Apesar de vender telefones nos EUA por alguns anos (no Brasil, a empresa já vendeu, mas atualmente não tem nenhum modelo), 2018 era para ser o ano da grande volta da Huawei ao mercado norte-americano. Na CES, vi uma apresentação dos planos da Huawei para o país com direito até a Mulher Maravilha em carne e osso, Gal Gadot, como embaixadora da marca.

• Novo smartphone da Huawei com três câmeras pode iniciar uma nova corrida tecnológica

Porém, operadoras e varejistas voltaram atrás ou cancelaram acordos com a empresa chinesa — todas por pressão de órgãos de inteligência dos Estados Unidos. Essa situação coloca o novo aparelho topo de linha da Huawei, o P20 Pro, em uma posição esquisita, pois o dispositivo não deve ser vendido nos Estados Unidos. E isso é uma vergonha, pois ele tem um ótimo design e um arranjo inovador de câmeras triplas. Na verdade, o P20 Pro é um baita smartphone.

Mesmo só olhando as especificações, você consegue ver que a Huawei tomou uma série de decisões inteligentes. Ele vem com o processador Kirin 970, 6 GB de RAM, 128 GB de armazenamento. Enquanto isso, a bandeja dual-sim é uma boa vantagem para quem sempre viaja. No entanto, o legal no P20 Pro é sua bateria de 4.000 mAh. Em nosso teste de bateria, o P20 Pro aguentou 11 horas e 36 minutos. Isso é melhor que o Pixel 2 XL (11 horas e 17 minutos), embora tenha resistido um pouco menos que o S9+ com 12 horas e 27 minutos, que continua a melhor marca registrada neste ano.

Há outras pequenas coisas como o infravermelho na parte de cima do aparelho, que é um recurso que costumava ser comum em vários aparelhos, mas quase todo mundo abandonou. E como você pode esperar num telefone desse calibre e preço, ele vem com certificação IP67, portanto à prova d’água, e potentes alto-falantes estéreo.

Dito isso, o P20 Pro ainda tem dois grandes pontos negativos: a falta da entrada de fone de ouvido e um carregador sem fio. Ser forçado a usar áudio USB é algo que ou você se acostuma ou você deixa de lado. Mas carregamento sem fio é uma omissão estranha, considerando que estamos falando de um aparelho que custa 900 euros (quase R$ 3.800). Diferente do P10, lançado no ano passado, cuja traseira de metal tornava difícil para implementar a tecnologia de carregamento sem fio, a traseira do P20 é uma grande “folha” de vidro. Para um telefone caro como esse, não tem desculpa.

Talvez o plano da Huawei fosse impressionar os usuários com suas cores brilhantes. Com uma variação que vai do verde ao roxo, a pintura Twilight da Huawei não se parece com nada disponível no mercado. Mas mesmo na cor padrão azul, que foi avaliada, o P20 Pro é lindo.

Algumas pessoas podem se irritar com o notch (entalhe) no aparelho da Huawei, mas não tem muito o que reclamar. O corte abriga a câmera frontal do P20 de 20 megapixels. Se você não for fã, existe uma opção nas configurações de telas para esconder o notch com barras pretas dos dois lados. Isso lhe dá a habilidade de ver suas notificações, hora, data e nível de bateria, mas sem ter algo saliente na tela que, em minha opinião, é a melhor combinação entre forma e função.

Com notch ou sem notch: você escolhe

As melhores câmeras do mercado

E as câmeras? Com uma câmera preto e branca de 20 megapixels, uma câmera monstra de 40 megapixels RGB (colorida) e uma câmera 8 megapixels com zoom 3x, a Huawei criou o primeiro arranjo de câmera do tipo e que conta com funções para qualquer um.

Da esquerda para a direita: câmera mono de 20 megapixels, câmera 40 megapixels RGB e a câmera de 8 megapixels com zoom óptico 3x

Usando a câmera monocromática, mesmo para algo simples como uma foto preto e branca, o P20 Pro facilmente supera o modo de escala cinza do Galaxy S9. Jogando a real, o P20 Pro supera em muito com mais detalhes versus supersaturação vista na foto do S9. E essas qualidades não ficam apenas em fotos preto e branco.

Em uma comparação de fotos preto e branco, o P20 Pro supera facilmente o Galaxy S9+

Ao usar a câmera de 40 megapixels RGB, que é o sensor mais acionado, o P20 Pro usa a câmera monocromática para ajudar a capturar detalhes finos, embora a câmera concentre a parte de cores e todo o resto. Além disso, o sensor de 40 megapixels usa um filtro quad bayer que usa grupos de 4 pixels e essencialmente os combina para criar um pixel gigante, o que permite que a câmera absorva muita luz. Então, no fim, o smartphone captura fotos de 10 megapixels, que são um pouco menores que as câmeras de 12 megapixels do Pixel 2 XL e do Galaxy S9, mas não muito. E o que você ganha em troca por uma resolução menor totalmente vale a pena.

Dê uma olhada no registro de ameixas com o S9+ e o P20 Pro. A foto do S9+ não é ruim, mas a do P20 Pro é superior em todos os aspectos: nitidez, cores, detalhes — é só mencionar um quesito que será automaticamente superior. O exemplo mais óbvio é quando você dá um zoom para olhar as etiquetas presentes nas frutas. O código de barras e o conteúdo na foto do S9 parece um pouco difuso, enquanto na foto do P20 as linhas são fortes e nítidas. Também é importante notar que a foto do P20 provavelmente está um pouco mais nítida que o normal, mas ainda bate a imagem tirada com o S9.

Embora o P20 Pro tenha menos megapixels, a imagem parece muito mais nítida.

Em ambientes de pouca luz, as coisas ficam ainda melhores, pois a tecnologia quad bayer permite que o P20 Pro supere o S9, mesmo tendo uma abertura de f/1.7, enquanto o S9 tem uma f/1.5 iris.

No modo automático, o P20 Pro supera o Galaxy S9+ em ambientes com pouca luz

Mas então, a Huawei deu um passo a mais e criou um modo incrível de pouca luz que captura quatro segundos em longa exposição com o celular nas mãos mesmo. Isso mesmo, sem a necessidade de tripé. Normalmente, isso causaria falhas por toda a imagem (e se as pessoas se mexem rapidamente, você ainda terá uma imagem borrada), mas com o P20 Pro, você tem um modo HDR específico para cenas noturnas que frequentemente deixa as fotos impressionantemente boas.

Quando você liga o modo noturno avançado do P20 Pro, imagens com pouca luz ficam impressionantes

Finalmente, tem a câmera de 8 megapixels com um zoom óptico 3x, que é 1x a mais do que você tem no iPhone X ou Galaxy S9. Então, quando você precisar de um pouco mais de alcance, como em um show, o P20 cumpre bem essa tarefa.

O nível extra de zoom do P20 Pro é uma boa surpresa

No entanto, as câmeras do P20 Pro também possuem falhas. Como no Mate 10 Pro, o P20 Pro tem a habilidade de usar o reconhecimento de objeto para identificar cachorros, plantas, comida, cenas para, então, usar essas informações para melhorar as configurações da câmera para resultados melhores. O problema é que parece que a última atualização da Huawei para essa funcionalidade foi feita há seis meses e a companhia deu uma exagerada no algoritmo.

Se você não desligar o recurso de inteligência artificial, a câmera do P20 Pro pode criar imagens um pouco exageradas

Por exemplo, quando eu tirei uma foto típica de algumas flores, o P20 aumentou a saturação do verde e do amarelo em um grau absurdo, a ponto de o objeto da foto parecer quase um neon. Ainda bem que é possível desativar essa função ao tocar em um pequeno “x” próximo ao marcador de reconhecimento de objetos no app da câmera.

Agora sim é a hora das más notícias. O Huawei P20 Pro não está à venda nos Estados Unidos e nem no Brasil — ainda que a Huawei tenha uma forte presença em quase todos os países da América Latina. Isso quer dizer que como o bife de Kobe e os queijos franceses, o P20 Pro é daqueles produtos para quem tem muito dinheiro e só poderá comprá-lo em viagens internacionais.

É um pouco chato que isso esteja ocorrendo, pois este é um baita smartphone inovador que oferece alguma competição real com os produtos feitos pela Apple, Samsung e o Google.

Direto ao ponto

  • O P20 Pro não está disponível no Brasil nem no Estados Unidos;
  • Embora a inteligência artificial possa atrapalhar um pouco, o arranjo de três câmeras do P20 Pro não está para brincadeira;
  • O tempo de bateria é fantástico e durou 11 horas e 30 minutos em nossos testes;
  • A interface Huawei EMUI 8 é fácil de usar, mas não acho que ainda seja boa;
  • Não tem entrada de fone de ouvido, carregamento sem fio ou slot microSD, embora suporte dois SIM cards.

    Especificações técnicas

    Interface EMUI 8.1 rodando Android Oreo 8.1
    Processador Kirin 970
    6 GB de RAM
    128 GB de armazenamento
    Tela OLED de 6,1 polegadas 18:9 de 2.240×1.080
    Bateria de 4.000 mAh
    Câmera frontal de 24 megapixels
    Câmeras traseiras: 20 megapixels (mono), 40 megapixels (RGB) e 8 megapixels telefoto com zoom 3x
    USB 3.1 tipo C
    NFC
    Dimensões: 15,4 cm x 7,4 cm x 0,7 cm (A x L X P)
Peso: 196 gramas

Todas as fotos por Sam Rutherford/Gizmodo