Uma nova foto panorâmica de 360 graus capturada pela sonda Curiosity é uma das melhores já feitas. As fotos usadas para criar essa imagem foram tiradas pela Curiosity em 9 de agosto de 2018, na cordilheira Vera Rubin, onde a intrépida sonda vem trabalhando nos últimos meses. A imagem mostra o icônico céu colorido do Planeta Vermelho, embora seja um pouco mais escura do que o normal, devido a uma tempestade de poeira que se dissipou.

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A colega da Curiosity, a sonda Opportunity, está atualmente do outro lado do planeta, onde a tempestade foi muito pior. A NASA teve que colocar a Opportunity em modo de hibernação graças à escuridão causada pela tempestade de poeira, que impossibilitou os painéis solares da sonda de coletarem energia. Não se sabe quando a Opportunity voltará à ativa — ou mesmo se voltará.

A visão panorâmica em 360 graus completa. Imagem: NASA/JPL-Caltech/MSSS

De qualquer forma, a Curiosity não parece ter sido afetada pela tempestade, porém, como a nova imagem panorâmica mostra, uma boa quantidade de poeira ficou sobre sua superfície. A sonda pousou em Marte em 6 de agosto de 2012 e, desde então, tem coletado poeira consistentemente, sem ninguém por perto para dar uma limpada nela.

A NASA diz que a Curiosity nunca pesquisou uma área com tamanha variação em cor e textura.

“A cordilheira não é algo monolítico — ela tem duas seções distintas, cada uma das quais com uma variedade de cores”, disse em um comunicado Ashwin Vasavada, cientista de projeto da Curiosity na Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, na Califórnia. “Algumas são visíveis aos olhos e, mais do que isso, aparecem quando olhamos em infravermelho, pouco além do que nossos olhos podem ver. Algumas parecem relacionadas com o quão duras as rochas são.”

De fato, rochas duras são motivo de preocupação no momento. A tentativa mais recente de perfuração da Curiosity foi bem, mas as duas anteriores de extração de amostras de rocha não foram tão frutíferas, com a broca da sonda sendo incapaz de penetrar algumas rochas incomumente duras. A sonda de seis rodas tem usado um novo método de perfuração nos últimos meses como forma de contornar um problema mecânico. Até agora, a nova técnica tem funcionado bem, igualando a eficácia do método anterior. A NASA diz que a antiga técnica não teria funcionado em rochas duras e que isso não era uma limitação do novo método.

A NASA não tem como saber o quão dura uma rocha será antes de perfurá-la, com os controladores de missão tendo que arriscar. Como escreve a NASA:

A melhor maneira de descobrir por que essas rochas são tão duras é perfurá-las em um pó para os dois laboratórios internos do veículo. Analisá-las pode revelar o que está agindo como “cimento” na cordilheira, permitindo que ele permaneça de pé apesar da erosão eólica. Muito provavelmente, disse Vasavada, a água subterrânea que flui através da cordilheira no passado antigo teve um papel em fortalecê-la, talvez atuando como um encanamento para distribuir esse “cimento” à prova de vento.

Grande parte da cordilheira contém hematita, um mineral que se forma na água. Existe um sinal de hematita tão forte que chamou a atenção dos orbitadores da NASA como um farol. Poderia alguma variação na hematita resultar em rochas mais duras? Existe algo especial nas rochas vermelhas da cordilheira que as torna tão inflexíveis?

Olhando para a programação a seguir da Curiosity, a sonda vai extrair mais duas amostras de rocha neste mês. No começo de outubro, a sonda subirá mais alto no Monte Sharp, à medida que se encaminha para áreas ricas em argila e materiais de sulfit. Ela, sem dúvidas, coletará dados científicos importantes, mas também estamos ansiosos pela vista da sonda a partir desse ponto mais alto.

[NASA]

Imagem do topo: NASA/JPL-Caltech/MSSS