Nós gostamos da Amazon. Eles criaram um dos melhores leitores de e-book do mercado, implementam iniciativas legais – como a troca de eletrônicos antigos por créditos – e tem poder para fechar acordos exclusivos com marcas interessantes. Agora, a Veja diz que a Amazon quer abrir uma loja online no Brasil. Mas, com lojas online enormes como Submarino, Americanas e Saraiva, eles já não estão atrasados?

Talvez não. Existem duas áreas nas quais as lojas online do Brasil ainda engatinham: e-books e venda por terceiros. É aí que a Amazon pode ter vantagem.

Segundo a Veja, a Amazon está negociando com grandes editoras brasileiras, como Record, Objetiva e Ediouro – e as editoras confirmam as negociações. A ideia é oferecer 5.000 e-books em português. Hoje, a Saraiva e a Livraria Cultura oferecem só 3.000 títulos em português cada. Se consideramos todos os idiomas, são cerca de 230.000 e-books na Cultura, contra quase um milhão na Amazon.

Só espero que as editoras ajudem no processo: correm boatos de que elas não querem liberar os livros mais vendidos como e-books, por ser a principal fonte de receita deles. Comprar um Kindle para não poder ler bestsellers dificilmente é um bom negócio.

A concorrência já está se preparando, diz a Veja: Saraiva e Cultura querem melhorar a distribuição dos livros, vendendo-os como apps, por exemplo. Mas concorrer em facilidade com a Amazon vai ser difícil: eles oferecem e-books direto para o Kindle, iPad, iPhone, Android, BlackBerry e computador, sincronizados entre os dispositivos que você tiver. E se você compra um livro na Amazon, ele é baixado automaticamente direto para seu dispositivo; comprando em outro lugar, você precisa sincronizar o e-reader com seu computador.

Até agora falamos sobre e-books, ponto forte da Amazon. Mas não dá pra entrar no Brasil só pra vender livro digital. Como a Amazon poderia enfrentar as grandes empresas do e-commerce brasileiro? Realizando vendas para terceiros. É assim: uma loja quer vender seus produtos na web, mas não tem a estrutura para tanto. A Amazon faz parcerias com fornecedores locais, que vendem seus produtos através da Amazon, e paga comissão a eles. Hoje, o único grande site de e-commerce a fazer isso, até onde sei, é o Mercado Livre: empresas pequenas usam o site como loja virtual, e agora poderiam ter a Amazon – bem mais confiável! – como canal de distribuição.

Por fim, o mercado de e-commerce no Brasil parece promissor: deve faturar cerca de R$ 20 bilhões este ano, 35% a mais que no ano passado. Então a Amazon tem bons motivos para entrar agora no Brasil. Só vai ter que conseguir o domínio amazon.com.br: eles tentaram fazer isso em 2005 com processo judicial, mas não deu certo. [VejaVeja]