Hoje, nos contos da cripta da tecnologia, falaremos de um mistério ainda sem resolução. A história começa em Barcelona, passa por Orlando e ganhou novo capítulo ontem, no Chile: por onde anda o Galaxy Tab 10.1 e o 8.9 “oficiais”, aqueles que veremos à venda no Brasil e que não são os mesmos exposto nos estandes da empresa em vários eventos? A Samsung disse que o remodelou, que ele é incrível e fino. Mas por que ninguém o viu funcionando? Entenda o caso.

O imbróglio se iniciou no calor de Barcelona, onde em fevereiro a Samsung exibiu o Galaxy Tab 10.1 e o 8.9, os dois novos grandes tablets da empresa com Android Honeycomb, e processador dual core e o primeiro com câmera de 8MP. Acontece que no dia 2 de março, Steve Jobs apareceu com um novo aparelho mais fino do que o primeiro iPad, mais veloz e com o mesmo preço. Como previmos, grande parte das empresas voltou às pranchetas de design para repensar suas ideias. A Samsung foi uma delas.

Pouco tempo passou e os coreanos anunciaram novas versões do Galaxy Tab 10.1 e do 8.9. Mais finos e mais leves, o aparelho maior tem 595 gramas e 8,6 milímetros de espessura e algumas mudanças de design em relação ao aparelho mostrado em Barcelona (e que nós testamos e filmamos em Orlando) — a traseira, por exemplo, é bem diferente, como você pode ver na foto abaixo. O problema é que esses produtos ainda não deu as caras de forma concreta: em Orlando, o Pedro só viu o modelo de 10 polegadas desligado, em uma redoma. Mesmo na apresentação do presidente, o que se via era um gadget desligado em todos os momentos. Aqui, no Chile, a empresa exibiu as  duas versões antigas, mais grossas e pesadas — e sem muito esforço em deixar claro qual máquina estava sendo mostrada.

Silvio Stagni, vice-presidente de telecom da Samsung, confirmou que as versões que chegarão ao Brasil serão as fininhas. Segundo ele, a primeira versão dos novos Tabs  foi feita apenas para uma operadora americana que estava na ânsia de ser a primeira a lançá-los. Perguntei se ele mesmo já tinha visto as versões novas em ação e ele jura que sim. Ele também explicou que poderia lançar os novos aparelhos antes, em maio, mas que a empresa preferiu esperar os novos e definitivos aparelhos. E para apressar o lançamento, a Samsung decidiu não colocar TV digital ou capacidade de telefonar dos aparelhos — detalhes importantes do primeiro Tab, mas que necessitam de uma produção local e diferenciada. Outro “downgrade” foi a câmera: antes ela era uma poderosa de 8MP, agora, ao que informaram em Orlando, terá 2 ou 3MP.

Conclusão de nosso conto: a Samsung percebeu que alguns ajustes eram necessários para deixar o Tab mais atraente — sinal de que a empresa está atenta ao mercado ao seu redor. Mas isso tem duas consequências: algumas concessões precisaram ser feitas (telefone e TV) e a produção dos novos aparelhos acabou de começar. E pelo que vimos em Orlando, ele ainda é um mockup, um aparelho misterioso que poucos tiveram a chance de ver em ação. Enquanto isso, a maioria das fotos e vídeos que você encontrar pela internet mostrarão o modelo antigo, que sequer passará perto do mercado brasileiro. Apesar de uma empolgação inicial, todo o ceticismo é recomendado quando tratarmos dos novos Tabs.

 

* O Gizmodo Brasil viajou ao Chile para o Samsung Forum 2011 a convite da Samsung e presenciou um terremoto “comum” às 2h da madrugada de ontem