O Facebook está tendo uma péssima semana. E ela acaba de ficar pior para o CEO da empresa, Mark Zuckerberg. A Câmara dos Comuns do Reino Unido enviou oficialmente uma carta a Zuck pedindo que ele fosse a Londres e testemunhasse sobre como planeja “consertar” o Facebook. Boa sorte aí, fera.

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A carta, que foi publicada no Twitter por repórteres de tecnologia no Reino Unido, explica que o comitê governamental que supervisiona privacidade digital já havia ouvido funcionários do Facebook, mas que esses representantes da empresa haviam sido “enganosos”.

O Reino Unido agora quer que um executivo de alto nível na hierarquia, preferencialmente o próprio Zuckerberg, vá a Londres e testemunhe sobre o “fracasso catastrófico” do cuidado do Facebook com informações privadas de usuários.

A carta diz:

Caro sr. Zuckerberg

Pedido de testemunho oral

Depois de materiais publicados no britânico Guardian e no New York Times nos últimos dias, o Comitê gostaria de pedir que você se apresentasse diante de nós para prestar testemunho oral.

Como disse em minha declaração, o Comitê repetidamente perguntou ao Facebook sobre como empresas adquirem e mantêm dados de usuários de seu site e, em particular, sobre se esses dados haviam sido coletados sem seu consentimento. As respostas de seus funcionários consistentemente subestimaram esse risco e têm sido enganosas ao Comitê.

Está na hora de ouvir de um executivo sênior do Facebook com autoridade suficiente para relatar com precisão sobre esse fracasso catastrófico do processo Existe um forte interesse público em relação à proteção do usuário. Assim, estamos certos de que você entenderá a necessidade de que um representante do topo da organização aborde as preocupações. Considerando seu comprometimento no início do Ano Novo em “consertar” o Facebook, espero que esse representante seja você.

Gostaríamos de receber sua resposta até segunda-feira, 26 de março.

Em resposta a um pedido de comentário sobre a carta, o Facebook enviou ao Gizmodo o seguinte comunicado:

Estamos no meio do processo de conduzir uma investigação interna e externa ampla conforme trabalhamos para determinar a veracidade das alegações de que os dados do Facebook em questão ainda existem. É aí que está nosso foco enquanto permanecemos comprometidos a aplicar nossas políticas para proteger as informações das pessoas.

A Câmara dos Comuns ouvirá, já nesta quarta-feira (21), um ex-funcionário do Facebook. Sandy Parakilas trabalhou na equipe de segurança da empresa e disse ao Guardian, em artigo publicado nesta terça-feira (20), que havia tentado avisar ao Facebook sobre o potencial para violação de dados. Parakilas ilustra um panorama obscuro de coleta de informações desenfreada por parte de gente barra-pesada.

“Uma vez que os dados deixavam os servidores do Facebook, não havia controle algum, e não se tinha conhecimento do que estava acontecendo”, Parakilas relata ao Guardian.

Polêmica envolvendo a Cambridge Analytica

O Facebook tem sido alvo de críticas pesadas nos últimos dias depois de ter sido revelado que a Cambridge Analytica usou dados de mais de 50 milhões de usuários do Facebook para explorar seus medos e lançar uma campanha de propaganda sofisticada em nome da equipe de Donald Trump.

E para piorar ainda mais as coisas para o Facebook, também veio à luz nesta segunda-feira (19) que a Cambridge Analytica se envolvia em práticas de negócio bem sujas. O Channel Four, do Reino Unido, exibiu um documentário de 20 minutos com imagens secretas do CEO da empresa admitindo que a companhia orquestrava subornos de políticos com o propósito explícito de filmar aqueles encontros e divulgar as imagens online.

O CEO da empresa, Alexander Nix, também admite levar profissionais do sexo da Ucrânia a vários países para seduzir funcionários do governo com sexo. Esses encontros também eram filmados e usados para descreditar candidatos ao redor do mundo, diz Nix no vídeo.

E como se isso não fosse suficiente, a fábrica de rumores agora está agitada com relatos de que Alex Stamos, diretor de segurança da informação do Facebook, estaria renunciando ao cargo por causa de desentendimentos com outros altos executivos da empresa. Especificamente, Stamos estaria preocupado com o fato de que o Facebook não estaria sendo direto sobre as maneiras como sua plataforma era usada para manipular os eleitores norte-americanos durante as eleições presidenciais de 2016.

Mas não tão rápido, diz Stamos. Ele jura que não vai a lugar nenhum. Ou, pelo menos, isso é o que ele está meio que sugerindo. Stamos, embora não esteja exatamente negando o fato de que possa estar de saída neste ano, diz que está “completamente engajado” no Facebook. Ele admite, sim, que seu papel na empresa mudou.

New York Times noticia que Stamos queria pedir demissão, mas que foi “persuadido a permanecer” até agosto. Lideranças do topo do Facebook aparentemente pensaram que ficaria ruim a imagem da empresa com Stamos abandonando o barco enquanto ele está pegando fogo. O que não está completamente errado.

O valor das ações do Facebook despencou na segunda-feira, diante das notícias mais recentes. E a companhia pretende realizar uma reunião ampla nesta terça-feira para discutir sua situação caótica. Mas veremos se a empresa consegue se tirar dessa queda livre.

Com o próprio Zuck completamente calado, deve ser interessante ver como ele responde ao pedido para testemunhar no Reino Unido. Por enquanto, os Estados Unidos não pediram formalmente que altos executivos da rede social testemunhassem, embora isso possa mudar. O senador democrata Mark Warner tuitou que gostaria de ver Zuck e outros CEOs testemunharem perante o Congresso. Com a merda verdadeiramente sendo jogada no ventilador, os dias de se esconder atrás de advogados em Capitol Hill podem estar contados para pessoas como Mark Zuckerberg.

[TwitterNew York Times]