Existem muito poucas empresas no mundo cujo nome não apenas é reconhecido, como também admirado. A Sony, cujos produtos definiram a tecnologia na minha juventude, perdeu o jeito. Eu quero isso de volta. Sinto falta de amar a Sony.

Nós passamos as últimas semanas conversando com consumidores da Sony, empregados da Sony, até mesmo com pessoas que desistiram da Sony, para tentar descobrir o que deu errado. Ficou claro que mesmo as grandes mudanças e reorganizações nos últimos anos não resolveram a situação. E mesmo que a Sony não esteja prestes a sumir do mercado, a incapacidade de criar uma plataforma coesa, e de fornecer produtos que as pessoas queiram mesmo comprar, podem reduzir drasticamente a influência deles sobre o futuro dos gadgets que usamos.

Quando você pensa em quem vai liderar no mercado de gadgets nos próximos anos, sempre pensamos no Google, na Apple, na Microsoft. Por que não a Sony? Há dez anos seria inconcebível pensar no mundo da tecnologia sem considerar a Sony um fator chave. Hoje muitos consideram o que um entrevistado chama de "mais outra empresa de eletroeletrônicos". O que aconteceu?

Seria uma pena se a Sony continuasse por esse rumo. A Sony ainda faz produtos de qualidade — eles só não são ótimos. A habilidade deles em engenharia é a melhor do mercado, mas resulta em produtos bem-feitos dos quais só engenheiros poderiam gostar. Eles administraram mal a marca mais forte deles, o PlayStation. Eles deixaram os smartphones nas mãos de uma parceria desajeitada com a Ericsson, enquanto os concorrentes colocavam smartphones no centro da estratégia. E eles deixaram um ativo titânico — o acervo de músicas, filmes e televisão que nenhum concorrente hoje consegue igualar — se tornar uma âncora, que reduziu a inovação e a satisfação do consumidor.

Nos próximos dias, vamos explorar onde a Sony meteu os pés pelas mãos e o que eles podem fazer para resolver isso.

Porque, no fundo, a gente quer acreditar na Sony. Chegou a hora de eles nos fazerem acreditar.