Humanos que esperam ir para outro planeta ou até mesmo para o Sol estão sem sorte – pelo menos por enquanto. Dentro de alguns bilhões de anos, quando o Sol se tornar uma gigante vermelha e destruir nossos oceanos, as pessoas do futuro hipoteticamente conseguirão habitar outro lugar. As luas congeladas de Saturno e Júpiter – Encélado e Europa, respectivamente – encabeçam a lista da provável saída dos terráqueos. Mas uma nova pesquisa sugere que essas mundos talvez não sejam assim tão habitáveis, mesmo depois que a superfície congelada deles derreta.

• Por que ainda não sabemos quanto dura um dia em Saturno
• O bafômetro espacial detectou bafo de bebida alcoólica na lua Encélado, de Saturno

De acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira (31) na Nature Geoscience, pesquisadores utilizaram modelos 3D do clima global para simular como os mundos congelados ao redor de estrelas classe F e G (como o nosso Sol) podem ter um período habitável depois que derreterem. A equipe descobriu que os mundos simulados exigiam uma quantidade incrivelmente alta de energia para derreter o gelo da superfície e que, quando o Sol se tornar quente o suficiente para iniciar esse processo daqui a bilhões de anos, os corpos rapidamente migrarão para um “estado de estufa”, pulando a fase habitável. Na simulação, os oceanos evaporaram, e qualquer esperança de vida a partir da água foi descartada. Como o nosso Sol é uma estrela de classe G, isso não é bom para o futuro de Encélado e Europa.

Esse estudo foi comparado com outro, publicado em maio passado, que descobriu que a zona habitável dentro do nosso Sistema Solar se expandirá conforme o nosso Sol também expande.

“Há algumas ressalvas”, disse Ramses Ramirez, pesquisador associado no Instituto Carl Sagan, da Universidade Cornell, e coautor de ambos os estudos, ao Gizmodo. “Isso realmente só se aplica às estrelas de classe F e G, portanto, estrelas como o [nosso] Sol ou que são um pouco mais brilhantes que o nosso Sol.”

Pelo menos ainda há alguma esperança para que os futuros humanos consigam escapar para as exoluas congeladas. Mundos congelados ao redor de estrelas da classe K e M – que são mais frias e menos luminosas que nosso Sol – podem desfrutar de um período habitável uma vez que sua superfície derreta.

“Se você tivesse análogos de Europa e Encélado ao redor dessas estrelas, provavelmente elas seriam seguras”, notou Ramirez.

Há também o fato de que isso se trata de um modelo, e, como nosso próprio Sistema Solar mostra, a transição entre os estados de congelamento e estufa pode ser complicada. “Evidências geológicas mostram que, no início, a Terra teve ambos os episódios, de aquecimento e resfriamento. E, no início, Marte teve água líquida fluindo por sua superfície, muito embora hoje Marte seja seco e congelado”, escreveu Andrew P. Ingersoll, da Divisão de Ciências Planetárias e Geológicas da CalTech, em um artigo na Nature News & Views. “A lição para a busca de mundos habitáveis para além do nosso Sistema Solar é que nossos modelos, com base na experiência Terrestre, ainda revelam grandes incertezas.”

Muito mais pesquisa sobre as luas congeladas precisa ser conduzida antes que descartemos as chances de que elas sejam o nosso futuro refúgio, depois que nossa biosfera acabar.

[Nature Geoscience]

Imagem do topo: NASA/JPL-Caltech