Diante da invasão na Ucrânia, a Agência Espacial Europeia (ESA) anunciou recentemente que não pretende mais participar do lançamento da sonda robótica russa Luna-25. E os russos disseram que pretendem prosseguir com a missão para a Lua mesmo sem a ajuda dos europeus.

Inicialmente, a ESA seria a responsável por fornecer uma câmera de navegação que seria usada na Luna-25 — que tem o objetivo de testar uma nova tecnologia de pouso suave sobre a superfície lunar. Os europeus também colaborariam com as missões seguintes, a Luna-26, para estudar a Lua de uma órbita polar baixa; e a Luna-27, que analisará o regolito lunar (camada de resíduos sobre o solo) a partir da superfície do satélite natural.

Com o fim da cooperação, Dmitry Rogozin — o diretor-geral da agência espacial russa, a Roscosmos — afirmou que a Rússia pretende substituir os equipamentos europeus por dispositivos russos. “Em vez desses instrumentos, colocaremos nossos instrumentos científicos”, ressaltou, em entrevista a um canal de televisão.

A expectativa é que a Luna-25 seja lançada em direção à Lua em agosto de 2022. Porém, como apontou a Scientific American, essa data pode ser adiada até o final do ano, para que outros testes possam ser realizados na sonda.

Volta à Lua

A missão retoma a sequência de sondas russas enviadas para a Lua. A última delas, a Luna-24, foi lançada em 1976 e conseguiu trazer amostras lunares para a Terra.

“ Somos ordenados pelo desejo de nossos ancestrais de seguir em frente. Apesar de quaisquer dificuldades e tentativas de nos impedir nesse movimento, definitivamente implementaremos de forma persistente todos os planos”, disse o presidente Vladimir Putin no último dia 12 de abril, data em que se comemora o primeiro voo espacial tripulado pelo cosmonauta russo Yuri Gagarin.

Vale lembrar que as novas sondas Luna não são as únicas afetadas pela suspensão da colaboração entre a ESA e a Roscosmos. A europeia ExoMars, por exemplo, que seria lançada em setembro para procurar sinais de vida em Marte, tem seu destino incerto. A sonda foi desenvolvida pela ESA, mas utilizaria um módulo de pouso construído pelos russos. Segundo Rogozin, esse módulo ainda está em solo europeu e deverá ser devolvido à Rússia.

Por outro lado, os russos vêm estreitando os laços espaciais com a China. No ano passado, os dois países anunciaram um memorando de entendimento para construir uma estação internacional em solo lunar, além do lançamento de um conjunto de robôs e rovers lunares inteligentes.

“Não temos apenas memorandos; já temos acordos intergovernamentais com a China sobre a criação de uma base de pesquisa lunar”, disse Rogozin.