Sistemas de reconhecimento facial estão se tornando cada vez mais comuns no mundo todo. Desta vez o recurso chegou às escolas do Reino Unido.

Segundo o jornal inglês Financial Times, nove escolas de North Ayshire, na Escócia, receberão pagamentos nas cantinas pelo escaneamento dos rostos de seus estudantes. A expectativa é que mais escolas sigam pelo mesmo caminho.

A novidade visa resolver dois problemas: questões de saúde relacionadas à Covid-19 e o tempo para processar pagamentos no horário de almoço. Entretanto, a rede de defensores da privacidade alerta para uma normalização da vigilância.

Segundo o site The Verge, um folheto distribuído aos pais nessas escolas explicou que “com o reconhecimento facial, o aluno simplesmente seleciona a refeição, olha para a câmera e vai embora, agilizando o serviço de almoço e retirando qualquer contato no ponto de venda”.

Entre as dúvidas respondidas pela administração está a de que os dados biométricos coletados são armazenados por criptografia e excluídos assim que a criança deixa o local. Além disso, são os pais que autorizam que os filhos usem essa alternativa e podem usar o PIN para verificar os pagamentos.

Em entrevista ao The Financial Time, a CRB Cunninghams, empresa responsável por instalar a tecnologia de reconhecimento facial nas escolas, disse que o tempo de pagamento foi reduzido para cinco segundos, e que desde 2020, mais de 65 escolas contrataram o serviço em forma de teste.

Mas, porque começar usar esse tipo de tecnologia nas escolas e não em outros ambientes? A empresa explicou que seu produto — diferente do que faz o reconhecimento em massa — não utiliza reconhecimento facial em tempo real. Ou seja, ele não realiza um escaneamento ativo de multidões.

Tanto a companhia como as escolas afirmaram que o novo sistema considerará as preocupações sobre privacidade e cibersegurança das crianças. Segundo o conselho, 97% das crianças ou seus pais deram consentimento para o novo sistema.

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Ainda assim, organizações contrarias ao reconhecimento facial, como a Big Brother Watch e a Biometrics Commissioner da Inglaterra, defendem que o uso da tecnologia nas escolas é desnecessário.

Além dos riscos já conhecidos envolvendo a coleta de dados biométricos e faciais, uma das preocupações é que a iniciativa acabe normalizando a prática de escanear rostos, tornando os alunos alheios às questões de privacidade.