As lentes de contato são uma alternativa mais confortável do que usar óculos para a maioria das pessoas com problemas de visão — isso se você aguentar todo o processo para colocá-las e retirá-las. E para não ter mais esse trabalho, um morador da Flórida inventou um robô que pode inserir e remover lentes de contato para pessoas que não conseguem fazer isso sozinhas. Apesar de que, ao ver a máquina em ação, eu prefira continuar usando óculos do que me submeter a tal procedimento.

Além da ansiedade de introduzir um objeto estranho diretamente no olho e colocar seus dedos tão perto de um órgão tão sensível, usar lentes de contato pode ser difícil para pessoas com problemas de mobilidade ou deficiências, que dificultam o manuseio de um acessório tão minúsculo.

Craig Hershoff, inventor do robô, teve experiências semelhantes. Foi a partir daí que ele desenvolveu a engenhoca capaz de inserir e remover as lentes sem que o usuário precise fazer nada além de manter as pálpebras bem abertas.

O robô é projetado especificamente para lidar com o que as chamadas lentes de contato esclerais, que criam uma cúpula cheia de lágrimas sobre a córnea do olho para corrigir problemas de visão que óculos ou lentes normais não são capazes de resolver. Para muitos pacientes, as lentes esclerais são a única opção e, se eles não forem capazes de utilizá-las adequadamente por conta própria, muitas vezes precisam aprender a conviver com a doença.

O robô pode ser ativado por comandos de voz para uma operação completamente independente das mãos e usa pequenas ventosas para agarrar com segurança as lentes. Além disso, o outro olho acompanha um vídeo do processo para dar mais controle. O criador da máquina diz também que os movimentos são mais suaves que usar as próprias mãos.

Para quem não usa lentes de contato, o dispositivo parece um pouco saído de um filme de terror, mas, na realidade, essa pode se tornar uma solução comum para um público mais amplo com vários tipos de problemas de visão.

Atualmente, a máquina está passando por um teste clínico em Boston, e Hershoff, seu inventor, tem esperança de que ela obtenha autorização da Food and Drug Administration (órgão estadunidense equivalente à Anvisa) em 2021 para que possa ser disponibilizada para quem precisa.

Sinceramente? Boa sorte para quem for se arriscar. Porque isso só me lembrou aquela cena agonizante de cirurgia ocular do jogo Dead Space 2 (não veja os últimos minutos se não quiser fortes emoções):