por Bruno Izidro

Durante muito tempo eu pensei que a nostalgia que sempre sentia pelos jogos antigos da série Resident Evil eram somente por causa dos elementos de survivor horror que eles possuíam: o clima de terror muito bem construído, a apreensão pela pouca munição ou itens de cura ao enfrentar zumbis e outras criaturas, até mesmo a icônica animação da porta se abrindo sem saber o que havia do outro lado causava uma tensão.

Tudo isso foi revigorado com o relançamento em HD do remake do primeiro Resident Evil, no ano passado. Agora é a vez de Resident Evil 0 receber o mesmo tratamento. Porém, o que me pegou de surpresa ao jogá-lo foi redescobrir a minha nostalgia nos elementos de puzzles bem elaborados dentro de todo esse survivor horror, e que ficam mais evidentes por causa das caraterísticas únicas que o game possui.

Já dizia o ditado: “duas cabeças pensam melhor do que uma”. Os protagonistas de Resident Evil 0 – a novata nos S.T.A.R.S Rebecca Chambers, e o acusado de 23 homicídiso Billy Coen – sabem muito bem disso e quando eles se veem presos em um trem cheio de zumbis, decidem se ajudar para sair dessa situação, cada um com sua habilidade. Rebecca pode até ser frágil e sofrer danos mais facilmente, mas é a única que pode misturar as ervas para curas mais fortes. Já Billy aguenta mais as mordidas dos zumbis e pode mover e utilizar objetos mais pesados.

No jogo é possível controlar os personagens juntos, alternando entre eles com o apertar de um botão, ou separados, em salas ou ambientes diferentes. Por vezes o próprio jogo força a separação, em outras você só acha mais seguro ir enfrentar sozinho uns zumbis por causa da Inteligência Artificial não tão boa do parceiro. A partir dessa característica, porém, é que toda a estrutura de desafios e obstáculos de Resident Evil 0 se apresenta, usufruindo da melhor forma o uso de ambos os personagens.

Quem acompanha a série desde a época do primeiro PlayStation sabe como os funcionários da Umbrella adoram trancar portas secretas com combinações estranhas de objetos ou com chaves em forma de animais ou elementos da natureza, nada muito fora do padrão.

Porém, em Resident Evil 0, a peculiar interação entre Rebecca e Billy – que só aumenta conforme o jogo progride – é que coloca em primeiro plano os elementos de puzzle, muito mais do que qualquer outro jogo da série. Isso vai de desafios simples até puzzles que exigem mais coordenação da dupla, seja apertar botões ao mesmo tempo ou um liberar os obstáculos do caminho do outro que está em outra sala.

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Conforme a aventura avança,  é possível encarar Resident Evil 0 como um grande jogo de solucionar puzzles, com alguns zumbis e criaturas aqui e ali no meio do caminho. Essa era a característica que me fazia voltar ao jogo. Pena que ela era a única que fazia isso.

A história? Bem, na época ela até incitava a curiosidades dos fãs por mostrar acontecimentos antes do incidente da mansão do primeiro jogo, mas hoje em dia ela está mais para um episódio de enrolação daquele anime que você nem sabe mais porque acompanha. Os personagens também conseguem ser mais artificiais que as gloriosas atuações da abertura do Resident Evil original. Fora que não há nada mais vergonha alheia do que a tatuagem de tribal enorme de Billy Coen.

Assim como aconteceu com o remake de Resident Evil há um ano, a maquiagem HD que Resident Evil 0 recebeu não consegue esconder que muitos aspectos do jogo envelheceram mal nesses mais de dez anos. Tudo bem, pode até ser nostálgica a câmera estática ou ter de acessar constantemente o menu para realizar ações simples, são aspectos que podiam não incomodar em 2002, mas que podem influenciar negativamente a experiência em 2016. Não é nada que o deixe “injogável”, só é preciso um mínimo de esforço para se encaixar no contexto da época em que o jogo foi originalmente lançado e, assim, melhor apreciá-lo.

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O relançamento de Resident Evil 0 pode passar despercebido por muitos. Afinal, a série da Capcom não tem mais o mesmo impacto de antes. Porém, o verdadeiro valor que acabei vivenciando em Resident Evil 0 foi redescobrir o divertido quebra-cabeças a dois que um survivor horror pode se tornar e, com isso, conseguir observar com novos olhos algo que parecia já conhecer tão bem. Não parece ser muito coisa, mas pode muito bem fazer a diferença.

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Resident Evil 0 está disponível a partir desta terça-feira (19) digitalmente para PS3, PS4, Xbox 360, Xbox One e PC por R$ 61,50 (PlayStation Store), R$ 59,00 (Xbox Games Store) e R$ 39,99 (Steam). O jogo também terá uma versão física (junto com o remake de Resident Evil) no Resident Evil Origins Collection. A cópia para análise foi cedida pela Capcom.