A Samsung tem feito um bom trabalho em suas linhas de smartphones intermediários, com opções para todos os gostos e bolsos. Uma das famílias é a Galaxy A, que é um pouco mais cara por pegar emprestado algumas funções que até então só estavam disponíveis em aparelhos premium. Essa estratégia continua em 2021 com o Galaxy A52.

O aparelho tem uma tarefa difícil: manter a excelente reputação do Galaxy A51, um dos melhores intermediários que conseguiu aliar recursos de ponta a um preço bastante competitivo. Para o atual sucessor, a Samsung encareceu um pouco o dispositivo, mas compensou esse aumento ao trazer algumas novidades muito bem-vindas, incluindo a tela Super AMOLED de 90 Hz e certificação IP67 contra água e poeira.

Nas últimas semanas, eu venho testando o Galaxy A52 na versão 4G como meu dispositivo principal. Agora, eu te conto como tem sido minha experiência.

Samsung Galaxy A52

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

O que é
Um smartphone intermediário da Samsung com tela 90 Hz e proteção contra água e poeira

Preço
Sugerido: R$ 3.299. No varejo: em média, R$ 1.999

Gostei
Excelente construção; certificação IP67 contra água e poeira; tela com imagens mais fluidas a 90 Hz; software matador com promessa de atualização

Não gostei
Bateria pode não agradar todo mundo; o preço, né?

Design e construção

Todo ano é a mesma coisa: a Samsung lança a linha Galaxy S e a usa como referência para elaborar o design da grande maioria de aparelhos abaixo dela. Com o Galaxy A52, a coisa não é diferente. Ele tem o mesmo formato reto do Galaxy S21, com bordas finas e um furo minúsculo para a câmera frontal no display. Assim como nas versões mais baratas do S21, o material usado na carcaça do telefone é plástico, e a disposição das câmeras traseiras também é em um módulo vertical que parece ter sido construído em uma única peça.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

A cor usada nos meus testes é um violeta quase gelo que, na minha opinião, é a mais bonita entre as disponíveis no Brasil. A traseira tem um tom fosco bem bonito que não é totalmente à prova de marca de dedos, mas consegue disfarçar. As laterais, por sua vez, possuem moldura com efeito metálico. O dispositivo pesa apenas 189 gramas, e durante os testes seu uso foi muito confortável.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

Nas conexões, o Galaxy A52 mantém o que você espera de um celular intermediário: entrada P2 para fone de ouvido, entrada para cartão microSD e porta USB-C. A grande novidade é a certificação IP67, que configura ao aparelho resistência contra água doce e poeira. Essa é uma característica que a gente está habitado a ver apenas em smartphones topo de linha, então só por esse fato o A52 ganha pontos extras. Não que eu tenha testado ele em piscina, mas saber que ele aguenta ser molhado por um curto período de tempo já passa uma certa tranquilidade.

Tela e som

Outra melhoria perceptível no Galaxy A52, em comparação com a geração anterior, é a tela, que agora é um painel Super AMOELD de 6,5 polegadas com taxa de atualização de 90 Hz e resolução Full HD+ (2.400 x 1.080 pixels). Para se ter uma ideia, é a mesma qualidade do display do Galaxy A72. Portanto, você paga menos para ter a tela do modelo mais caro da linha Galaxy A atual.

O painel também suporta taxa de atualização de até 90 Hz; se você optar pela variante 5G, essa taxa salta para 120 Hz. No meu caso, o Galaxy A52 4G já deve atender a grande maioria dos consumidores que gostam de jogar pelo smartphone, uma vez que, quanto maior for essa especificação, mais fluidas as imagens e animações são exibidas no display. Além disso, o telefone tem brilho, contraste e cores excepcionais para um aparelho intermediário, garantindo mais definição durante o uso, mesmo sob a luz intensa do Sol.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

O celular tem duas saídas de áudio que entregam som estéreo, mas olha que bacana: o A52 tem suporte para Dolby Atmos que aprimora o efeito surround. Não é nada muito potente, e os graves, dependendo do volume, às vezes podem sair meio distorcidos. A Samsung até oferece alguns modos pré-configurados para alterar som em filmes, músicas ou jogos. No geral, o dispositivo cumpre o básico esperado para esse quesito.

Hardware, desempenho e bateria

Se você é daqueles consumidores que prestam atenção em muitos detalhes, vai ficar feliz em saber que a Samsung optou por não seguir com o chip próprio Exynos no Galaxy A52. Agora, ele vem equipado com o Snapdragon 720G, da Qualcomm, que também é usado no Galaxy A72, com oito núcleos rodando a até 2,3 GHz. Soma-se a isso 6 GB de memória RAM e 128 GB de armazenamento interno, podendo expandir essa capacidade para até 1 TB via microSD.

A performance do Galaxy A52 mantém o que eu já tinha visto no Galaxy A51 do começo do ano passado. Aplicativos de rede social (WhatsApp, Instagram, Twitter) abrem e fecham com muita rapidez, sem travamentos. A alternância entre janelas, seja nos menus de configurações ou entre os próprios apps no multi-tarefa, também trouxe resultados satisfatórios. Jogos como Asphalt 9, Free Fire e Dead by Daylight rodaram sem problemas. O único caso de exceção foi ao jogá-los com os gráficos no máximo — foram nítidas as quedas constantes na taxa de quadros.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

A bateria ganhou um incremento no Galaxy A52, indo dos 4.000 mAh do antecessor para os atuais 4.500 mAh. Era de se esperar que o componente fosse maior justamente devido às melhorias na tela e processador. Talvez seja por isso que eu não tenha percebido nenhuma diferença significativa na autonomia de bateria. Mas calma, porque a vida do aparelho antes de precisar ser recarregado ainda é ótima.

Ao reproduzir quatro horas de conteúdo na Netflix, 30 minutos jogando Free Fire e uma hora navegando pelo Google Chrome, a bateria caiu de 100% para 62%. Lembrando que, para esses testes, deixei a configuração no talo, incluindo a tela em 90 Hz, brilho no máximo e com Wi-Fi e Bluetooth ligados. Reduzindo a taxa de atualização para 60 Hz, autonomia foi ligeiramente maior, de 68%. Com isso, é seguro afirmar que, no uso comum do dia a dia, o Galaxy A52 deve aguentar tranquilamente dois dias sem precisar de uma nova recarga.

Por falar no carregamento, o Galaxy A52 mantém o adaptador na caixa. O acessório tem 15 W, e comigo levou exata 1h52 para ir do zero a 100%. O aparelho tem suporte para recarga de até 25 W, mas aí você precisa comprar um adaptador compatível separadamente caso queira atingir essa capacidade.

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Câmeras

O Galaxy A52 vem com quatro câmeras na parte traseira. São elas: principal de 64 MP com abertura de f/1.8; ultra grande-angular de 12 MP (f/2.2); profundidade de 5 MP (f/2.4); e macro de 5 MP (f/2.4).

Eu já gostava das câmeras do Galaxy A50, de 2019, e do A51, do ano passado, porque elas entregam bastante equilíbrio de saturação e contraste. E agora no A52 essa caraterística permanece. O sensor principal é consistente e deve ser o mais usado para quem não gosta de pensar muito na hora de abrir o app de câmera para fazer uma foto. Também não precisa de ajustes de luz ou brilho, uma vez que os resultados são excelentes mesmo em ambientes com pouca luminosidade. Inclusive, o modo noturno, apesar das imagens ainda saírem um tanto artificiais, é um dos melhores que eu já usei em um smartphone intermediário.

A lente ultra-angular quase alcança o mesmo nível de qualidade do sensor principal. Eu digo “quase” porque o efeito ampliado nas laterais não é dos melhores, distorcendo as bordas da imagem. Dá para fazer fotos legais com a ultra-angular? Com certeza. Mas pode esperar por esse efeito esticado e com menos resolução nas laterais, principalmente em fotos noturnas.

A câmera macro do Galaxy A52 é boa para esse tipo de sensor. No entanto, não crie expectativas: sensores macro em smartphones ainda não mostraram a que veio, pois os resultados são muito voláteis. Houve casos em que eu captei imagens aceitáveis embaixo de muita luminosidade e com o celular imóvel em um tripé, mas na maioria das vezes o conteúdo final é apenas regular.

Para o sensor de profundidade, que no Galaxy A52 substitui a lente telefoto, o aparelho da Samsung mantém boa qualidade no recorte e não deixa o foco da captura com os cantos borrados. Os níveis de cor e contraste também são ótimos, sem efeitos de beleza artificial, embora eles estejam lá para serem ativados a hora que você quiser.

Eu também gostei das selfies feitas com a câmera frontal de 32 MP, pois não exagera no controle de saturação e contraste. O recorte usando a função de desfoque é satisfatório, mas o resultado final é bem menos natural do que o sensor de profundidade traseiro. Felizmente, você pode modificar a intensidade do desfoque antes ou depois de tirar a foto.

O Galaxy A52 pode gravar vídeos em quatro definições: HD a 30 quadros por segundo; Full HD a 30 fps com OIS (estabilização óptica de imagem); Full HD a 60 fps; e 4K a 30 fps. Já a câmera frontal ainda vem com o diferencial de filmar em até 4K.

Software e recursos

De fábrica, o Galaxy A52 roda o Android 11 adaptado à interface One UI 3.1. Desde a primeira versão dessa identidade visual própria, a Samsung vem aprimorando o layout da plataforma, mas sem complicar a utilização do sistema operacional. Isso se deve ao excelente trabalho da companhia em tornar a interface o mais simples possível, ao mesmo tempo que a torna familiar para qualquer pessoa que já tenha usado algum dispositivo da marca nos últimos dois anos.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

É verdade que algumas funções de smartphones mais caros da Samsung não são compatíveis com o A52, entre eles o DeX, que permite usar o smartphone como um PC ao conectá-lo em uma TV ou monitor externo. Contudo, a experiência no modelo intermediário não sofre tantas mudanças. O menu Edge, na lateral direita, e a central de notícias, à esquerda, estão firmes e fortes por aqui. O que eu ainda sinto falta é uma integração maior da Bixby, que continua sem grandes atrativos para ser utilizada.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

Além do visual limpo e simples de usar da One UI, o Galaxy A52 é mais um dispositivo da Samsung com a promessa de receber três novas versões do Android e quatro anos de atualizações de segurança. Isso significa que o A52 será atualizado até o Android 14, até 2023, e receber updates menores até o começo de 2026. Para quem preza por esse tipo de política, o A52 se posiciona como um grande acerto para Samsung, principalmente quando se leva em consideração que as outras fabricantes oferecem no máximo dois anos de atualizações no Android. E isso quando oferecem ou não mudam de estratégia. A Motorola e a Nokia, por exemplo, não garantem mais futuras versões do Android para alguns de seus intermediários.

Vale a pena?

Quando foi lançado no Brasil no início de abril, o Galaxy A52 4G era uma opção inviável para um smartphone intermediário: R$ 3.299. A versão 5G era ainda mais cara, saindo por R$ 3.499. Se fosse naquela época, eu com certeza diria que não valeria a pena gastar essa grana toda, uma vez que existem opções equivalentes por menos da metade desse valor. Entre os exemplos estão o Moto G9 Plus, o Galaxy M51 e o próprio Galaxy A51 que, apesar de ter mais de um ano de vida, ainda dá conta do recado.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

Como de costume, o preço do Galaxy A52 já caiu consideravelmente em cerca de dois meses desde o lançamento, podendo ser encontrado em uma média de R$ 1,6 mil até a publicação deste review. Por esse valor, agora sim é mais vantajoso apostar no dispositivo, que entre suas principais características traz uma tela Super AMOLED de 90 Hz, processador Snapdragon 720G, bateria maior que a geração passada e certificação IP67, algo raro em modelos mais simples. Isso sem contar na ótima política de atualização do Android que foi adotada pela Samsung.

Nessa mesma faixa de R$ 1,6 mil, uma opção semelhante é o Galaxy M51, que inclui algumas especificações do irmão mais novo e uma bateria ainda maior, de 7.000 mAh. Mas se você prefere algo mais recente, além do fato de ter forte inspiração na linha Galaxy S21, então o Galaxy A52 é uma compra certeira.