De acordo com o Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos EUA, problemas renais matam mais pessoas por ano do que o câncer de mama ou de próstata. A diálise até ajuda os pacientes a viverem um pouco mais, mas o transplante de rim é a melhor solução para que a pessoa tenha qualidade de vida. 

O problema é que conseguir um doador compatível não é nada fácil, e muitos pacientes acabam falecendo na fila de espera. O xenotransplante – transplante entre diferentes espécies – é uma aposta de pesquisadores para mudar esse cenário. E alguns estudos recém divulgados indicam que os cientistas estão no caminho certo.

Médicos da Universidade do Alabama em Birmingham, nos EUA, transplantaram o rim de um porco para um ser humano. Esta é a primeira vez que um feito do tipo é registrado em artigo científico revisado por pares — ou seja, que foi analisado por cientistas independentes. A pesquisa foi publicada no jornal American Journal of Transplantation.

Jim Parsons, o homem de 57 anos que recebeu o órgão, já estava falecido no momento do transplante. Ele era doador de órgãos e teve morte cerebral, mas por não ser possível aproveitar seus órgãos, a família autorizou que seu corpo fosse utilizado para fins científicos. 

O rim doado pertencia a um porco geneticamente modificado. Dez dos genes-chaves do animal foram alterados em laboratório para tornar o órgão adequado para o corpo humano.

O transplante foi bem sucedido. Os cientistas temiam que o corpo rejeitasse o órgão no primeiro contato, mas isso não aconteceu. Na verdade, o rim foi capaz de filtrar o sangue e produzir urina durante todo o estudo, que durou 77 horas. 

De acordo com os pesquisadores, o uso de porcos é benéfico porque estes animais são fáceis de criar e podem ter órgãos de tamanhos semelhantes aos humanos. Esta, inclusive, não é a primeira vez que transplantes envolvendo o animal e humanos são feitos.

Recentemente, médicos da Universidade de Maryland, nos EUA, transplantaram um coração suíno para um humano vivo e com doença cardíaca em estágio terminal. A notícia foi divulgada no dia 10 de janeiro deste ano. Porém, o transplante de rim marca a primeira vez que uma cirurgia como essa é descrita em artigo científico revisado por pares.

“Preenchemos lacunas críticas de conhecimento e obtivemos os dados de segurança e viabilidade necessários para iniciar um ensaio clínico em humanos vivos com insuficiência renal em estágio final”, disse Jayme Locke, cirurgião chefe do estudo. Ao que tudo indica, este é apenas o começo.