O jornal Los Angeles Times noticiou nesta quarta-feira (21) um terremoto de escala 6,8 que atingiu Santa Barbara às 16h51 (horário local). O que pode ter sido uma surpresa para a população de Santa Barbara, que não sentiu nada. Qual o grande problema dessa história? O terremoto aconteceu em 1925.

Como é que os repórteres poderiam errar algo assim? Bom, o “repórter” que escreveu a notícia de ontem sobre o terremoto de escala 6,8 na verdade era um robô. O L.A. Times deletou seu tweet automático, assim como o artigo automaticamente publicado e explicou o que aconteceu em um tweet posterior:

 

(“Atenção: acabamos de deletar um tweet automático dizendo que houve um terremoto de escala 6,8 em Isla Vista. Esse terremoto aconteceu em 1925.”)

O algoritmo do jornal, chamado de Quakebot, raspa dados do site da US Geological Survey. Um funcionário da USGS na Caltech, por engano, enviou um alerta ao atualizar os dados de histórico de terremotos para torná-lo mais preciso. Sismólogos supostamente teriam reclamado de alguns dos dados históricos errando a localização em até 9,65 quilômetros, e esse funcionário estava simplesmente atualizando a localização de um antigo terremoto de 1925. Mas isso mostra o quão rápido as informações erradas podem se espalhar com apenas alguns cliques.

Um terremoto de escala 6,8 é algo importante, então as pessoas ficaram bastante aliviadas em ver que foi um alarme falso. O terremoto de 1925 matou 13 pessoas e causou danos de US$ 8 milhões. Com tanta mais gente vivendo na área hoje em dia, ele seria, sem dúvidas, muito mais mortal.

Los Angeles Time empregou o Quakebot em 2014 e relatou centenas de terremotos, grandes e pequenos, ao longo dos anos. Mas esse é o primeiro grande erro de que se tem notícia desde que ele foi colocado online. E certamente não será o último, já que o jornalismo, desde homicídios a placares de beisebol, está automatizando cada vez mais suas reportagens.

Não conseguimos falar com o Quakebot para ouvir seus comentários a tempo desta publicação.

[Los Angeles Times]

Imagem do topo: Getty Images