Em outubro, a Samsung fechou sua última fábrica na China, um mercado importante para a empresa, mas cada vez mais dominado por marcas locais como Xiaomi e Huawei. Para lidar com essa concorrência, a empresa sul-coreana decidiu apostar em terceirização e vai começar a mover parte significativa da produção de modelos Galaxy A para as chamadas ODMs (original design manufacturers), como a Wingtech.

As ODMs são responsáveis por fabricar celulares, criando o seu próprio design e, portanto, são detentoras dos direitos sob o aparelho que será vendido por outra marca. Já as OEMs (original equipment manufacturer) apenas fabricam produtos a partir do modelo fornecido pela empresa contratante. Ou seja, quando a Samsung quiser lançar um novo smartphone, ela pode pedir para uma ODM criar um modelo, inserir sua marca nele e, então, enviar para as OEMs produzirem em grandes quantidades.

Segundo relatos, essa estratégia da Samsung para cortar custos envolve a terceirização de um quinto da sua produção de smartphones para a Wingtech, que também é responsável por fabricar produtos para a Xiaomi e a Huawei. A Reuters diz que fontes familiarizadas com o assunto afirmam que a Samsung planeja enviar 60 milhões de aparelhos feitos por ODMs no próximo ano, o que equivaleria a 20% do inventário de smartphones da empresa.

Com a terceirização, a Wingtech poderia reduzir os custos com componentes em quase 30% para a Samsung. No entanto, corte de custos geralmente significa queda de qualidade também. A sul-coreana disse à Reuters que vai manter uma supervisão rigorosa da qualidade e design dos produtos, mas isso é mais um discurso para tranquilizar consumidores do que uma garantia. Os aparelhos da Wingtech seriam vendidos principalmente no sudeste asiático e na América do Sul.

A maior parte da produção de smartphones da Samsung já ocorre em locais como Vietnã e Índia, sendo que alguns de seus modelos, como o Galaxy A6S, são feitos por ODMs. A própria Apple adota essa estratégia e, conforme aponta o Android Authority, se isso funcionar para a Samsung também, a empresa poderá lançar uma maior quantidade de aparelhos com uma diversidade de preços.

Por outro lado, a Reuters observa que comprometer a qualidade dos smartphones pode ser uma decisão arriscada para a Samsung, principalmente se levarmos em conta o histórico da empresa. Em 2016, os problemas do Galaxy Note 7 que pegavam fogo foram alvo de piadas, enquanto que a euforia com os aparelhos dobráveis acabou morrendo com o lançamento decepcionante do Galaxy Fold, pois foram identificados defeitos na tela.

A Samsung já vem trabalhando com a Wingtech desde 2017 na fabricação de tablets e celulares, sendo que a ODM é responsável por 3% dos smartphones da marca sul-coreana. A expectativa é que esse número atinja 8%, o que equivaleria a 24 milhões de unidades, este ano, segundo o IHS Markit.

Enquanto a Samsung tenta inovar no mercado com smartphones caríssimos, Xiaomi e Huawei vêm ganhando popularidade com suas opções mais baratas e altas especificações. A decisão de ampliar a terceirização parece ser uma necessidade em vez de uma escolha deliberada. Kim Yong-serk, ex-executivo de mobile da Samsung e professor da Universidade Sungkyunkwan da Coréia do Sul, disse à Reuters que “os smartphones se tornaram uma batalha por custos. Agora é um jogo de sobrevivência”.

[Reuters, Android Authority]