Como são bastante estridentes, você deve achar que as sirenes de ambulância são bons sinais de alerta. A verdade é que elas são bastante ineficientes. Motoristas só ouvem o som com bastante proximidade e velocidade baixa. Adivinhar de qual direção a ambulância vem também é complicado – especialmente quando o som do carro está alto. Na verdade, um estudo recente disse que sinais visuais – e não em áudio – representam 90% das formas como motoristas registram a presença de uma ambulância nas ruas. Então quando as ambulâncias precisam andar muito rápido, são as luzes – e não a sirene – que são bastante eficazes.

Na história da sinalização móvel de emergência, as luzes foram a última adição. Quando a cidade de Nova York lançou o primeiro serviço de ambulância em 1869, os veículos puxados por cavalos soavam um gongo para passar pelas pessoas (e viajavam a cerca de 6 km/h). Em 1909, a James Cunningham, Son & Company lançou a primeira ambulância automática a gás comercial, mas suas luzes especializadas estavam no interior, na forma de algumas lâmpadas que iluminavam o paciente.

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Como não existiu nenhum padrão para alertas luminosos nos Estados Unidos até o começo dos anos 1970, sua história é um pouco complicada. Se você quisesse uma ambulância, falaria diretamente com montadoras para equipá-la de acordo com as suas preferências – e, por isso, existia muita variação. Por muito tempo, veículos funerários tinham trabalho duplo servindo como ambulâncias para carregar pacientes vivos também. Enquanto alguns modelos tinham três luzes fixadas acima do pára-brisa, por um longo tempo foi assim que ficou definido como eram luzes de ambulância.

Outros veículos funerários eram projetados para se transformarem em ambulância em pouco tempo. Alguns modelos adaptáveis de Buick do final dos anos 40 e começo dos 50 tinham dobradiças no capô, o que permitia aos proprietários modificarem a frente com uma montagem de ambulância, com duas luzes de emergência frontais. E a Chevy fez o seu próprio sinal de emergência. Em um modelo de 1965, a montadora posicionou algumas luzes traseiras acima do para-brisa para chegar ao efeito “saia da frente!” desejado.

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Imagem via Pontiacs Online.

Ainda assim, ambulâncias estavam em todos os lugares, mesmo sem regulamentação ou fiscalização. Um relatório governamental de 1978 lamentou a desorganização: “Até o presente momento, a aquisição de equipamentos de sinalização de emergência tem sido um procedimento difícil.” Cada estado tinha seu próprio padrão. O Alaska preferia três lados dos veículos de emergência com algo que piscava uma luz vermelha; o Colorado usava a mesma cor, mas só exigia que fosse visível pela frente e retrovisor. Outros estados usavam luzes azuis, e 39 deles proibiam elas.

Mas isso não era tudo. Os padrões para “veículos autorizados de emergência” iam muito além de veículos de emergência, incluindo ambulâncias de animais, saneamento e caminhões de caça a pragas, e em alguns casos até mesmo automóveis pessoais de médicos. Talvez – só talvez – deveria ser criado um tipo de acordo nacional sobre tipo, cor e número de luzes que apareciam no retrovisor. Enviar um sinal claro, o relatório concluía, melhoraria o tempo de reação do motorista, sem contar a segurança daqueles que dirigiam a ambulância.

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Avance 35 anos, e o tipo, cores e quantidades de luzes nas ambulâncias ainda estão todas espalhadas e sem muito padrão. Em Minnesota, luzes azuis são proibidas em tudo, menos limpadores de neve e veículos de manutenção de estradas. Em Illinois, todos os automóveis de emergência médica e bombeiros usam as luzes azuis. O governo federal padronizou um mínimo, mas a maior parte ainda é definida por cada estado.

Mas se o propósito das luzes é ganhar a atenção de humanos, porque não definimos cor e cobertura que se encaixa melhor para a o público-alvo? De acordo com Michael Flannagan, um professor que trabalha no Instituto de Pesquisa de Transportes da Universidade de Michigan, parte do problema está em estabelecer a melhor prática empírica. O que eles sabem: “Sentimento de estar sendo incomodado [pelas luzes da ambulância] são reais,” explica. Mas transformar essa informação em legislação, digamos, diminuindo a intensidade das luzes de emergência à noite, requer um argumento mais rigoroso para ser apoiado. Mesmo que pessoas digam que as luzes podem distrair, ele diz, “nós não conseguimos estabelecer que há um problema de objetivo de segurança.”

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Então pesquisadores como Flannagan abordam o problema de um ângulo diferente, ao conduzir estudos que testam quais cores são mais visíveis durante o dia e a noite. O resultado, segundo Flannagan, é que “azul é bom o tempo inteiro – melhor do que você imagina.” De fato, nossos olhos são mais sensíveis a azul do que vermelho ou branco – especialmente depois de escuro. Quando cai a noite, receptores em nossas retinas são mais sensíveis às ondas curtas azuis em comparação com as ondas médias amarelas ou ondas longas vermelhas, apesar de um fotômetro poder ler a intensidade das três da mesma forma.

Encontrar um balanço entre alertar motoristas sem desnecessariamente distraí-los pode ser uma questão de ajuste de brilho com base em fatores contextuais, como a hora do dia ou condição meteorológica. Por exemplo, usar branco durante o dia ajuda, assim como diminuir a intensidade das luzes à noite, quando motoristas conseguem detectar com mais facilidade algo piscando atrás deles. Mas até desenvolvermos infraestrutura e tecnologia necessária para padronizar um sistema responsivo, parece que continuaremos com a desorganização herdada dos anos 1970. Então aumente a música, mantenha os olhos abertos, e tenha esperança de que aquelas luzes piscando não acompanharão uma multa.