Quem não gostaria de ter um pequeno dispositivo HDMI que pode transformar qualquer TV em um computador completo com Windows? Quando a Intel anunciou o Compute Stick de US$ 150 em janeiro, nós achamos que ele poderia ser o PC em miniatura ideal para todo tipo de pessoa. Pena que ele é terrível.

Teoricamente, há um monte de coisas a se fazer com um computador deste tamanho. Você poderia trabalhar com ele, navegar na web a partir do sofá, assistir Netflix, fazer streaming de jogos rodando em outro computador…

Meu editor Sean Hollister estava animado para instalar o Steam nele, conectar um adaptador sem fios para o Xbox 360, e jogar games leves como Nidhogg com amigos em uma tela grande sem precisar de console. E eu poderia usar o Stick para fazer streaming de mídia, acessando vídeos do meu PC de mesa através da minha rede doméstica.

Algumas dessas coisas até funcionam, mas usar este PC é doloroso – a tal ponto que ele provavelmente não vale a pena.

O que é?

Uma tentativa de colocar um PC em um dongle HDMI minúsculo de US$ 150, que você conecta em qualquer TV. Ele parece bom no papel: um processador Intel Atom quad-core de 1,33 GHz, 2 GB de RAM e 32 GB de armazenamento em um pacote compacto de bolso. O Compute Stick ainda possui uma porta USB completa e um leitor de cartão microSD. O que há para não gostar? Quase tudo, na verdade.

Usando

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O Intel Compute Stick, acima de tudo, é um fracasso de expectativas. O site da Intel afirma que “ele está pronto para você começar a trabalhar ou se divertir um pouco, direto da caixa”. Isso não é verdade. O Google Chromecast está pronto direto da caixa: você o configura rapidamente com o smartphone. O Amazon Fire TV, também. O Compute Stick, não. Para começar, ele precisa de coisas que não estão na caixa – um mouse e teclado.

Quando ele iniciou o processo de instalação do Windows (oba!), eu procurei um mouse sobrando no meu escritório. Logo ele pediu que eu digitasse algo, então eu desenterrei um teclado também. Foi quando, de repente, me dei conta de que eu precisava ter dois dispositivos USB conectados a uma única porta, e que eu estava ferrado.

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E quanto a periféricos Bluetooth? Não vale a pena. Cada dispositivo que eu conectava sofria de alta latência, resultando em lags ao deslizar o cursor do mouse ou ao digitar. O Sean levou uma hora para resolver o problema: é que o Compute Stick usa um único chip para WiFi e Bluetooth, e ele é terrível em multitarefa. A única maneira de melhorar a conexão Bluetooth é desligando o Wi-Fi. Aí não dá, né?

Eu poderia comprar um hub USB, e assim o fiz. Ele funcionou bem! O Compute Stick só pode fornecer 500mA de energia, mas foi o suficiente para ligar dois periféricos simples – apesar de eu ter problemas com dispositivos mais exigentes, e outro hub USB não ter funcionado.

Depois, eu acabei lembrando que poderia comprar um teclado da Logitech com receptor Unifying, que permite conectar mouse e teclado com um único dongle minúsculo. Honestamente, é a única opção que faz sentido. Eu sabia que o Compute Stick não viria com dispositivos de entrada, mas não tinha captado como isso seria um problema.

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Precisei resolver todos os problemas inatos do Compute Stick, mas eu finalmente estava pronto para começar a usá-lo. E enquanto me preparava para trabalhar no Gizmodo usando o dispositivo, eu cautelosamente deixei meu otimismo pelo dispositivo aumentar mais uma vez.

Ele usa um dos processadores Intel Atom mais recentes, e eu tenho muita fé em plataformas de baixa potência: eu tenho (e adoro) um tablet Dell Venue 8 Pro com chip Atom, e fiquei encantado com o processador Atom x7 no Microsoft Surface 3. A marca Atom não é ruim quanto no passado, mas o Compute Stick não é o melhor exemplo para a plataforma.

Eu coloquei o Stick no meu monitor desktop para trabalhar, e achei que ele fosse capaz de lidar com a maioria das minhas tarefas de trabalho. Era importante ter paciência: todos os meus programas de trabalho, clientes de bate-papo e ferramentas web funcionaram muito bem, mas elas precisavam de tempo para carregar.

O Slack manteve o ritmo ao carregar nossa sala interna de bate-papo, mas engasgava alguns segundos sempre que eu clicava em uma conversa particular. A maioria dos sites rodava bem, mas demorava para carregar. Obviamente, você não poderá usar o Photoshop ou qualquer outro programa exigente – ele custa só US$ 150, poxa.

No final de um dia lento – mas levemente produtivo – com o Stick, decidi relaxar com alguns jogos. Eu e o outro Sean instalamos o Steam e carregamos alguns clássicos 2D como Towerfall, Nidhogg, Worms Reloaded e Hotline Miami… mas não dava para jogar até mesmo alguns desses jogos supersimples.

Towerfall rodou muito bem, assim como Jamestown e Metal Slug 3, mas as lutas de esgrima normalmente velozes em Nidhogg aconteciam em câmera lenta. Hotline Miami engasgou na resolução 1080p nativa da TV; reduzi para 720p, mas ele ainda parecia lento.

Mesmo colocando o Stick em modo de desempenho, o que requer uma viagem às configurações da BIOS, não resolveu. Nidhogg ficou um pouco mais jogável, e só.

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Então nós resolvemos fazer streaming de alguns jogos instalados em outro PC, algo que não requer muito poder de processamento, e que a própria Intel recomenda em seu material de marketing. Nós ativamos a Transmissão Doméstica do Steam, ligamos um PC com uma placa de vídeo GeForce GTX 970, fechamos todos os outros programas que usam internet, e abrimos Dark Souls II. O resultado foi pura agonia.

Não só era completamente e totalmente impossível jogá-lo, como isso fez o sistema congelar duas vezes. Sim, a Intel tecnicamente recomenda usar um adaptador Ethernet ou um adaptador Wi-Fi de 5 GHz para streaming. Com eles, tudo funciona bem, mas isso custa dinheiro e usa outra preciosa porta USB.

Agora estamos falando em investir num hub USB, adaptador de rede, um gamepad para jogos, mais o teclado e mouse que você precisa para instalar o sistema. Ah, e não se esqueça de instalar os drivers primeiro: quando eu conectei um dongle Wi-Fi para acessar frequências 5 GHz, o Stick imediatamente me deu a tela azul da morte e não fazia boot enquanto eu não desconectasse o dongle.

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E mesmo se você investir no equipamento extra para streaming, você pode sofrer com algumas falhas desagradáveis ​​no modo Big Picture do Steam. Quanto mais nós tentamos jogar, mais problemas surgiam. A interface ficou cada vez mais lenta, levando mais tempo para responder aos comandos do gamepad.

Em algumas ocasiões, até vimos pixels mal-renderizados, geralmente um sinal claro de que o chip gráfico está com superaquecimento. Claro, o modo Big Picture é mais exigente, mas é difícil evitá-lo se você estiver jogando títulos do Steam, via streaming ou não.

Gostamos

Eu amo que o Compute Stick pode ser alimentado exclusivamente pela porta USB da minha TV. Eu esperava que ele precisasse de mais energia, mas não é o caso. É um plugue a menos no ninho de rato que virou minha central de entretenimento.

Eu estive procurando por um dispositivo leve que consuma pouca energia para fazer streaming na minha TV, e o Compute Stick funcionou bem nesse caso. Ele não teve problemas em transmitir conteúdo local, e parece ser uma boa solução para quem tiver a paciência para configurá-lo.

A caixa vem com um cabo extensor para o HDMI, para impedir que o dongle obstrua as outras portas HDMI da sua TV. Uma porta USB de tamanho normal em um dispositivo minúsculo também é algo incrível.

Não gostamos

Você pensaria que um computador expressamente concebido para ligar a uma TV teria uma opção para ajustar a imagem, certo? Mas não é o caso: ele funcionou bem na minha TV, mas eu o experimentei na TV/projetor de 80 polegadas do meu amigo, e a imagem não ficava alinhada. As bordas superior, inferior, esquerda e direita da imagem ficaram cortadas, e não havia absolutamente nada que pudéssemos fazer a respeito.

A menos que eu usasse um hub USB ligado à tomada, ou o receptor Logitech Unifying, só uma porta USB não foi o suficiente.

Se eu deixasse um dispositivo USB conectado ao dongle, ele muitas vezes não ligava – só fazia boot quando eu o desconectava. Isso é meio irritante.

É meio preocupante como este dispositivo fica quente, mesmo tendo uma pequena ventoinha para resfriá-lo. E ainda assim, o chip Atom facilmente ficava fora de sua zona de conforto.

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Devo comprar?

Não.

O Compute Stick é uma boa ideia para o que seria um preço decente se ele funcionasse bem – mas tem muitos problemas. Ele é difícil de configurar e usar; não é muito potente; tem problemas estranhos de conectividade. E ele não é realmente portátil: sim, ele cabe no bolso, mas é inútil sem um monte de acessórios. Talvez se ele tivesse algum app para controlá-lo através do smartphone, isso seria diferente, mas não é o caso.

O principal motivo para não comprá-lo, no entanto, é outro: há dispositivos melhores a um preço semelhante. Se você precisa de um media center, o HP Stream Mini é uma escolha melhor: é mais potente, vem com mouse e teclado, e ainda é pequeno o suficiente para se esconder atrás da sua TV – tudo por US$ 180. É mais barato que todos os periféricos que você precisaria comprar para aproveitar o Compute Stick.

Se você só quero navegar na web a partir do sofá, o Chromebit permitirá isso, colocando o ChromeOS em um dispositivo pequeno – e ele vai custar menos. Haverá opções ainda melhores para streaming de jogos: o Steam Link, da Valve, estará disponível no final do ano por apenas US$ 50.

A menos que você precise absolutamente de um pequeno computador escondido atrás de seu monitor, eu não consigo pensar em uma única razão para recomendar o Intel Compute Stick. Talvez haja um futuro da computação baseada em dongles, mas esse futuro não começou aqui.