A cidade de San Francisco (EUA) relatou recentemente que o sistema telefônico da polícia local passou por um aumento incrível de ligações de 2001 para cá. Foi por causa do crescimento da população? Trotes? Aumento da criminalidade? Nada disso: foi por causa de ligações acidentais de pessoas que sentam sobre os celulares, as chamadas butt dials (alguma coisa como “discagens de bunda”, em tradução livre)

Há alguns dias, no congresso Code for America, uma equipe de pesquisadores do Google publicou os resultados de um análise bastante abrangente sobre os dados de ligações do Departamento de Gerenciamento de Emergências de San Francisco. A pesquisa lidou com muitas questões sobre as mudanças que ocorreram na cidade e em sua infra-estrutura, mas uma das descobertas mais peculiares foi o papel das ligações acidentais –como as butt dials– no sistema de comunicação de emergências da cidade.

Os operadores de emergência de San Francisco usam dois códigos, “000” e “913”, para identificar ligações como “desconhecidas” ou “diversas”. Estes não apenas são os códigos mais usados, mas também, como mostrou a análise do Google, 34% das ligações recebidas em 2014 foram acidentais. No geral, a pesquisa mostra que um terço de todas as ligações feitas de celulares eram discagens acidentais de gente que sentou no aparelho (telefones fixos também têm um alto índice de ligações acidentais, com 37% das chamadas que foram objeto da pesquisa do Google).

Depois que um operador atende, mesmo que ele ou ela ouça sons que indiquem que a pessoa está com o traseiro sobre o celular, eles têm que ligar de volta e deixar uma mensagem. Isto toma tempo — o processo leva, em média, um minuto e 14 segundos — e deixa menos operadores disponíveis para atender ligações reais. É também uma grande distração do foco no trabalho: 39% dos operadores que falaram com o Google disseram que as butt dials constituíam o maior “ponto de dor” de seus trabalhos, e 80% disseram que é o aspecto que mais consome tempo em seus trabalhos.

O Google diz que este é um “desafio único” para os operadores do 911, mas também aponta que este é um problema frequente em outras cidades: Nova York descobriu recentemente que 40% das ligações de emergência eram acidentais, também.

É difícil imaginar que não haja uma solução, ainda que em potencial, no software. Talvez a próxima versão do Android venha com proteção contra ligações de bumbum.

[Google via BBC; imagem: Vladimir Koletic]