No Brasil, duas empresas se destacam por seus leitores de e-book: a Livraria Cultura e sua linha da Kobo; e a Amazon e seus Kindles. Há espaço para um terceiro concorrente? A Saraiva acha que sim: ela lançou hoje o Lev, uma linha de dois e-readers.

O Lev custa R$ 299, enquanto o Lev com luz sai promocionalmente por R$ 399 até o final de agosto (o preço deve subir para R$ 479 no mês que vem). Os e-readers serão vendidos em todas as lojas da Saraiva – tanto físicas quanto online – e no Walmart.com. Ambos são fornecidos pela francesa Bookeen, cujo principal produto é o leitor Cybook Odyssey.



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A diferença entre eles está basicamente na luz LED frontal, presente em um e ausente no outro. Ambos possuem touchscreen e-ink de 6 polegadas com resolução 758 x 1024 pixels. É uma densidade de pixels de 213 ppi – a mesma do Kindle Paperwhite – o que garante maior nitidez ao renderizar fontes.

Você pode inserir livros através do cabo USB ou via Wi-Fi, e guardá-los nos 4 GB de armazenamento interno ou em um cartão microSD. A bateria pode durar até três semanas; são 190 g.

O Lev tem suporte a arquivos ePub e PDF, e ainda promete facilitar a leitura com o recurso “PDF Reflow”, que reorganiza o texto para você não ter que perder tempo dando e tirando zoom.

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A Saraiva sabe que um dos diferenciais de e-readers é o conteúdo: no Lev, você pode ler livros de basicamente qualquer loja, recebe 10 livros de graça e ainda pode escolher mais quatro títulos da lista de best-sellers.

O catálogo virtual da Saraiva tem cerca de 100 mil e-books, dos quais 30% são em português. Os e-books comprados na loja ficam disponíveis também para PC, Mac, iOS e Android através do Saraiva Reader, que hoje conta com 4,6 milhões de usuários.

É uma estratégia semelhante à Livraria Cultura e Amazon: compre uma vez, leia em qualquer lugar. Mas há espaço para outro leitor de e-books? A Saraiva diz que sim: em uma pesquisa, 70% das pessoas nunca tinham utilizado um dispositivo dedicado à leitura.

Segundo a Câmara Brasileira do Livro, o faturamento do mercado editorial brasileiro com e-books saltou para R$ 12,7 milhões em 2013 – mais que triplicou em um ano. No entanto, eles representam só 2,3% do mercado.

As vendas de e-readers também é baixa: a Época estima que a Cultura vendeu 50 mil unidades do Kobo; enquanto a Amazon vendeu 100 mil Kindles. É um reflexo da nossa cultura: os brasileiros leem apenas 4 livros por ano, em média; e metade da população não lê livros, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.

Mesmo assim, a Saraiva parece se posicionar para um aumento nas vendas de e-books. Na verdade, eles já falam em serviço de assinatura de e-books – como o “Netflix para livros” que a Amazon lançou recentemente – mas diz que, por enquanto, isso é plano para o futuro. [Bookeen e PublishNews]