O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, sancionou nesta terça-feira (27) uma lei que visa acabar com os chamados ‘sommeliers de vacina’ — que são aqueles que querem escolher a marca do imunizante que irão tomar. A nova regra põe no fim da fila quem se recusar a tomar a vacina disponível no posto.

A decisão, que entra em vigor hoje, diz que “aquele que for retirado do cronograma de vacinação por recusa do imunizante será incluído novamente na programação após o término da vacinação dos demais grupos previamente estabelecidos.”

Essas pessoas se responsabilizarão a partir da assinatura de um termo de recusa, que será anexado ao cadastro único do paciente na rede municipal de saúde, para que este não consiga se vacinar em outro lugar. Isso também vale para os inscritos na “xepa”. No entanto, há exceções: as gestantes, puérperas e quem tiver comorbidade comprovada por recomendação médica podem buscar as marcas indicadas por seu especialista.

São Paulo não é a primeira cidade que adotou a medida. Em São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, região metropolitana da capital, quem recusar a dose disponível também será mandado para o fim da fila. O mesmo acontece em Juruaia, no sudoeste mineiro e Criciúma, em Santa Catarina.

Essa busca por marcas específicas começou por diversos motivos: queixas de reações como dores de cabeça e dor no braço, interpretações errôneas da eficácia, vontade de tomar a dose única e até mesmo pela crença em fake news. Além disso, a alta procura pela Pfizer, por exemplo, se dá pelo índice de eficácia que chega a 95% e pela crença de que, tomando o imunizante americano, seria possível viajar para o exterior. Porém, é preciso lembrar todas elas passam por fases de testes de segurança antes de chegar ao nosso corpo. Dessa forma, cientistas afirmam que, quando aprovadas pelos comitês de saúde, os imunizantes são seguros e eficazes.

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Na verdade, o que importa para barrar o vírus é a alta cobertura vacinal, ou seja, a quantidade de pessoas que tomam as duas doses e completam o esquema. De acordo com autoridades sanitárias, é preciso 70% da população vacinada para diminuir a circulação do Sars-CoV-2. Isso é preocupante pois um balanço de maio divulgado pelo G1 mostrou que 5 milhões de brasileiros ainda não voltaram para tomar a segunda dose.