Em março de 2019, Adam Castillejo foi considerado como um segundo possível caso de paciente a ser curado da infecção por HIV. Agora, um ano após o primeiro relato e 30 meses após o fim da terapia antirretroviral, ele ainda aparenta estar livre do vírus.

Quando seu caso foi divulgado pela primeira vez no ano passado, Castillejo havia optado por permanecer no anonimato, sendo conhecido como “Paciente de Londres”. A cura foi identificada após um transplante de medula óssea, a qual ele foi submetido para tratar um câncer.

O que aconteceu foi que o doador das células-tronco apresenta um gene incomum que o torna imune ao HIV. Quando Castillejo recebeu o transplante de medula óssea, as células do doador substituíram as próprias células imunológicas do paciente, impedindo que o vírus continuasse a se replicar.

A proteína chamada CCR5 é o receptor mais comum utilizado pelo vírus HIV para entrar nas células. No entanto, algumas pessoas – como o doador de Castillejo -, apresentam duas cópias mutadas do CCR5, o que impede que o vírus penetre nas células. Foi essa mesma proteína que o cientista chinês He Jiankui diz ter usado no caso das bebês gêmeas geneticamente modificadas.

Ravindra Kumar Gupta, pesquisador da Universidade de Cambridge que esteve à frente do estudo do caso de Castillejo, afirmou à BBC que essa ausência do vírus mesmo dois anos e meio após o fim do tratamento antirretroviral indica que o paciente pode ser considerado como curado. “Nossas descobertas mostram que o sucesso do transplante de células-tronco como cura para o HIV, relatado pela primeira vez há nove anos no paciente de Berlim, pode ser replicado”, declarou ele à BBC.

Em 2011, Timothy Brown, um norte-americano que morava em Berlim – e por isso ficou conhecido como “Paciente de Berlim” – foi anunciado como o primeiro paciente a se curar de HIV cerca de três anos e meio após receber um tratamento similar ao de Castillejo.

No entanto, apesar desses dois pacientes terem apresentado resultados otimistas, os médicos afirmam que esse tipo de terapia é extremamente agressivo e por isso não será utilizado como tratamento padrão para HIV. Nos dois casos, o transplante de medula óssea foi utilizado apenas como último recurso para tratar um câncer. Além disso, os medicamentos que existem atualmente são eficazes para garantir que pessoas portadoras do vírus tenham uma vida saudável e duradoura.

Outro ponto a se considerar é que os testes indicaram que 99% das células imunes de Castillejo foram substituídas pelo doador, mas ainda há resquícios do vírus em seu corpo. Assim, não há como ter certeza de que o HIV não voltará a se manifestar.

Ainda assim, os casos podem ajudar os pesquisadores a encontrarem uma cura para o HIV no futuro a partir dessa terapia genética.

[BBC]