Quando o Monte Vesúvio entrou em erupção há quase 2.000 anos, o vulcão surpreendeu de uma forma cruel as pessoas que moravam nas proximidades.

A erupção aconteceu em duas fases principais, sendo que a primeira produziu um dilúvio de pedra-pomes e cinzas. Essa chuva infernal durou cerca de 18 a 20 horas, durante as quais os habitantes das cidades e vilas vizinhas buscaram abrigo contra a queda de rochas. Quando ela finalmente parou, alguns aproveitaram a oportunidade para fugir, movendo-se por uma espessa camada de cinzas. Mal sabiam eles, no entanto, que o pior ainda estava por vir.

Os gessos dos dois homens. Imagem: Parco Archeologico di Pompei (AP)

Aproximadamente uma hora após o final da primeira fase, o Vesúvio rugiu de volta à vida, lançando fluxos piroclásticos catastróficos — basicamente, avalanches superaquecidas de cinzas quentes, lava e gás — nas áreas abaixo, incluindo Pompeia, Herculano e Oplontis.

Os fluxos piroclásticos atingiram esses assentamentos, enterrando estruturas — e qualquer um com a infelicidade de ainda estar por perto — em cinzas vulcânicas quentes. As pessoas atingidas acabaram preservadas no momento de suas mortes, permitindo que os arqueólogos estudassem as vítimas da erupção em detalhes requintados.

A nova descoberta em Pompeia, conforme descrito em um comunicado do Parque Arqueológico de Pompeia, destaca a morte de dois homens que se abrigaram em uma sala e acabaram consumidos pela densa correnteza cheia de cinzas. Impressões feitas a partir de seus restos mortais, encontrados sob cerca de 2 metros de cinza endurecida, mostram as vítimas em suas últimas posições em vida.

Os homens estavam em Civita Giuliana — uma grande e luxuosa vila suburbana localizada 700 metros a noroeste de Pompeia que oferecia aos hóspedes uma vista deslumbrante do Mar Mediterrâneo. Quando os arqueólogos exploraram essa vila em 2018, eles encontraram os restos de um cavalo em seu estábulo, junto com uma sela e arreios revestidos de bronze. Os corpos dos dois homens foram encontrados dentro de uma sala próxima a um corredor coberto, conhecido como criptopórtico, que dava acesso ao andar superior.

A sala era estreita, com apenas 2,2 metros de largura e piso de madeira. Depois que o Vesúvio entrou em sua segunda fase, a sala foi envolvida por cinzas quentes, que vazaram por vários pontos de entrada, de acordo com o comunicado do Parque Arqueológico de Pompeia. Escavações na sala revelaram os dois esqueletos presos em cinzas endurecidas.

Seus ossos foram analisados ​​no local e depois removidos, mas, como foi o caso em outros lugares em Pompeia, seus corpos deixaram uma impressão, ou cavidade, nas cinzas sólidas. Os arqueólogos colocaram gesso nessa cavidade, uma técnica inventada pelo arqueólogo italiano Giuseppe Fiorelli em 1867. Esses moldes podem revelar evidências realistas de mãos, características faciais e até roupas. Aqui, os gessos forneceram a forma e a posição dos corpos, mostrando-os em sua agonizante posição supina.

Alguns detalhes são surpreendentes. Imagem: Parco Archeologico di Pompei (AP)

A cabeça da primeira vítima está dobrada, e seus dentes e crânio ainda estão visíveis. Uma análise preliminar sugere que ele tinha entre 18 e 25 anos quando morreu e 156 centímetros de altura. Acredita-se que o homem tenha sido escravizado, pois sua coluna vertebral apresentava discos comprimidos, um sinal potencial de trabalho manual. Ele estava vestindo uma túnica curta feita de lã quando morreu.

Os braços da segunda vítima, talvez uma pessoa rica, estavam dobrados sobre o peito e suas pernas estavam abertas com os joelhos dobrados. Ele tinha entre 30 e 40 anos de idade e 162 cm de altura. O homem estava vestindo uma túnica e manto de lã, e fragmentos de tinta branca foram encontrados perto de seu rosto, possivelmente de uma parede desabada próxima.

Pompeia e suas áreas próximas continuam a render importantes descobertas arqueológicas. Um estudo do início deste ano, por exemplo, revelou neurônios em uma vítima cujo cérebro foi vitrificado durante a explosão.