O ano de 2015 foi, no geral, terrível para o mercado brasileiro de smartphones. A crise econômica que atinge o país fez cm que o dólar disparasse e até superasse a barreira dos R$ 4,00 em alguns dias. Enquanto isso, a presidente Dilma Rousseff acabou com a Lei do Bem, que garantia isenção fiscal para alguns tipos de eletrônicos. Nos últimos meses tivemos smartphones top de linha sendo lançados a preços cada vez mais assustadores. Nenhum deles, no entanto, choca tanto quanto o Sony Xperia Z5.

O Sony Xperia Z5 é um baita smartphone. Mas ele não vale R$ 4.300.

O que é



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O smartphone Android flagship da Sony segue um cronograma de atualização um pouco diferente do que estamos acostumados a ver em outras fabricantes. A Sony anunciou o Z4 em maio (ele chegou ao Brasil em agosto com o nome Xperia Z3+), e o Z5 em setembro. A Samsung anunciou o Galaxy S6 em março, e só no ano que vem deve lançar o S7.

O Z5, portanto, é uma atualização do Z3+, mas não muito profunda. O flagship anterior tinha um processador Snapdragon 810, tela Full HD de 5,2 polegadas, 3GB de RAM e 32 GB de armazenamento interno expansível via microSD. As especificações do Z5 são idênticas. A diferença está no tamanho (o Z5 é um pouco maior e mais pesado do que o Z3+, mas é uma diferença quase imperceptível), na câmera e no novo leitor de impressões digitais – falaremos sobre esses recursos mais para frente.

Para quem é

Para quem gosta tanto dos smartphones da Sony que não se importa em paga R$ 4.300 em um. Ou, no futuro, quando ele estiver a um preço menos proibitivo, para qualquer um que quiser um excelente smartphone premium com Android.

Design

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A linha Xperia Z mudou muito pouco desde o seu primeiro modelo, que chegou ao Brasil como ZQ. Ele é um retângulo com bordas levemente arredondadas (levemente mesmo), com traseira de vidro e acabamento lateral metálico. A traseira é de vidro, mas um vidro opaco diferente do que era encontrado em outros aparelhos da linha. A linha Z da Sony sempre foi muito bonita e o padrão de beleza continua no Z5, felizmente.

No entanto, nem tudo é idêntico. O sensor de digitais fez a Sony substituir o botão redondo (que nos primeiros aparelhos da linha eram duros e mal posicionados) por um que lembra uma cápsula, e é nele que fica o leitor de impressões digitais. É uma posição diferente da que estamos mais acostumados a ver – iPhones e Galaxys colocam o sensor no botão frontal, enquanto nos Nexus ele fica na traseira, logo abaixo da câmera. Não vi problema algum no posicionamento do leitor – pegue o celular, pressione-o uma vez e em questão de milissegundos o seu smartphone estará desbloqueado.

Já o botão de volume foi deslocado para a parte inferior do aparelho e particularmente não gostei disso. É difícil chegar ao botão de diminuir o volume quando você segura o aparelho em modo retrato. Abaixo dos controladores de volume está o botão dedicado da câmera, uma característica que permanece nos Xperia e que eu gosto bastante.

Usando

A primeira coisa que você nota ao ligar o Xperia Z5 é que a sua tela é fantástica. Ela já era no Z3+ e permanece assim no Z5. O display IPS de 5,2 polegadas Full-HD é suficientemente brilhante e você consegue enxergar com facilidade o que está na tela mesmo com a luz solar tentando atrapalhar. Usuário de um Moto Maxx, estou acostumado à tela 2K do aparelho, mas apesar disso não estranhei tanto a resolução menor do Z5 – isso já aconteceu em outros aparelhos que, de tão acostumado em ver as coisas em 2K no meu Moto Maxx, estranhava um pouco ver algo em resolução menor. E não é como se 1080p fosse pouca coisa, também. A resolução é mais do que suficiente para o que o Android oferece. (A Sony também lançou o Xperia Z5 premium com tela 4K, mas ele não chegou ao Brasil).

Ele sai de fábrica com o Android Lollipop 5.1 e promessa de atualização para o Marshmallow 6.0. As modificações da Sony para o Android estão muito menos intrusivas do que eram no passado, e aos poucos elementos UI vai se adaptando ao Material Design do Google. Os softwares da Sony para ver vídeo, ouvir música ou galeria de fotos, seguem sendo o padrão no aparelho, mas como esses apps são bons (e sempre foram!), não é nada que incomode. Ele até vem com bloatware instalado, mas não é nada perto do que outras empresas fazem, e é bem fácil apagar a maior parte deles do aparelho.

O Xperia Z3+ era conhecido por esquentar bastante, e infelizmente isso segue sendo um problema no Z5 – talvez seja culpa do Snapdragon 810, que é famoso pelo seu superaquecimento. Algumas aplicações mais pesadas sendo rodadas por um tempo farão o smartphone ficar quente demais, a ponto de até incomodar um pouco quando segurava ele. Nada que prejudique o desempenho do aparelho, no entanto – ele, no geral, é extremamente rápido e não me lembro de ter enfrentado engasgos ou travadas.

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Por fim, temos o novo leitor de impressões digitais. Como disse antes, ele fica posicionado no botão ligar na lateral do aparelho. É uma posição muito boa! Afinal, eu já costumo pegar o smartphone com o dedo naquela região para acender a tela. No caso do Xperia Z5, basta pressionar o botão uma vez e deixá-lo no botão por alguns milissegundos para a tela do smartphone ser bloqueada. O recurso funciona muito bem, no geral. Tive alguma dificuldade nas primeiras vezes que tentei, mas foi só recadastrar minha digital que tudo passou a dar certo.

Você pode registrar até cinco das suas digitais para o leitor reconhecer. O cadastro é simples: o aparelho pedirá para você posicionar o dedo por alguns instantes para ele guardar as informações do seu dedo. Você precisa ficar mexendo o dedo para que ele consiga reconhecer as diferentes partes da digital – foi aqui que eu tive dificuldades no começo, já que o primeiro registro não foi muito preciso, e o leitor só reconhecia algumas partes específicas do meu dedo. Depois de refazer, e de cadastrar outros dedos, tive muito mais facilidade e passei a desbloquear o smartphone com rapidez.

Câmera

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A câmera da linha Xperia nunca foi perfeita: a Sony promoveu bastante os 20 megapixels do Z1, mas a qualidade das imagens nunca foi excelente. A câmera do Z5 tem 23 megapixels, sensor 1/2,3′, flash LED e gravação de vídeo em 4K. Gravar vídeos em 4K pode ser um desafio especialmente considerando o quanto o aparelho esquenta nesse modo.

As fotos ficam muito melhores no Z5 do que eram nos modelos anteriores, com menos ruídos e mais detalhes durante a luz do dia. Os resultados das imagens com iluminação baixas são bastante satisfatórios. A Sony incluiu um monte de truques de software na câmera: são muitas configurações diferentes para quem adora mexer em todos os detalhes da câmera, além de coisas bastante questionáveis como um modo de realidade aumentada que inclui objetos virtuais nas imagens.

Abaixo algumas fotos tiradas com o Z5 no modo automático (é como a maioria das pessoas costuma usar):

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Você pode conferir as imagens em alta resolução aqui.

Bateria

A Sony diz que a bateria de 2.900 mAh aguenta até dois dias, mas não é bem assim. A autonomia dela é mais do que o suficiente, e mesmo com uso intenso do aparelho – ouvindo música, navegando no 4G, usando a câmera durante grande parte do dia – você provavelmente não vai ter muitos problemas de bateria acabar em uma hora que você realmente precisa do aparelho.

O mais comum é o aparelho aguentar um dia inteiro e ainda acordar na manhã seguinte com um pouco de energia. Longe dos dois dias prometidos pela Sony, mas um pouco mais do que outros dispositivos aguentam.

Gostei

O leitor de digitais funciona muito bem e, de volta ao meu Moto Maxx, estou sentindo falta da facilidade que ele me oferecia. A câmera não é excelente, mas melhorou em relação a outros aparelhos da linha e é muito mais do que o suficiente para o uso da maioria das pessoas – uma foto aqui, outra ali, uma selfie de vez em quando, tudo para postar no Instagram ou Facebook.

Não gostei

O botão de volume está mal posicionado. Ele ainda esquenta bastante, especialmente em aplicações mais pesadas. O preço sugerido é alto demais.

Conclusão

O Xperia Z5 é um excelente smartphone, mesmo que com uma ou outra falha. Desde o lançamento do ZQ, lá em 2013, os flagship da Sony evoluíram muito e diria que este é um dos melhores Android disponíveis no mercado brasileiro.

Mas é difícil recomendar a compra do Z5 pela questão do preço. Ele custa R$ 4.300. Isso é muita grana. Além disso, a Sony tem uma política de atualização semestral, o que significa que não deve demorar para chegar um Z6. Então a Sony cobra R$ 4.300 por um smartphone que, considerando o histórico da empresa, será obsoleto em questão de meses. A boa notícia é que quando isso acontecer o preço do Z5 deve cair consideravelmente – só ver o Z3+ lançado por R$ 3.000 aqui e que hoje é encontrado na faixa dos R$ 2.300 (ainda longe de ser barato, mas uma desvalorização considerável para um produto lançado há quatro meses).

No futuro, se o Z5 puder ser encontrado por um preço bom, ele será uma ótima opção. Hoje não é.