Pouco menos de duas semanas depois de se tornar a primeira missão a aterrissar no lado oculto da Lua, a sonda chinesa Chang’e 4 conquistou um novo feito inédito nesta terça-feira (15), fazendo com que uma semente de algodão brotasse no satélite natural, a primeira vez que um material biológico cresceu no local.

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De acordo com a agência de notícias chinesa Xinhua, para chegarem inteiras à Lua durante a viagem de 20 dias até o satélite, as sementes foram colocadas em estado dormente, usando uma “tecnologia biológica”, como definiram.

Além das sementes de algodão, a missão levou também para o lado oculto da Lua sementes de batata, colza, arabidopsis, leveduras e ovos de mosca-da-fruta. As plantas estão em um contêiner fechado na sonda. O objetivo é tentar criar um ecossistema artificial e autossustentável em miniatura, conforme escreve a BBC. Ou seja, é bom ressaltar que o algodão não foi plantado na superfície da Lua.

O experimento está contido dentro de um recipiente de 18 centímetros de altura e que pesa três quilos feito por 28 universidades chinesas. O experimento busca testar a fotossíntese e a respiração de plantas (processos de produção de energia em seres vivos) nesse ecossistema artificial. Dentro do recipiente foram colocados ar, água e nutrientes para ajudar as sementes a crescer, com um desafio, segundo os cientistas, sendo a manutenção de uma temperatura favorável, já que a Lua alterna entre -173º C e 100º C.

Liu Hanlong, líder do experimento, diz que esses seis componentes trabalham como produtores, consumidores e decompositores nessa bioesfera em miniatura. De acordo com o South China Morning Post, as plantas produzem oxigênio e alimento por fotossíntese para as moscas-de-fruta. A levedura, por sua vez, age como agente decompositor e processa os resíduos das moscas e das plantas para elaborar mais uma fonte de comida para os insetos. De olho em futuras explorações espaciais, Hanlong projeta que as batatas poderiam ser o alimento dos exploradores, enquanto o algodão poderia ser usado para a produção de vestimentas.

Liu Hanlong reforçou a importância do trabalho para a preparação de futuras missões de exploração espacial. “Levamos em consideração a sobrevivência no espaço no futuro. Aprender sobre o crescimento dessas plantas em um ambiente de baixa gravidade nos permitiria lançar as bases para o nosso futuro estabelecimento de bases espaciais”, afirmou, em declaração reproduzida pelo South China Morning Post.

As ambições da Administração Espacial Nacional da China, no entanto, não param por aí. A agência tem mais quatro missões lunares programadas, com a Chang’e 5 devendo acontecer até o final de 2019. Ela será a primeira missão a trazer amostras da Lua para a Terra desde a década de 1970.

Conforme reproduzido pelo Guardian, Wu Yanhua, vice-diretor da agência, explicou que a missão Chang’e 6, por sua vez, deverá trazer amostras do polo sul da Lua, e sondagens futuras deverão fazer um trabalho abrangente na área, com essa série de missões servindo como preparativo para a construção de uma base de pesquisa lunar que potencialmente faria uso de tecnologias de impressão em 3D.

[BBC, South China Morning Post e Guardian]