Sem muito alarde, a fabricante TCL lançou no final de 2020 três smartphones, sendo dois deles de entrada e um modelo intermediário. É este último o foco desta análise: o TCL 10 SE traz especificações medianas para quem não quer gastar rios de dinheiro, sem abrir mão de recursos mais robustos, como uma tela grande de 6,52 polegadas e 128 GB de armazenamento interno.

Por ser a opção mais cara do trio apresentado em dezembro, o celular chegou ao Brasil custando R$ 2.199, mas hoje ele já pode ser encontrado por quase metade disso. Ainda é um valor elevado, principalmente quando lembramos que existem algumas sugestões mais em conta e tão completas quanto, como é o caso do Galaxy M31 e o Galaxy M21s. Então, o que o dispositivo da TCL te de diferente? É o que eu conto no review a seguir.

TCL 10 SE

O que é
Um smartphone intermediário com tudo o que se espera para um smartphone intermediário

Preço
Sugerido: R$ 2.199. No varejo: em média, R$ 1.530

Gostei
Bom acabamento (a traseira é bonitona); bateria com ótima autonomia; levíssimo para um aparelho de tela grande

Não gostei
Hardware pode ficar lento em certos casos; câmeras desapontam

Design, som e tela

Quando tirei o TCL 10 SE da caixa, eu tomei um baita susto: ele é extremamente leve, com apenas 166 gramas. Nas fotos, eu lembro de ter a impressão que fosse bem mais pesado e grosso nas laterais. Mas esse também não é o caso, já que o celular possui 8,4 mm de espessura. O smartphone tem uma carcaça de plástico com toque metalizado nos botões das laterais e uma traseira fosca que reflete a luz, causando um efeito bem bonito que muda de cor. A versão que eu testei é a azul, mas a companhia também vende o aparelho na cor lilás.

Ainda na parte traseira temos o conjunto de câmera tripla, que aqui fica em um módulo na horizontal, e logo abaixo está o leitor de impressões digitais. Confesso que não sou muito fã de sensores biométricos nessa posição por uma questão de conforto, e neste aparelho o cenário não é diferente. Além de ficar em um local ruim, o leitor não foi tão preciso no desbloqueio, e por várias vezes eu tive que digitar o código PIN na tela para acessar o dispositivo.

Nas laterais estão os botões de volume e liga/desliga. Assim como o sensor biométrico, eu também gostaria que eles ficassem em outra posição para facilitar o uso com uma mão só, mas dá para conviver desse jeito. Outra coisa que me desagradou é o botão do Google Assistente, que é obrigatório e não pode ser trocado para abrir algum outro aplicativo. Há ainda a gaveta dupla para dois cartões SIM ou um SIM card mais um microSD, para ampliar a capacidade básica de armazenamento, que é de 128 GB.

O produto é carregado por uma porta USB-C na parte inferior. É ali que fica o alto-falante único com som mono. Não que seja ruim, mas a qualidade sonora é apenas regular, sem nada muito surpreendente. Além disso, o som fica bem estridente se o volume passar dos 80%.

Já na tela, a TCL colocou um display LCD de 6,52 polegadas HD+ (1.600 x 720). De novo: isso não é de todo o ruim, mas poderia ser melhor. Principalmente porque se trata de um painel grande e com bom equilíbrio de saturação e contraste. O brilho também não é lá essas coisas, em especial quando fica exposto à luz do sol – aí fica um pouco complicado de conseguir enxergar o que está na tela. Mas tudo bem, não chega a ser o fim do mundo.

Para tentar amenizar um pouco esses problemas, o smartphone possui um recurso chamado NXTVision, que nada mais é do que um ajuste automático na nitidez das imagens. Na maioria das vezes, eu fiquei com a impressão que a tecnologia “converte” a exibição do conteúdo para HDR, uma vez que as imagens ficam mais saturadas, sem aquele efeito “lavado” de telas com menos resolução. É por essa tecnologia que também é possível habilitar um modo especial para leitura que substitui as cores das imagens para preto e branco, diminuindo o cansaço ocular mesmo após uso intenso.

Software

Eu dou preferência para interfaces do Android que não possuam tantas modificações. No caso do TCL 10 SE, elas não são muitas, mas você sabe que a experiência é diferente de usar uma One UI, da Samsung, ou um smartphone da linha Pixel. E eu entendo que cada fabricante queira aplicar um visual próprio que seja único. A questão é quando isso interfere na navegação: os menus na TCL UI, como é chamada a interface do dispositivo, são divididos por categorias. E embora você consiga alterar esse tipo de visualização, eu gostaria que ele fosse ativado por padrão.

Nessas categorias, a interface separa os aplicativos e ferramentas de acordo com seu principal objetivo. Em “Mídia”, por exemplo, ficam serviços como YouTube, Música, plataformas de streaming, Google Fotos, Câmera, entre outros. Apps de redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter) se encaixariam perfeitamente nessa seção, mas a interface prefere agrupá-las em uma categoria chamada “Comunicação”. Esse tipo de confusão acaba por atrapalhar a experiência.

Contudo, no geral, o visual dos ícones não é muito diferente do que você encontra em outros aparelhos. Eles ainda ficam em círculos, e a fonte padrão segue o mesmo estilo dos smartphones do Google. Inclusive, o dispositivo da TCL roda de fábrica o Android 10. Há a promessa de atualização para o Android 11, mas a fabricante ainda não tem previsão para disponibilizar o update.

Hardware e bateria

O TCL 10 SE vem equipado com o processador MediaTek Helio P22 rodando a oito núcleos Cortex-A53. A memória RAM é de 4 GB. São especificações que você espera para um smartphone intermediário, e nada além disso. Portanto, o que eu posso dizer após alguns dias de uso é: vá em frente sem criar qualquer expectativa.

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Eu já não uso muito o celular para além do básico, como abrir e responder e-mails, visualizar fotos, assistir a vídeos no YouTube e conversar pelo WhatsApp e Telegram. O que mais pegou durante a utilização foram os engasgos constantes, mesmo em ações muito simples. Até a alternância de janelas entre apps apresentou uma demora no tempo de resposta. O Twitter, um dos meus aplicativos favoritos, quase não abria com fluidez, porque foi comum me deparar com lentidão.

E veja bem: lentidão, não travamentos. Porque analisando minha experiência como um todo, o hardware aguentou bem o tranco.

Para a bateria, aqui contamos com 4.000 mAh, o que é uma ótima capacidade. Nos meus testes, com 100% de carga, ela durou quase um dia e meio após uso intenso de Netflix, Apple Music, YouTube e um joguinho e outro. O que decepciona é o carregador de apenas 10 W de potência que acompanha o produto. Para você conseguir uma carga completa, coloque na conta pelo menos 2h10.

Câmeras

As câmeras do TCL 10 SE são boas, mas não fazem nada de especial. O sensor principal tem 48 MP, e vem acompanhado de uma grande angular de 5 MP e de um sensor de profundidade de 2 MP.

Vamos primeiro pela principal. Mesmo sob boas condições de luz, achei que as cores ficaram um tanto apagadas nas fotos, com sombras exageradamente destacadas. Ainda assim, para um smartphone intermediário, os resultados são sim satisfatórios.

Câmera principal do TCL 10 SE
Câmera principal do TCL 10 SE
Câmera principal do TCL 10 SE
Câmera principal do TCL 10 SE
Câmera principal do TCL 10 SE

A câmera frontal de 8 MP também segue essa média de qualidade. Contudo, se o ambiente não tiver uma luz minimamente decente, pode esquecer que o sensor deixa muito a desejar. O modo retrato não é dos melhores, e o recorte entre o rosto e o desfoque é bastante artificial.

Selfies com a câmera frontal do TCL 10 SE

Agora as coisas seguem ladeira abaixo, porque tanto a câmera grande angular quanto o sensor de profundidade pecam por não cumprirem seus respectivos papéis. A primeira, além de perder resolução quando comparada à câmera principal, intensifica ainda mais o efeito de cores apagadas. E a segunda tem a mesma característica da câmera frontal: as bordas no efeito desfocado não saem perfeitas.

Câmera grande angular do TCL 10 SE
Câmera grande angular do TCL 10 SE
Câmera grande angular do TCL 10 SE
Câmera grande angular do TCL 10 SE
Câmera de profundidade do TCL 10 SE no modo retrato

Para fotos noturnas, então, nem se fala. As fotos não possuem boa resolução e saem com muito ruído.

Câmera principal do TCL 10 SE com o modo noturno

Vale a pena?

Como falamos anteriormente, o segredo para o TCL 10 SE é comprá-lo sem expectativas. Graças ao processador de desempenho médio, tela grande, bateria de longa duração e um design visualmente bonito, ele pode sim ser considerado um bom smartphone intermediário. Tem um engasgo e outro na performance, mas nada muito crítico que comprometa a experiência.

Se posso te dar um conselho: se o TCL 10 SE estiver no seu radar de compra, pesquise bastante por um preço bacana. Mais de R$ 1.500 não vale a pena, e por esse valor você pode optar por outros smartphones mais completos, como os já citados Galaxy M31 e o Galaxy M21s, no início desta análise. Até a finalização do review, o valor mais em conta que eu encontrei foi R$ 1.399, que ainda é caro para o pouco que o celular oferece. Então, minha dica é que talvez seja melhor esperar até que o preço abaixe mais um pouco.