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Um resumo dos últimos acontecimentos do caso Huawei

A diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, foi presa no Canadá, a mando dos Estados Unidos, no último final de semana. O incidente chamou a atenção do mundo todo quando a prisão foi revelada publicamente na última quarta-feira (5). Meng foi detida por supostamente ter violado sanções dos EUA ao Irã, mas só ouviremos as […]

Gizmodo

A diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, foi presa no Canadá, a mando dos Estados Unidos, no último final de semana. O incidente chamou a atenção do mundo todo quando a prisão foi revelada publicamente na última quarta-feira (5).

Meng foi detida por supostamente ter violado sanções dos EUA ao Irã, mas só ouviremos as declarações oficiais de acusação durante uma audiência que deve ocorrer nesta sexta-feira (7), em Vancouver.

• China exige libertação de diretora da Huawei presa no Canadá a mando dos Estados Unidos

A China exigiu a soltura imediata de Meng, e empresário americanos estão sendo alertados sobre viagens para a China. É uma história que tem ganhado novos capítulos rapidamente e tem chamado a atenção de muitos segmentos, desde banqueiros de Wall Street até o pessoal do Vale do Silício.

O que deve acontecer agora? Reunimos aqui tudo o que aconteceu nas últimas horas para você ficar atualizado:

Executivos americanos são alertados sobre viagens para a China

Foto de arquivo do CEO da Huawei, Ren Zhengfei, falando em uma conferência em São Petersburgo, na Rússia, no dia 22 de junho. Crédito: AP

Executivos da indústria de tecnologia estão sendo alertados sobre viagens para a China. Alguns especialistas especulam que o governo chinês poderia realizar algum tipo de retaliação após a prisão de Meng.

A executiva Meng Wanzhou, de 46 anos, que também é chamada de Sabrina e Cathy, não é apenas a diretora financeira da Huawei. Ela também é filha do fundador da empresa, Ren Zhengfei, que possui fortes ligações com o Exército Popular de Libertação – as forças armadas da China.

Shaun Rein, do China Market Research Group, disse nesta sexta-feira ao Sydney Morning Herald: “Se eu fosse um executivo de alto escalão do Google ou Cisco, eu não iria para a China tão cedo”.

Bill Bishop, autor de uma newsletter focada no mercado asiático chamada Sinocism, acredita que seria um tiro no pé caso a China prendesse um executivo americano, mas não descarta totalmente essa possibilidade:

Vi especulações de que a China poderia retaliar (a prisão de Meng) por meio de uma detenção de um executivo da indústria de tecnologia dos EUA. Isso certamente seria algo explosivo, mas não tenho certeza se Pequim faria isso sem um processo judicial muito claro, já que isso minaria a enorme campanha de propaganda que o Partido tem empreendido ao apresentar a China como uma nação aberta a negócios estrangeiros e defensora do sistema de comércio global. No entanto, se eu fosse um executivo de tecnologia dos EUA, deixaria uma viagem para a China para depois, ou sairia de férias caso morasse lá…

Pelo jeito, é melhor os empresários norte-americanos esperarem caso queiram dar uma passada por lá.

[Sydney Morning Herald e Sinocism]

Essa história pode estar, na verdade, relacionada com fraude bancária

Sucursal do HSBC em Hong Kong. Crédito: AP

Por que Meng foi presa? O motivo informado foi de que a Huawei violou sanções que os EUA impuseram ao Irã ao fazer negócios com o país asiático.

Mas pode ser que as autoridades norte-americanas tenham outro argumento para processar Meng. Ela pode muito bem ser acusada de fraude bancária.

De acordo com reportagem da Reuters:

Os Estados Unidos estão analisando desde pelo menos 2016 se a Huawei enviou produtos de origem americana para o Irã e outros países, violando as leis de exportação e sanções dos EUA, como informou a Reuters em abril.

Mais recentemente, essa sondagem passou a olhar se a empresa teria utilizado o HSBC Holdings Plc para realizar transações ilegais envolvendo o Irã, de acordo com pessoas envolvidas.

As empresas são proibidas de usar o sistema financeiro dos EUA para canalizar bens e serviços para entidades sancionadas. Se a fabricante de smartphones e equipamentos de telecomunicações realizasse tais transações e depois induzisse o HSBC ao erro sobre sua verdadeira origem, ela poderia ser acusada de fraude bancária, segundo especialistas.

A Huawei, que nomeou o presidente Liang Hua como diretor financeiro interino enquanto Meng estiver detida, deve obedecer às sanções americanas se quiser ter uma presença legal nos Estados Unidos. E, se eles estiverem usando bancos sediados nos EUA para violar tais sanções, esse seria um problema sério.

[Reuters]

Japão deve banir Huawei e ZTE de contratos do governo

Primeiro-ministro do Japão (à direita) ri ao lado do presidente norte-americano Donald Trump, no dia 30 de novembro de 2018, em Buenos Aires, Argentina. Crédito: Getty

Aparentemente, o Japão irá proibir a compra de tecnologia Huawei e ZTE (ambas empresas chinesas) em contratos governamentais, um movimento que também está sendo considerado por outros países alinhados com os EUA, como a Nova Zelândia.

A CNBC, citando o jornal japonês Yomiuri, diz que as regras para novos contratos podem ser alteradas pelo Japão já na segunda-feira (10) da próxima semana. Nenhuma declaração oficial foi feita pelo governo japonês até agora.

Fontes anônimas no Japão citam preocupações de segurança, o mesmo argumento usado por outros países, como Austrália, Reino Unido e Canadá.

As preocupações envolvem os estreitos laços da Huawei e da ZTE com o governo chinês e temores de que os eletrônicos chineses possam ser usados para espionar não apenas cidadãos japoneses, mas também funcionários do governo japonês.

[CNBC]

O Presidente Trump sabia que a prisão aconteceria?

O presidente da China, Xi Jinping, em encontro com o presidente Donald Trump, no dia 1º de dezembro de 2018, mesmo dia em que Meng foi presa. Crédito: AP

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, diz que seu governo não esteve envolvido na prisão de Meng, mas que foi informado dias antes. Porém, o que o presidente Trump sabia sobre a detenção quando foi jantar com o presidente chinês Xi Jinping no fim de semana? Pelo jeito, ele não sabia de muita coisa.

Trump não fazia ideia de que a executiva da Huawei seria presa. Pelo menos foi o que o assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, deu a entender à NPR nesta quinta-feira (6).

Da NPR:

[NPR]: O presidente sabia com antecedência que essa prisão iria acontecer?

[John Bolton]: Eu não sei a resposta para isso. Eu sabia com antecedência, mas isso é algo que nós recebemos do Departamento de Justiça, e esse tipo de coisa acontece com alguma frequência. Certamente, não informamos o presidente sobre cada uma delas.

OK. Então você sabia durante aquele jantar no fim de semana com o presidente da China que essa prisão estava em curso?

Bem, você sabe, há muitas coisas que estão pendentes em um dado momento. Você não sabe exatamente o que vai acontecer em termos de uma determinada ação policial, isso depende de muitas outras circunstâncias.

Trump ainda não tuitou especificamente sobre o caso Huawei, mas é bastante surpreendente que tenhamos uma situação em que o presidente não tinha muita ideia do que estava acontecendo – um incidente internacional que deve deixar marcas por algum tempo e que tem grandes implicações para o mercado de ações dos EUA e para o setor de tecnologia norte-americano em geral.

Em vez disso, Trump parece estar muito interessado na investigação de Robert Mueller, conforme seus últimos tuítes. Mais recentemente, ele apenas publicou que “as conversas com a China estão indo muito bem”.

[National Public Radio]

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