O presidente da Rússia, Vladimir Putin, sancionou uma lei que obriga provedores de internet a rotearem seu tráfego por servidores no país. Isso permitiria que a rede do país continuasse funcionando mesmo caso ela seja desligada de outros países. Críticos, porém, temem que a medida resulte em maior controle e censura de conteúdos.

A medida prevê um serviço de DNS russo, que permitiria que a rede local continuasse funcionando mesmo desconectada do resto do mundo. Além disso, provedores de internet serão obrigados a instalar equipamentos para rotear todo o tráfego de dados de forma que ele passe por servidores russos. Esses servidores seriam controlados por agentes do governo.



O projeto de lei havia sido apresentado em dezembro do ano passado. Em fevereiro deste ano, o país fez testes para ver como a internet funcionaria caso desconectada do resto do mundo. Agora aprovada, a lei entrará em vigor no dia 1º de novembro de 2019.

Como a BBC comenta, ele é considerado uma resposta à possibilidade de que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar comandada pelos EUA, decida punir a Rússia por causa de ataques cibernéticos. O Cyber Command, comando de defesa digital do Pentágono (Departamento de Defesa dos EUA), chegou a derrubar a Agência de Pesquisa da Internet russa em 2018, como forma de retaliação a ataques que visavam interferir nas eleições norte-americanas daquele ano.

A medida levanta preocupações sobre a liberdade dos cidadãos russos. O temor é de que a Rússia passe a fazer o que a China já faz em sua internet, censurando termos e bloqueando sites indesejados. O histórico não é bom: como nota o Engadget, pois o país já bloqueia alguns websites e limita o uso de VPNs. O governo, inclusive, proibiu o Telegram após o app não entregar chaves de criptografia para autoridades. A organização Freedom House classifica a internet na Rússia como “não livre”.

[Engadget, TeleSíntese, BBC]