A atriz Scarlett Johansson abriu um processo contra os estúdios Walt Disney sob a alegação de quebra de contrato. Segundo o Wall Street Journal, a estrela dos filmes da Marvel afirma que as regras de contrato foram violadas quando a companhia lançou Viúva Negra simultaneamente nos cinemas e no Disney+, algo que, até então, não fazia parte do acordo entre Johansson e a companhia.

“Este certamente não será o último caso em que estrelas de Hollywood se levantam contra a Disney e deixam claro que, independentemente do que a empresa planeja, tem a obrigação legal de honrar seus contratos”, disse John Berlinski, advogado do escritório Kasowitz Benson Torres e representante de Johansson, ao WSJ.

Na ação, Johansson explica que seu contrato com a Marvel Entertainment, que é de propriedade da Walt Disney, garantia o lançamento do filme solo da personagem Viúva Negra com exclusividade nos cinemas. A atriz também detalha que uma grande parte de seu salário foi baseado na bilheteria do longa-metragem nas salas de cinema físicos, e não no streaming.

Lembrando que o filme ainda está disponível apenas no Premier Access, que cobra uma taxa extra de assinantes do Disney+ para ter acesso antecipado ao título antes de ser liberado para todos sem custo adicional. O que não se sabe é se Johansson recebeu uma bonificação também pelos valores angariados com o lançamento de Viúva Negra no Premier Access.

“A Disney induziu intencionalmente a quebra do acordo da Marvel, sem justificativa, para impedir que a Sra. Johansson pudesse ter o benefício completo da sua barganha com a Marvel”, diz o documento do processo movido pela atriz.

Divulgação/Marvel
Imagem: Marvel Studios/Divulgação

Em entrevista à CNBC, Berlinski declarou que o lançamento simultâneo de Viúva Negra nos cinemas e no streaming só aconteceu porque a Disney quer aumentar sua base de assinantes no Disney+ e, por consequência, impulsionar os preços das ações da empresa. “Ignorar os contratos de artistas responsáveis pelo sucesso de seus filmes em prol dessa estratégia cega viola seus direitos, e esperamos provar isso no tribunal”, completou.

[ATUALIZAÇÃO EM 30/07]

Um porta-voz da Disney respondeu dizendo que “não há mérito algum” e que as alegações são “tristes e angustiantes, em enorme desrespeito aos terríveis e prolongados efeitos globais da pandemia da COVID-19”.

“A Disney cumpriu integralmente o contrato da Sra. Johansson”, continua a declaração, “e, além disso, o lançamento de Viúva Negra na Disney+ pelo Premier Access aumentou significativamente sua capacidade de ganhar uma compensação adicional, em cima dos 20 milhões de dólares que ela recebeu até agora.”

Viúva Negra teve estreia recorde, mas cinemas reclamam

Viúva Negra foi um dos primeiros filmes de um grande estúdio a estrear novamente nos cinemas, após um longo período de fechamento por causa da pandemia de Covid-19. Internacionalmente, arrecadou US$ 80 milhões em bilheteria apenas no primeiro fim de semana de estreia, sendo que, dessa quantia, US$ 60 milhões foram apenas via Disney+ com o Premier Access. Foi a terceira maior abertura para uma história de origem da Marvel, ficando atrás somente de Pantera Negra e Capitã Marvel.

Só que, no fim de semana seguinte, a arrecadação caiu para US$ 26,3 milhões. Em resposta, a Associação Nacional de Donos de Cinemas dos Estados Unidos (NATO) divulgou uma nota culpando o lançamento simultâneo do filme no Disney+ como uma das causas pela queda drástica nas receitas, interferindo na audiência dos cinemas tradicionais. Além disso, representantes da NATO disseram que esse modelo de negócios incentiva a pirataria, já que nem todos os usuários estavam dispostos a pagar tão caro para ter acesso antecipado ao filme.

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No Brasil, o Disney+ custa R$ 27,90 por mês. O Premier Access, por sua vez, cobra R$ 69,90 por grandes estreias e ficam por esse valor durante 30 dias, até entrarem gratuitamente no catálogo da plataforma. Além de Viúva Negra, já fizeram parte desse modelo de lançamento o live-action de Mulan e mais recentemente Cruella.

[Wall Street Journal, CNBC]