O aterrissador InSight, da NASA, está a caminho de Marte depois do lançamento bem-sucedido de um foguete Atlas V, no sábado (5), a partir da Base da Força Aérea de Vandenberg, na Califórnia. Mas o pousador não está sozinho — ele conta com um par de satélites de comunicação CubeSats. Chamados de MarCO-A e MarCO-B, as minúsculas máquinas já passaram por seu primeiro marco importante em sua missão inovadora no Planeta Vermelho.

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Quando o MarCO-A e o MarCO-B chegarem em Marte no fim deste ano, eles serão as menores máquinas a visitar um planeta. Conhecidos como nanossatélites, esses dispositivos pesam meros 13,6 quilos e medem apenas 36,57 cm x 24,13 cm x 11,68 cm quando colocados dentro do porão de um foguete. Uma vez em Marte, os pequenos satélites vão fornecer um link de comunicação com estações na Terra, conforme o InSight faz sua perigosa entrada na superfície. Mas o aterrissador da NASA não depende do Mars Cube One (MarCO) para ter sucesso; os CubeSats fazem parte de uma missão de prova de conceito para testar a viabilidade de se enviar satélites pequenos para os cantos mais distantes do Sistema Solar.

Ilustração de um artista para os CubeSats em Marte (Imagem: NASA/JPL-Caltech)

A NASA recebeu os primeiros sinais do MarCO-A e do MarCO-B no sábado, às 17h15 (horário de Brasília), pouco depois de seu lançamento. O recebimento desses sinais é uma boa notícia — significa que os dispositivos se ligaram. Mas o sinal também significa que os CubeSats abriram com sucesso seus painéis solares, estabilizaram sua orientação, viraram-se em direção ao Sol e ligaram seus rádios. Engenheiros da NASA ainda precisam conduzir uma série de testes antes que os CubeSats iniciem sua jornada a Marte (eles estão atualmente orbitando a Terra). Porém, indicações iniciais sugerem que as máquinas estão funcionando devidamente.

O MarCO-A e o MarCO-B então passarão os seis meses seguintes viajando até Marte. Os CubeSats gêmeos são versões redundantes um do outro, enviados como um par para o caso de um deles não funcionar direito. Sua aproximação mais perto de Marte, marcada para 26 de novembro de 2018, será a uma distância de 3,5 mil quilômetros.

Durante essa fase crítica da missão, chamada de Sete Minutos de Terror, os CubeSats vão monitorar o progresso do InSight, fornecendo informações aos controladores da missão durante um fase em que, normalmente, não se sabe nada. MarCO-A e MarCO-B vão acompanhar o progresso do InSight e enviar informação de volta à Terra a uma taxa de 8 kbps (kilobits por segundo) via UHF, quase em tempo real.

Como apontado, o InSight não precisa do MarCO para ter sucesso. Uma vez que a sonda pouse com segurança em Marte, ela usará o Orbitador de Reconhecimento de Marte e estações terrestres para suas necessidades de comunicação. Cientistas da NASA estão usando a missão para entender se e como os CubeSats podem funcionar no espaço sideral, testando sua resistência e capacidades navegacionais. Se tudo der certo, a NASA pode começar a pensar em missões parecidas para outros corpos do Sistema Solar, como os planetas gigantes de gás e, possivelmente, até o Cinturão de Kuiper.

[NASA]

Imagem do topo: NASA/JPL-Caltech