O novo iMac de 27 polegadas é um computador muito bom. Isso não é nenhuma surpresa: a Apple atualizou sua máquina mais nova para as CPUs de 10ª geração da Intel, tornando-a ainda mais apropriada para lidar com tarefas criativas, que demandam uso intensivo do processador. Este iMac também tem uma tela linda, melhor do que qualquer outra que já usei (falo mais sobre isso a seguir).

Mas este iMac também é provavelmente o último do seu tipo. A Apple está criando seu próprio chip baseado em ARM (como os usados por smartphones) e fará a transição de todos os Macs para el nos próximos dois anos, o que significa que este é provavelmente o último iMac com um chip Intel. E, talvez com a mesma importância, este pode muito bem ser o último iMac com esse design, que já tem uma década.

Não que isso deva impedir alguém de comprá-lo. A aparência não é tudo, especialmente quando se trata de uma baita máquina com o iMac. Para muitas pessoas a estabilidade é crucial. O chip da Apple pode ser rápido e vir em dispositivos novos com recursos adicionais bacanas, mas novo não significa estável, e se você atua no ramo de edição de áudio ou vídeo, a estabilidade importa tanto quanto a velocidade. Então, este iMac, que tem um design datado e um hardware atualizado (e estável), parece uma ótima aposta.

iMac (27 polegadas, 2020)

iMac de 27 polegadas

O que é?
Computador topo de linha all-in-one da Apple
Preço
Começa em US$ 1.800 (no Brasil, parte de R$ 22 mil); a unidade analisada custa US$ 4.500 nos EUA (no Brasil custa quase R$ 50 mil)
Curti
Tela de nano-textura, desempenho poderoso, câmera de 1080p
Não curti
Tela de nano-textura custa US$ 500 a mais, design antigo

A primeira coisa que você notará no mais novo iMac de 27 polegadas é que ele parece exatamente com todos os outros iMacs anteriores. A Apple tem usado este mesmo design há anos, e embora tenha se tornado um clássico por uma razão, já parece um pouco datado. Por que as molduras são tão largas? Por que a Apple usa tanto espaço? Suponho que seja porque funciona bem dessa forma.

Eu queria que a Apple tivesse aumentado a tela e eliminado as bordas, mas as pessoas ainda comentam como o iMac é fino e elegante quando o veem de perto. E o novo modelo tem uma tela absolutamente deslumbrante — mas vai custar caro.

Olhar a tela de nano-textura do iMac é tão confortável que quero este tipo de tela em todos os dispositivos. iMac de 27 polegadas. Crédito: Caitlin McGarry/GizmodoOlhar a tela de nano-textura do iMac é tão confortável que quero este tipo de tela em todos os dispositivos. iMac de 27 polegadas. Crédito: Caitlin McGarry/Gizmodo

A Apple lançou uma nova tela de vidro de nano-textura com o Pro Display XDR, mas esse monitor custa US$ 6.000 — algo impossível de se pagar para a maioria das pessoas. Agora você pode obter um computador com vidro de nano-textura no iMac de 27 polegadas com um acréscimo de US$ 500 (R$ 5.000 no Brasil) e, para ser honesta, acho que vale a pena. Estou surpresa comigo mesma, porque US$ 500 é bastante, e se você for atualizar seu iMac, adicionar mais RAM ou um processador mais rápido é melhor do que ter uma tela mais bacana. Mas, de fato, o vidro da tela é muito bom.

O modelo básico do iMac já vem com revestimento antirreflexo, mas adicionar a opção de vidro de nano-textura elimina quase completamente o brilho. A Apple diz que o vidro é diferente das telas com revestimento fosco, que dispersam a luz. Em vez disso, ela conta com essas “nano-estruturas” que parecem manter o contraste, mesmo quando uma fonte de luz é direcionada diretamente na tela. Confesso que tenho usado o iMac não só para trabalhar, mas também para assistir a filmes e séries, pois a tela é incrível.

Esta é a melhor tela que vi em anos. Na verdade, é tão boa para os olhos que agora quero que todos os dispositivos que uso venham com vidro de nano-textura — o que complica mesmo é para limpá-la. A Apple inclui um pano de microfibra especial na caixa e, embora eu não tenha precisado muito dele, dei uma leve limpada para tirar algumas manchas de dedo que ficaram na tela quando levei o computador da minha sala de jantar para o escritório. Achei a manutenção um pouco difícil para um dispositivo sem tela touchscreen. Ainda assim, acho que US$ 500 é caro, mas se você trabalha em uma sala com muita iluminação, o tal vidro vale a pena.

Detalhe do pano que acompanha o iMac de 27 polegadas. Crédito: Caitlin McGarry/GizmodoDetalhe do pano que acompanha o iMac de 27 polegadas. Crédito: Caitlin McGarry/Gizmodo

O iMac que a Apple me emprestou para review não tinha apenas o vidro de nano-textura. O computador veio com o processador Intel Core i9 (com 10 núcleos), GPU AMD Radeon Pro 5700XT com 16 GB de VRAM, 32 GB de memória e SSD de 1 TB. O modelo custa ao todo US$ 4.500 (no Brasil, ele tem preço sugerido de quase R$ 50 mil)

O iMac de 27 polegadas custa a partir de US$ 1.800, mas você pode atualizar quase todos os componentes para obter um desempenho incrível. E a versão que testei impressionou no conjunto de benchmarks de CPU da máquina renderizando uma imagem 3D no Blender. O iMac terminou o trabalho em 2 minutos e 29 segundos. Isso é mais rápido até do que quando comparamos com um chip Intel i9 de 10ª geração e uma GPU Nvidia RTX 2080 TI em uma máquina Windows personalizada.

Em um teste de edição de vídeo da GPU do iMac, usando o Handbrake, a máquina terminou de processar um arquivo 4K gigantesco em 5 minutos e 29 segundos, o que é muito rápido comparado com a CPU padrão, que levou 6 minutos.

Para trabalhos criativos, como edição de áudio, o iMac brilha. Crédito: Detalhe do pano que acompanha o iMac de 27 polegadas. Crédito: Caitlin McGarry/GizmodoPara trabalhos criativos, como edição de áudio, o iMac brilha. Crédito: Detalhe do pano que acompanha o iMac de 27 polegadas. Crédito: Caitlin McGarry/Gizmodo

E no Geekbench 4, que testa o desempenho geral do sistema, as pontuações single-core (6382) e multi-core (424217) do iMac foram altas o suficiente para deixar minha colega Joanna Nelius, especialista em PC do Gizmodo, assustada.

O novo iMac não impressionou muito em nossos benchmarks de games em comparação com os PCs dedicados para jogos do Windows que testamos. Mesmo assim, teve um desempenho competente, entregando 82 quadros por segundo no Shadow of Tomb Raider na configuração gráfica mais alta (1920 x 1080). Isso não deveria surpreender absolutamente ninguém, mas, honestamente, jogar provavelmente não é um fator de decisão importante para quem procura um novo iMac.

Benchmarks sintéticos à parte, o iMac é uma máquina projetada para profissionais criativos que precisam fazer muito trabalho pesado usando ferramentas como Final Cut Pro ou Pro Tools. Meu trabalho é um pouco mais leve, então pedi a meu marido, que é produtor profissional de áudio, para brincar com o software de edição de áudio da Apple Logic Pro X, no iMac, e dar o seu feedback. Infelizmente, me arrependi disso, pois agora ele quer gastar US$ 4.500 em um computador destes.

Detalhe das portas do iMac de 27 polegadas. Crédito: Caitlin McGarry/GizmodoDetalhe das portas do iMac de 27 polegadas. Crédito: Caitlin McGarry/Gizmodo

Como alguém que teve que fazer a transição de uma configuração de estúdio profissional para um estilo de vida trabalhando de casa, ele tem feito sessões de edição em um MacBook Pro de 13 polegadas, o que não é o ideal. Além da tela gigante de nano-textura, sobre a qual ele disse que “poderia ficar olhando para isso o dia todo”, ele também descobriu que o básico — importar áudio e editar várias faixas — era “muito rápido”. Isso o ajuda a terminar suas tarefas mais rápido, pois elimina o maior problema de seu fluxo de trabalho: uma máquina lenta.

O novo iMac também tem um arranjo de três microfones que a Apple afirma ter “qualidade de estúdio”, mas a menos que você esteja gravando em um sala à prova de som, seu áudio terá eco demais para uso profissional. Infelizmente, o iMac não é exatamente portátil o suficiente para ir para o closet de nosso quarto, o único cômodo da nossa casa que pode abafar o som e o lugar onde meu marido grava faixas. Então, é melhor como uma máquina de edição/mixagem do que para gravação em si.

Algumas pequenas coisas devem ser observadas, além do desempenho incrível e da bela tela: eu amei a câmera frontal de 1080p do iMac e estou incrivelmente desapontada que os novos MacBooks ainda não tenham uma câmera dessa qualidade para as intermináveis videoconferências nestes tempos de quarentena. O novo chip T2 do iMac ajusta a exposição e iluminação da câmera FaceTime dinamicamente conforme eu me movo, para que eu sempre pareça muito melhor do que na imagem granulada da câmera do meu MacBook Pro.

O iMac também tem excelentes alto-falantes, que também ganham força com o T2. Enquanto eu tocava Beyoncé no iMac do meu escritório, meu marido passou e perguntou qual alto-falante em havia instalado na sala, presumindo que eu estava testando algum outro produto fora o iMac. Enfim, o som é impressionante.

O negócio é o seguinte: a Apple pode em breve lançar um novo iMac com seu chip próprio e um design totalmente novo (provavelmente na forma de um modelo de 21 polegadas que não foi lançado neste ano, conforme prevê Jason Snell, do Six Colors, e eu concordo). Mas isso não significa que não valha a pena comprar este iMac — principalmente se você estiver procurando por hardware estável, mas de ponta.

Seu desempenho é incrível, especialmente se você aumentar o processador e a RAM, e a tela de vidro de nano-textura é tão reconfortante que valem os US$ 500 extras (acredite: me dói escrever isso). Se você precisa de uma máquina como esta, não importa se o modelo do próximo ano seja um pouco melhor.

Leia-me

  • A tela de vidro de nano-textura vale os US$ 500 a mais.
  • Desempenho poderoso, especialmente para trabalhos criativos.
  • A câmera frontal está finalmente boa.
  • Absurdamente caro, principalmente se você quiser configurar todas as especificações no talo.
  • O design já é antigo e parecerá ainda mais velho quando os primeiros Macs com chip da Apple forem lançados.