Fones completamente sem fio são um gadget em alta na indústria. A Apple tem os seus AirPods, que talvez tenham começado a onda de dispositivos desse tipo. Xiaomi e Huawei também têm os seus, e Microsoft e Amazon querem um espacinho dos seus ouvidos também.

Os Galaxy Buds são os representantes da Samsung nessa briga. Nem são os primeiros da marca coreana — o Gear IconX, de 2018, já era um fone completamente sem fio, mas era maior, mais caro e mais cheio de recursos, como armazenamento próprio e monitoramento de atividades físicas. Os Buds custam menos e parecem mais elegantes. Eles ganharam bastante destaque no lançamento do S10, no começo do ano, e são uma grande aposta da fabricante.

Eu usei os Buds por quase dois meses e conto aqui o que achei deles.

Começando a usar

Os Buds vêm com “borrachinhas” de três tamanhos. Eu acho insuficiente — a média era muito pequena para meus ouvidos e não isolava direito os sons externos, e a grande era grande demais e ficava me incomodando. Já vi fones com cinco opções de tamanhos, e acho que seria interessante ter isso também no produto da Samsung. Um ponto positivo é que eles vêm também com três formatos de prendedores — uma tira de silicone que envolve o fone e ajuda a dar um ajuste melhor à orelha.

Samsung Galaxy BudsCrédito: Alessandro Feitosa Jr/Gizmodo Brasil

O estojo é oval e bem bonitinho. Ele tem uma porta USB-C para você recarregar e tem suporte a carregamento sem fio. As dimensões não são tão compactas — a melhor descrição que eu vi foi a da Wired, que diz que ele tem a altura de um ovo, mas com a metade do diâmetro. Isso é um volume um pouco maior do que estamos acostumados a levar no bolso — é bem mais espesso que um smartphone — e talvez possa incomodar algumas pessoas.

Os Galaxy Buds se conectaram com facilidade com os três telefones com que testei — dois da família Moto G7 e um Asus. Você precisa baixar o app Galaxy Wearable e o plugin dos fones, os dois pela Play Store. Depois disso, a conexão foi bem simples, sem problemas.

O Bluetooth não é tão estável assim, porém. Pelo menos uma vez por dia ele dava pelo menos uma engasgada enquanto eu ouvia música. Outros reviews que li falavam de perda de sincronia entre os lados, mas eu sinceramente não notei nada disso.

Eu também consegui conectar os Buds com meu notebook, mas o driver de som do meu Windows tem o péssimo costume de travar ao usar som Bluetooth. Mesmo assim, que fique registrado: se você quer usar os fones da Samsung com seu computador e ele não tem esse bug esquisito, isso é perfeitamente possível.

Curtindo um som

O som me agradou bastante. Eu não sou nenhum audiófilo, mas me incomodo com fones muito ruins. Estou acostumado com fones de linhas de entrada da AKG, Skullcandy e Sennheiser. Os Buds, a propósito, têm “sound by AKG” — se você não sabe, a marca é de propriedade da Harman, que é uma subsidiária da própria Samsung.

Os Galaxy Buds me pareceram bastante superiores a esses fones que estou acostumado a usar. Os médios e agudos tinham bastante fidelidade, e pareciam reconstituir alguns detalhes das vozes, dando a elas um aspecto natural, orgânico, coisa que passa batida em outros fones.

Os graves são um pouco baixos (sem trocadilho), mas me pareceram suaves e com boa qualidade. Não é aquele “tuuuuum” genérico — você consegue perceber bem os instrumentos mesmo nas frequências mais baixas.

Interface do app dos Galaxy Buds

O aplicativo Galaxy Wearable traz cinco opções de equalização: Mais Graves, Suave, Dinâmico, Nítido e Mais Agudos. Eu usei no “Suave”, que ameniza um pouco os agudos e ressalta os graves, como forma de tentar compensar a falta de tons mais baixos na configuração padrão, e achei bastante agradável.

Ainda sobre som, devo dizer que o volume geral dos fones era bem mais alto ao ser usado com os Motorola do que com o Asus. Testei com uma caixa de som Bluetooth e a diferença se repetiu, então creio que seja uma questão com os celulares mesmo. Seja como for, talvez seja bom testar os Buds com seu smartphone antes de comprar.

Colocando na tomada

A Samsung promete uma duração de seis horas para os fones, mas, ao contrário de outros testes, eu não consegui passar de cinco horas — isso com o Som Ambiente ativado, que, creio eu, deve gastar mais bateria, já que há toda a questão de captação de sons externos, processamento e reprodução deles no fone.

O estojo de recarga que acompanha os Buds consegue repor toda a bateria e ter uma sobra. A Samsung promete que eles têm energia suficiente para dar mais sete horas de reprodução de música para os fones. Após uma recarga completa, o LED indicador de bateria ficou no amarelo — verde quer dizer acima de 60%; vermelho, abaixo de 30%; amarelo, entre essas duas porcentagens.

No uso real, você provavelmente levará o estojo no bolso e colocará os fones nele logo após terminar de ouvir música, vídeos ou podcasts. Desse jeito, eu cheguei a ficar três dias sem carregar, ouvindo algo entre três e quatro horas de música no ônibus todos os dias.

Portanto, você pode esperar colocar o case na tomada umas duas ou três vezes por semana. Se você tem um telefone com carregamento sem fio reverso, com o S10, fica ainda mais fácil — basta encostar o estojo na parte de trás do aparelho e ele reabastece a bateria.

Ah, vale dizer que, se a bateria acabar, você fica na mão. Ao contrário do que acontece com outros fones, os Buds não têm entradas P2 — eles parecem pequenos demais para isso — para ouvir som com cabo.

Controlando tudo a partir dos seus ouvidos

Os Buds definitivamente não são fones de ouvido comuns. Afinal de contas, eles não têm nenhum fio e custam quase R$ 1 mil. Além disso, eles também têm alguns recursos inteligentes.

A parte externa dos fones, com um revestimento perolado, é sensível ao toque e serve para controlar algumas coisas da música, do smartphone e dos próprios Buds.

Fones Galaxy Buds sem caixinha

Levou um tempo até eu me entender com essa interface. Você tem que apertar o fone como se fosse um botão. Não é para tocar de leve, por um breve intervalo, como se fosse uma touchscreen. Eu demorei até me acostumar com isso e fiquei dando petelecos no fone para tentar acertar os comandos — e não é nada agradável ficar dando petelecos em um negócio que está enfiado no seu ouvido.

Quando você se acostuma a apertar e não bater, o recurso se revela bastante útil. Aperte uma vez para pausar a música, duas para passar para a próxima, três para voltar para a anterior.

Dá também para configurar o que cada fone vai fazer quando você apertá-lo e segurá-lo:

  • abaixar/aumentar volume;
  • ligar o assistente (no caso de Androids não Samsung, o Google Assistente);
  • ativar/desativar o Som Ambiente;
  • abaixar rapidinho o que está tocando enquanto você aperta para ouvir algum som externo.

Configuração do Touchpad dos Galaxy Buds

Os Galaxy Buds têm microfones embutidos para você poder conversar com o assistente virtual do seu celular e, claro, falar ao telefone. Eu não tive problemas com ligações usando os fones — tirando, é claro, que eles são muito pequenos e discretos, então você inevitavelmente vai ficar parecendo um maluco que está falando sozinho no meio da rua.

Ouvindo o mundo lá fora

Os fones dos Buds também podem integrar os barulhos do mundo lá fora com a música ou o podcast que você está ouvindo. É o que a Samsung chama de Som Ambiente.

Configuração do Som Ambiente dos Galaxy Buds

A ideia aqui é que, por mais isolado que seu ouvido esteja, você ainda consiga ouvir barulhos importantes, como carros, buzinas, pessoas falando — para essa última, há até uma opção que destaca a frequência da voz humana para ficar mais fácil ouvir quando alguém for dizer alguma coisa para você.

Não chega a ser um recurso inédito — nós já testamos fones da Sony que contam com a mesma tecnologia. E funciona: eu conseguia escutar freios de ônibus, motores de carros e buzinas enquanto andava pela calçada ouvindo música.

Com a voz humana, fica mais complicado. Você até consegue ouvir o que a pessoa fala, mas fica muito difícil entender. Serve para você perceber que alguém disse alguma coisa e parar a música. Não precisa nem tirar os fones dos ouvidos: o Som Ambiente se encarrega de captar o que foi dito e reproduzir para você.

O recurso, no entanto, não é perfeito. Ele tem um controle de volume de barulhos externos no app Galaxy Wearable, mas a impressão é que ele sempre exagera os barulhos. Até faz sentido, já que a intenção é que você perceba riscos e perigos, mas você acaba tomando sustos à toa, porque qualquer freada de ônibus vira um barulho muito estridente.

Esse é outro ponto: não dá para chamar de natural. As coisas não soam como você ouviria sem os fones, mas ficam mais agudas e metalizadas. E, mesmo quando não há barulho, fica um ruído de fundo, como se você estivesse com uma concha nos ouvidos.

Você pode ativar e desativar o Som Ambiente com um toque longo no fone. Por padrão, ele sempre está desativado ao colocar os fones — seria legal se desse para mudar esse padrão, porque às vezes eu esquecia de ativar o recurso quando saía do ônibus.

Seria ainda mais legal se ele entendesse o que é ruído do ambiente e o que é um barulho e fosse mais seletivo, como o Sony que testamos, mas não é o caso.

Vale dizer que a opção de ativar ou desativar o Som Ambiente só ficou disponível depois de uma atualização no firmware do fone. Antes, você precisava ativar o recurso no aplicativo, o que era pouco prático. E essa não foi a única atualização que ele recebeu — lembro de pelo menos umas três, também com correções de erros do problema de sincronia entre fones. É bom ver que a Samsung está atenta ao pós-venda e se empenhando em corrigir erros e falhas de design do dispositivo.

Conclusão

De modo geral, eu gostei bastante dos Buds. Eles têm um som muito bom e agradável, e andar por aí sem fios enroscando nas coisas nem enrolando no seu bolso é ótimo. Eu gostaria que o Som Ambiente fosse mais natural, mas reconheço sua utilidade. Seria legal se ele tivesse borrachinhas extras para se adaptar melhor a ouvidos.

Repórter usando os Galaxy BudsEles são bem discretos. Crédito: Alessandro Feitosa Jr/Gizmodo Brasil

Você encontra os Galaxy Buds por um preço quase na casa dos R$ 1.000. Eu sinceramente tenho dúvidas se gastaria tudo isso para tê-los. Se fosse para gastar tudo isso, acho que procuraria um fone com som excelente, não apenas muito bom, e mais conforto, e abriria mão dos recursos inteligentes e da liberdade de não ter fios.

Se você quer estar antenado com o que há de mais moderno em tendências de fones de ouvidos, os Buds talvez não impressionem, mas certamente não vão desapontar.

Galaxy Buds branco
Galaxy Buds branco

Galaxy Buds preto
Galaxy Buds preto

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