Em novembro do ano passado, durante o lançamento do Moto G, Dennis Woodside, então CEO da Motorola, falou um pouco sobre sua parceria com o Google, entre outros assuntos. Mas muita coisa mudou desde então. O Google vendeu a Motorola para a Lenovo, e Woodside não faz mais parte da Motorola. Hoje, para anunciar o Moto E, esteve em São Paulo Rick Osterloh, atual CEO da Motorola, e ele falou um pouco sobre o futuro da nova Motorola. Ou melhor, a nova nova Motorola, não mais uma empresa Google, e sim uma empresa pertencente à Lenovo.

Apesar de relativamente curto, o período sob o comando do Google foi bastante positivo para a Motorola. Moto X e Moto G estão entre os dispositivos preferidos dos usuários de Android atualmente. O Moto G, aliás, é um enorme sucesso: é o smartphone mais vendido da história da Motorola, e foi o celular mais vendido no Brasil no primeiro trimestre deste ano, segundo a empresa. Mas uma grande conquista da Motorola nessa fase Google foi bem resumida por Steve Sinclair, vice-presidente de marketing de produtos: “As pessoas estão falando novamente sobre a Motorola”. Foi-se o tempo em que era apenas mais uma, muitas vezes esquecida. Hoje a Motorola é outra empresa, que volta a crescer em grande parte do mundo.

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Eis que, quando parecia se levantar, a Motorola foi novamente vendida, agora para a Lenovo. O que vai acontecer com a empresa daqui para frente? Ela continuará sendo sensacional sob o comando da chinesa? Osterloh foi cauteloso ao comentar possíveis intervenções feitas pela nova comandante. “Difícil projetar o futuro, mas nos próximos anos será a mesma coisa. Temos nossa estratégia de softwares e de produtos que não será mudada, ao menos por enquanto”. Mas é difícil dizer se, daqui a um ano e meio ou dois anos, a Lenovo fará com que ela siga um rumo diferente. O que nos deixa tranquilos é que, ao menos por enquanto, ela continuará sendo sensacional.

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Osterloh projeta outras mudanças, e essas muito positivas para a Motorola, que não devem afetar diretamente a linha de produtos. A Lenovo é gigante na Ásia e em parte do leste europeu, mas é insignificante nas Américas. A Motorola é enorme nas Américas, mas minúscula na Ásia e no leste europeu. O CEO crê que uma empresa poderá ajudar a outra, e, assim, a Motorola pode conquistar mercados em partes do mundo que até hoje não conseguiu alcançar. Ele também acredita que a proximidade da Lenovo com fornecedores pode dar à Motorola acesso mais rápido a novas tecnologias e preços mais baixos para peças. No geral, Osterloh acredita que o negócio vai ser bom para os dois lados. Mas, como CEO da Motorola, é meio que esse o papel dele, certo?

Mas como era a relação com o Google? Osterloh garante que a Motorola nunca teve nenhum tipo de privilégio – jamais teve acesso a versões em desenvolvimento do Android antes de outras fabricantes, por exemplo. E também disse que o Google era cauteloso com a Motorola – talvez com um pouco de medo de causar ciúmes em outras fabricantes. E, por isso, ele acredita que nada mudará com o comando da Lenovo, e a Motorola terá a liberdade que teve nos últimos anos para continuar desenvolvendo seus smartphones como quiser.

A aquisição da Motorola pela Lenovo ainda não foi finalizada, então não podemos dizer que o Moto E seja um smartphone sob o comando da Lenovo. Mas a Motorola já não se considera mais uma empresa Google – o logotipo não tem mais essa frase, por exemplo. Ainda não está muito claro como será o futuro da empresa, mas, ao menos nas palavras do atual CEO, tudo deve continuar caminhando como nos últimos tempos.