba e meus mice com fio. O que significa duas coisas: mice wireless de jogo vieram para ficar (caso você tenha duvidado) e o desempenho não é o motivo que você escolherá o Mamba em detrimento do X8.

O Mamba tem design melhor, dá uma sensação melhor (especialmente se você tem mãos menores) e um software mais funcional. O SideWinder X8 possui maior duração de bateria, um software menos melindroso e é muito mais barato. Você consegue o X8 por aproximadamente 75 dólares, ao passo que o Mamba custa bons 130 dólares. Como sempre, depende de você se as frescuras dos equipamentos de jogo valem este custo extra, e neste caso é mais verdade que o de costume, dada a diferença de preço. [Razer, Microsoft]