Google e Samsung parecem estar trabalhando em um acordo que daria aos produtos da gigante das buscas um impulso em smartphones da fabricante sul-coreana. Isso significa que o Google pode ter um acesso mais amplo aos usuários da Samsung, enquanto o ecossistema da fabricante se enfraquece um pouco.

A Samsung é a maior fabricante de smartphones do mundo, e o Android, do Google, é o sistema operacional utilizado nos aparelhos. Entretanto, se você já usou um dispositivo Samsung, sabe que a Samsung tem seu próprio ecossistema e que às vezes as coisas ficam sobrepostas.



A Bloomberg publicou uma reportagem que afirma que esse acordo parece estar focado em fornecer ao Google mais controle sobre as ferramentas de busca nos celulares da Samsung, bem como conseguir que a Samsung deixe de lado sua própria loja de aplicativos e a Bixby, a favor da Play Store e do Google Assistente.

Ainda há muitas lacunas sobre esse potencial acordo, mas em uma primeira olhada, parece que o Google está tentando jogar um balde de água fria na Samsung ao dizer que a Bixby não vai dar certo.

Ao longo dos anos, a Samsung tentou muito fazer com que a Bixby funcionasse – colocando a assistente em seus smartphones, smartwatches e até mesmo em fones de ouvido. Não funcionou, enquanto que o Google Assistente fez bons progressos durante o mesmo período de tempo. Com relação a Bixby, o Google pode ter bom ponto.

Tirando a Bixby, os benefícios deste negócio para o Google são óbvios. As vantagens são menos claras para a Samsung. A pandemia global fez com que as vendas de smartphones caíssem 20% no primeiro trimestre de 2020, com a consultoria Gartner observando que a Samsung viu um declínio de 22,7%.

Isso poderia significar que a Samsung tem menos poder de barganha neste momento, ao mesmo tempo que concordar em promover o Google Assistente e a Play Store significaria receber uma boa grana.

Como a Bloomberg lembra, o Google não liga de gastar uma fortuna para ser o mecanismo de busca padrão no navegador Safari da Apple. E não há nenhuma razão para que a companhia não tentasse um movimento como esse nos smartphones Samsung.

Ainda assim, essa negociação pode passar a imagem de que o Google está, de certa forma, intimidando a Samsung quando ela está em baixa. É um momento particularmente interessante, dado que o Google está no meio de uma audiência antitruste no Congresso dos EUA.

As práticas com a Play Store já foi motivo de disputa durante a investigação antitruste da União Europeia sobre o Google em 2018, quando os reguladores questionaram se a companhia usou a loja como um meio de intimidação.

Também é algo que pode surgir durante as audiências atuais, embora os especialistas estejam divididos sobre se o Google (e a Apple) estão sufocando os pequenos com seu domínio de plataforma de apps. Resta saber se as audiências antitruste do Congresso terão um impacto sobre este rumor de negócios entre Samsung e Google.

“Como todos os fabricantes de aparelhos Android, a Samsung é livre para criar sua própria loja de aplicativos e assistente digital”, disse um porta-voz do Google à Bloomberg. “Essa é uma das grandes características da plataforma Android. E enquanto conversamos regularmente com parceiros sobre formas de melhorar a experiência do usuário, não temos planos de mudar isso”.

Enquanto isso, a Samsung também disse à Bloomberg que “a Samsung continua comprometida com nosso próprio ecossistema e serviços. Ao mesmo tempo, a Samsung trabalha de perto com o Google e outros parceiros para oferecer as melhores experiências móveis para nossos usuários.”

São declarações corporativas típicas. Ainda assim, não seria surpreendente se, em futuros aparelhos, o ecossistema da Samsung se torne algo secundário em seus smartphones.