Na série de TV Star Trek: Voyager, a nave foi a primeira de seu tipo a ser construído com circuitos biológicos projetados para acelerar suas capacidades de processamento. O que um dia foi ficção científica, no entanto, se aproxima da realidade com a notícia de que pesquisadores criaram, com sucesso, uma rosa ciborgue que funciona como um circuito eletrônico.

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A primeira aparição de flores ciborgues aconteceu no fim de 2015, quando pesquisadores da Universidade de Linköping, na Suécia, revelaram que haviam desenvolvido a primeira planta eletrônica do mundo — mas ela não era feita de silício e solda. Em vez disso, os pesquisadores introduziram um polímero sintético à flor que era sugado dentro de seu sistema vascular, onde então ele se auto-montava em cadeias maiores que conseguiam conduzir sinais elétricos.

O problema com a primeira flor ciborgue era que o polímero sintético usado tinha a tendência de se embolar durante seu trajeto através do tecido vascular da planta, criando circuitos orgânicos em regiões localizadas limitadas. O objetivo final era dar a toda a flor uma funcionalidade eletrônica, o que levou os pesquisadores da Universidade de Linköping a desenvolver um tipo diferente de polímero, chamado de “oligômero”, para a rosa absorver.

O recém-desenvolvido oligômero foi criado usando ácido bis[3,4 etilenodioxitiofeno]3-tiofeno butírico e 3,4-etilenodioxitiofeno. Nem tente pronunciar isso, você só vai se magoar. O importante é que o novo oligômero tem menor tamanho molecular, o que lhe permite fazer seu trajeto através de todo o sistema vascular de uma planta, de seu tronco até às folhas e flores, onde se auto-organiza em uma rede completa de fios condutores de eletricidade.

Mas esse não é o único avanço em flores ciborgues que os pesquisadores fizeram. O que é um pedaço de eletrônico sem uma fonte de energia? Os fios de oligômero formados dentro do tronco da rosa eletrônica funcionam paralelamente uns aos outros, separados e isolados pelas células da planta, que também calham de ser ricas em eletrólitos. A nível básica, esses são os ingredientes-chave para criar um supercondensador —um tipo de bateria que consegue suportar uma grande carga por um período curto de tempo. O sistema de frenagem regenerativa de um carro elétrico depende de um supercondensador para temporariamente armazenar eletricidade antes de ser mandado de volta para o motor eletrônico, provendo energia ao veículo.

Os avanços feitos em cima das plantas eletrônicas da Universidade de Linköping não representam exatamente o ponto em que você conseguiria conectar seu iPhone a uma árvore para uma recarga rápida enquanto acampa. Mas significa que, um dia, talvez estejamos criando plantas para funções além de alimentação e sombra. As florestas poderiam ser transformadas em vastos sensores ambientais, ou um campo cheio de minas terrestres ocultas poderia ser revelado e tornado seguro, simplesmente com a plantação de uma safra de plantas modificadas sobre ele.

Um dia, talvez até possamos explorar os processos fotossintéticos naturais de uma planta para gerar eletricidade do Sol, sem ter que cobrir hectares de terra com células solares.

[PNAS via Ars Technica]

Imagem do topo: WIkimedia