Há um novo e interessante cargo para você, que quer usar toda a sua criatividade em alguma empresa: vidente de erros de português na internet. Você passa o dia todo pensando em quão errada uma palavra pode ficar na cabeça de alguém, mostra para seu chefe e ele pensa se vale a pena comprar o link patrocinado relacionado ao termo. “Smorfes”, “holmer theater”, tanto faz — sua imaginação e sua clarividência são os limites. E, segundo a divertida matéria do Valor Econômico, esse negócio vem dando bem certo.

A matéria mostra como a grafia incorreta em sites de busca como o Google e o Bing fazem com que as empresas saiam por aí comprando palavras erradas, em busca daquele cidadão que, na pressa ou na falta de uma formação mais avançada, não teve condições de procurar o filme dos Smurfs escrevendo certo. Segundo jornal, 15% dos termos comprados pelas marcas envolvem erros de português — desde aquele acento “que ninguém usa” até os mais ousados.

O argumento é que mesmo procurando errado, o pessoal no máximo dá uma risadinha de vergonha, mas compra os produtos mesmo assim. A Tecnisa, que comprou a palavra “gravides” para seus links patrocinados, vendeu um apartamento de R$380 mil reais para uma pessoa que não conhece muito a regra do zê. O mais bizarro: se no começo a Tecnisa pagava cinco centavos por clique em buscas por “gravides”, a venda do apartamento criou uma especulação em torno da palavra — todo mundo queria um link patrocinado relacionado ao termo bizarro, e o custo por clique subiu para R$ 4.

Mas sem dúvida os melhores casos envolvem filmes: além dos Smorfes, a Netmovies fica analisando calmamente como as pessoas chegam ao serviço:

Entre os casos mais estranhos estão “fime smanfer”, “smofes” e “esmorfes” para “Os Smurfs – O Filme”; “fimenes pornogrates” (filmes pornográficos); “fimes bruna sufixinha” (“Bruna Surfistinha”); “rereporte”, “relry potter” ou “Reyi port” (Harry Potter); “Chuek” (Shrek); “fimes com estives cegal” (filmes com o ator Steven Seagal).

Na dúvida, aprenda a buscar no Google com Rafael Madeira. Me pergunto até que ponto vai a mente por trás de quem compra palavras e termos errados: encontrarei Power Rangers na próxima vez que buscar por Paulo Reis? Ou carrinhos da Hot Weels quando buscar por Rato Wilson? [Valor Econômico; imagem via Placas Erradas]