É quase surreal se imaginar em 2011, esse ano futurista e cheio de nuvens, comprando um DVD que não rode em seu DVD player por causa de um padrão criado em 1997. Sim, as regiões de DVDs ainda existem, mas os aparelhos evoluíram e elas estão ficando para trás, e tudo indica que a mídia física deverá deixar essas barreiras de lado.

A Wired deste mês explica que a divisão do mundo em seis regiões não tem nada a ver com a diferença entre NTSC e PAL. Tratava-se apenas de uma forma de proteger a indústria do cinema em 1997 — como os lançamentos de filmes não são mundiais, um país poderia receber uma tonelada de DVDs canadenses que rodassem na França sem problemas, acabando com a bilheteria do cinema e do futuro DVD feito especialmente para o país.

O problema é que 1997 já tem muito tempo. Na época, celular era um tijolo gigantesco, nota de dois reais era fantasia e baixar um filme pela internet era uma grandessíssima piada. Hoje, as proteções de região pouco mudam a relação entre pirataria e vazamentos. O número de aparelhos que leem DVDs de todas as regiões é enorme. E o Blu-ray, que chegou para substituir o DVD, dividiu o mundo em apenas três regiões — e mais de 70% dos filmes é region-free.

A grande questão para a indústria é que a mídia física parece caminhar para o fundo do poço. O streaming e o download de filmes é o futuro da plataforma, e elas correm agora para marcar de alguma forma seus próprios filmes. Como Tom Adams explica, as produtoras precisam de algum tipo de proteção — mesmo que não seja tão eficiente assim — para ter a sensação de que está tudo bem. Veremos qual será a solução para o futuro das mídias digitais. [Wired; ilustração por: Don Clark]